Campanha de Lula está dividindo o PT, pois muitos acham que influencers petistas não conquistarão novos votos

A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu apostar em políticos petistas recém-eleitos ou reeleitos para ampliar sua presença nas redes sociais durante o segundo turno das eleições presidenciais de 2026. A estratégia, porém, não é consenso entre os aliados do presidente e tem provocado críticas de integrantes experientes do campo da esquerda. O assunto foi abordado pelo jornalista Diego Amorim, em coluna publicada pelo PlatôBR e reproduzida pelo jornal Estado de Minas, na editoria de Política, em 9 de outubro.
A iniciativa busca aproveitar a familiaridade de parlamentares petistas com a linguagem das plataformas digitais para ampliar o alcance das mensagens da campanha. Esses políticos conquistaram espaço nas redes sociais e foram eleitos ou reeleitos no primeiro turno, realizado em 4 de outubro. A expectativa dos defensores da estratégia é utilizar essa popularidade para divulgar conteúdos favoráveis a Lula durante a disputa contra Flávio Bolsonaro (PL).
Entretanto, a proposta recebeu críticas de integrantes da própria esquerda, que questionam a capacidade desses influenciadores de conquistar eleitores que não fazem parte da militância petista. Para os críticos, o fato de os políticos já terem garantido seus mandatos pode reduzir o incentivo para que se dediquem à campanha presidencial. Eles também avaliam que a estratégia corre o risco de atingir principalmente pessoas que já apoiam Lula, sem ampliar significativamente o alcance da candidatura entre os indecisos.
Estrategistas criticam condução da campanha petista
De acordo com Diego Amorim, marqueteiros experientes da esquerda têm demonstrado insatisfação com a maneira como a campanha de Lula vem sendo conduzida no início do segundo turno. Alguns consideram que as iniciativas adotadas até agora parecem desorganizadas e não apresentam uma direção suficientemente clara. As críticas incluem a realização de reuniões e a participação de diferentes pessoas nas discussões sobre os rumos da campanha.
Um dos profissionais ouvidos pelo colunista avaliou negativamente as primeiras movimentações do segundo turno e afirmou que a campanha estaria demonstrando desespero. Na avaliação desse estrategista, a realização de reuniões para recolher opiniões e a exposição de divergências internas não contribuiriam para melhorar o desempenho eleitoral. A declaração reflete a insatisfação de uma fonte ouvida pela publicação, e não necessariamente uma posição compartilhada por todos os integrantes da campanha.
A principal preocupação dos críticos é que a estratégia concentre esforços na mobilização de apoiadores já convencidos, em vez de priorizar a conquista de novos eleitores. O segundo turno exige que as candidaturas busquem ampliar suas bases de apoio, especialmente entre pessoas que não se identificam diretamente com os partidos envolvidos na disputa. Nesse contexto, a capacidade de dialogar com eleitores de diferentes posições políticas se tornou um dos pontos centrais do debate entre os aliados de Lula.
Disputa pelo eleitorado de centro
A tentativa de alcançar eleitores que não fazem parte da militância petista é um dos desafios apontados pelos críticos da estratégia digital. Segundo a avaliação apresentada na coluna, parte do eleitorado de centro poderia se aproximar de Lula por rejeitar os Bolsonaro, sem necessariamente concordar com o programa do PT. Para esses analistas, a campanha precisa considerar essa diferença ao definir suas mensagens e escolher os porta-vozes que participarão da comunicação eleitoral.
Os influenciadores políticos podem contribuir para divulgar propostas, responder a críticas e mobilizar seguidores, mas a popularidade nas redes sociais não garante, por si só, a conquista de votos adicionais. O alcance de uma publicação depende de fatores como o perfil do público, o conteúdo apresentado e a disposição dos usuários para compartilhar as mensagens. Por isso, a presença de políticos com forte atuação digital é vista por alguns aliados como uma ferramenta útil, mas insuficiente para resolver todos os desafios eleitorais.
A divergência mostra que não existe uma avaliação uniforme dentro do campo petista sobre a melhor forma de conduzir a comunicação no segundo turno. Enquanto parte dos aliados aposta na capacidade dos parlamentares influenciadores de ampliar a circulação de conteúdos, outros defendem maior foco estratégico e mensagens direcionadas a públicos que ainda não decidiram seu voto. O debate envolve tanto a escolha dos participantes da campanha quanto a definição das prioridades para os dias que antecedem a votação.
Estratégia digital enfrenta questionamentos internos
A discussão sobre os influenciadores ocorre em um momento decisivo da campanha presidencial, quando Lula e Flávio Bolsonaro disputam o apoio dos eleitores para o segundo turno. As redes sociais ganharam importância na divulgação de propostas e na reação a declarações dos adversários, mas também se tornaram espaços de confronto entre diferentes grupos políticos. Nesse ambiente, as equipes precisam avaliar como utilizar seus apoiadores digitais sem limitar a comunicação aos públicos que já acompanham suas atividades.
A reportagem de Diego Amorim, publicada pelo PlatôBR e reproduzida pelo Estado de Minas, evidencia as divergências entre aliados de Lula sobre a aposta em petistas recém-eleitos ou reeleitos para atuar nas redes sociais. As críticas se concentram na possibilidade de a iniciativa não alcançar eleitores além da base tradicional do partido e na percepção de que falta uma direção mais clara para a campanha. A forma como o grupo petista responderá a essas preocupações deverá fazer parte das decisões estratégicas durante a continuidade do segundo turno.





