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Prerrogativas quer que PF apure se há interferência eleitoral de Vorcaro

Os advogados Marco Aurélio de Carvalho e Reinaldo Santos de Almeida, integrantes do grupo Prerrogativas, apresentaram à Polícia Federal na quinta-feira (8 de outubro de 2026) uma notícia de fato solicitando investigação sobre possível articulação entre o empresário Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, e pessoas ligadas à campanha do candidato Flávio Bolsonaro (PL). O objetivo é esclarecer se teria havido ação conjunta para interferir no segundo turno das eleições presidenciais, marcado para o dia 25 de outubro, e para dificultar o andamento das investigações relacionadas ao caso Master.

Segundo os representantes, o pedido foi motivado por informações de que Vorcaro estaria negociando uma entrevista exclusiva com emissoras de televisão e por relatos de que ele teria entregado um disco rígido com depoimento contendo declarações contra adversários de Flávio Bolsonaro e ministros do governo Lula. Os advogados afirmam que o material traria afirmações sem comprovação documental, apresentadas de forma a influenciar o cenário eleitoral às vésperas da votação decisiva. Eles ressaltam, contudo, que ainda é necessário confirmar a existência e o conteúdo desse suposto material.

A notícia de fato também menciona suspeita sobre repasses financeiros ligados à produção do documentário Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Conforme os advogados, haveria indícios de que Flávio Bolsonaro negociou com Vorcaro um total de R$ 134 milhões para viabilizar o filme, dos quais cerca de R$ 61 milhões teriam sido efetivamente transferidos. Entre os pontos levantados na representação estão a suspeita de articulação para dificultar as investigações do Banco Master, impedir a responsabilização dos envolvidos e interferir no processo eleitoral por meio de acusações ainda não verificadas.

Os advogados solicitam à Polícia Federal que identifique quem participou da eventual gravação ou preparo do material, quem seriam os destinatários e se há vínculo com a campanha do candidato do PL. Também pedem que os fatos sejam comunicados ao Supremo Tribunal Federal e à Procuradoria-Geral Eleitoral, órgãos competentes para avaliar eventuais irregularidades eleitorais. É importante destacar que essas são alegações apresentadas pelos autores da notícia de fato, que não equivalem, por si mesmas, a prova de que os fatos tenham ocorrido.

O caso envolve ainda outras versões apresentadas pelo próprio Vorcaro. Em proposta de colaboração premiada encaminhada à Procuradoria-Geral da República, o empresário afirmou ter destinado R$ 30 milhões em espécie ao Instituto Lula para o financiamento do documentário “Lula”, dirigido pelo cineasta Oliver Stone e lançado em 2024. Segundo a reportagem da revista Veja, assinada pelo jornalista Robson Bonin, Vorcaro relatou que em troca buscava acesso a recursos de fundos de pensão, com intermediação do ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto. A PGR, porém, não deu andamento à proposta, informando não haver elementos probatórios suficientes, especialmente porque os supostos pagamentos teriam sido feitos em dinheiro vivo, sem registro formal.

Nesta sexta-feira (9), os mesmos advogados apresentaram uma segunda notícia de fato à Polícia Federal, solicitando perícia urgente nos áudios atribuídos a Vorcaro e divulgados pela revista Veja. Eles apontam suspeita de que as gravações possam ter sido manipuladas, com junção de trechos ou uso de recursos de inteligência artificial, com o objetivo de influenciar o segundo turno das eleições. A perícia técnica seria fundamental para verificar a integridade do material, sua autenticidade e se houve qualquer edição que alterasse o sentido original das falas.

O eleitorado brasileiro merece que os fatos sejam apurados com clareza, celeridade e imparcialidade. A existência de investigações não significa que haja culpa de quem quer que seja; ao contrário, é o caminho institucional para separar o que é fato confirmado do que é versão ou alegação. Que as autoridades competentes examinem cada elemento com cuidado, ouvindo todas as partes envolvidas, para que a verdade seja estabelecida com segurança e a eleição transcorra de forma livre, justa e transparente para todos os brasileiros.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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