Bolsonaristas lideram em 7 estados e DF, e aliados de Lula despontam em 5

A corrida pelos governos estaduais começa a desenhar um cenário diferente da disputa presidencial de 2026. Na largada do calendário eleitoral, candidatos apoiados por Flávio Bolsonaro (PL) aparecem à frente em mais estados do que nomes ligados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), segundo pesquisas Datafolha e Quaest realizadas na segunda quinzena de agosto. Levantamentos divulgados até agora apontam que aliados de Flávio lideram de forma isolada em sete estados e no Distrito Federal, enquanto candidatos associados a Lula ocupam a primeira posição, sem empate técnico, em cinco unidades da Federação. O resultado chama atenção porque revela que a influência dos principais grupos políticos nacionais não se repete de maneira uniforme nas disputas regionais, criando um mapa eleitoral muito mais diversificado do que poderia indicar a polarização entre direita e esquerda.
Um dos principais elementos desse cenário é o crescimento de candidatos que preferem manter distância da disputa presidencial. Em sete estados, os líderes das pesquisas se apresentam como independentes ou evitam assumir uma posição clara em relação à corrida pelo Palácio do Planalto. Essa estratégia ganhou força especialmente entre candidatos do Nordeste que fazem oposição local ao PT, mas buscam ampliar seu eleitorado para além dos grupos políticos tradicionais. Em Pernambuco, por exemplo, a governadora Raquel Lyra (PSD) adotou o discurso de que sua prioridade é o estado e passou a se identificar como “pernambuquista”. Depois de iniciar o ano em posição menos confortável, ela aparece agora com 47% das intenções de voto, contra 40% de João Campos (PSB), de acordo com pesquisa Datafolha divulgada em 21 de agosto. O prefeito do Recife iniciou a campanha destacando sua proximidade com Lula, mas a vantagem de Lyra mostra como a dinâmica estadual pode seguir uma lógica própria.
No Ceará, Ciro Gomes (PSDB) também escolheu uma trajetória de independência em relação à disputa presidencial. Apesar da aliança com o PL, o ex-governador não declarou apoio a nenhum dos principais nomes que disputam a Presidência e costuma destacar seus históricos de divergências tanto com Lula quanto com Jair Bolsonaro. A postura, porém, passou a ser questionada pelos adversários durante a campanha. No Maranhão, Eduardo Braide (PSD) lidera isoladamente, enquanto em Alagoas JHC (PSDB) aparece tecnicamente empatado com Renan Filho (MDB), candidato associado ao campo lulista. Na Bahia, ACM Neto (União Brasil), que declarou apoio a Ronaldo Caiado, também aparece em situação de equilíbrio com o governador Jerônimo Rodrigues (PT), mostrando que até mesmo alianças nacionais podem ter peso limitado na definição das preferências estaduais.
No campo da direita, alguns nomes iniciam a disputa com posições especialmente favoráveis. Em São Paulo, maior colégio eleitoral do país, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) aparece como um dos principais favoritos à reeleição. Situação semelhante é observada em Santa Catarina, com Jorginho Mello (PL), e em Mato Grosso do Sul, onde Eduardo Riedel (PP) também está em posição de destaque. Mato Grosso apresenta uma particularidade: Wellington Fagundes (PL) e Otaviano Pivetta (Republicanos) aparecem tecnicamente empatados e ambos anunciaram apoio a Flávio Bolsonaro. No Acre, o senador Alan Rick (Republicanos) lidera, mas o cenário é ainda mais amplo, já que Flávio conta com apoio dos três principais candidatos ao governo. Já no Rio de Janeiro, principal estado entre aqueles onde um aliado de Lula aparece na frente, Eduardo Paes (PSD) registra 41% das intenções de voto, contra 19% de Douglas Ruas (PL), segundo o Datafolha.
O grupo ligado a Lula também mantém posições competitivas em diferentes regiões. No Amazonas, Omar Aziz (PSD) aparece como favorito com o apoio do presidente, embora enfrente outras candidaturas com capacidade de disputa. No Rio Grande do Sul, Juliana Brizola (PDT) lidera numericamente, mas está em empate técnico com Luciano Zucco (PL). No Nordeste, aliados do presidente aparecem isoladamente na primeira posição em três estados, sendo dois deles representantes de partidos considerados mais ao centro: Fábio Mitidieri (PSD), em Sergipe, e Lucas Ribeiro (PP), na Paraíba. No Piauí, Rafael Fonteles é o único candidato do PT que mantém liderança isolada nas pesquisas. Na Bahia e no Rio Grande do Norte, Jerônimo Rodrigues e Cadu de Lula aparecem numericamente atrás, mas permanecem dentro da margem de empate técnico com os concorrentes.
O levantamento do cenário partidário mostra ainda uma disputa importante pelo controle dos governos estaduais. O PSD é a legenda com maior número de candidatos em liderança isolada, aparecendo à frente em seis estados e podendo chegar a sete quando Rondônia é considerada, devido ao empate técnico envolvendo Adailton Fúria. O PL vem logo depois, com lideranças em Santa Catarina, Roraima e Paraná, além de candidatos competitivos em Mato Grosso, Rio Grande do Sul e Rondônia. O Republicanos também busca ampliar sua presença, com Tarcísio em São Paulo e Cleitinho em Minas Gerais entre os nomes mais competitivos, além de candidaturas fortes em outros estados. Entre os governadores que tentam permanecer no cargo, 12 aparecem na liderança das pesquisas, enquanto quatro estão atrás dos adversários, incluindo Mateus Simões, em Minas Gerais. Com o calendário eleitoral ainda em fase inicial, os números representam apenas uma fotografia do momento, mas já revelam uma eleição estadual marcada por alianças próprias, estratégias regionais e um eleitorado que pode separar suas escolhas para governador da preferência na disputa presidencial.




