Primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, fez um convite ao senador Flávio Bolsonaro

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, telefonou para o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, e o convidou para visitar o país. A conversa ocorreu na noite de quinta-feira, 8 de outubro, e foi divulgada pelo gabinete do premiê israelense na sexta-feira, dia 9. As informações foram publicadas pelo portal g1, em reportagem sobre a aproximação entre Netanyahu e o candidato brasileiro durante a disputa presidencial de 2026.
Durante a ligação, Netanyahu parabenizou Flávio pelo resultado obtido no primeiro turno das eleições presidenciais e pelo desempenho de seu partido no Parlamento. Segundo comunicado do gabinete israelense, o premiê manifestou interesse em fortalecer os laços entre os dois países e convidou o senador a visitar Israel. Flávio, por sua vez, retribuiu o convite e chamou Netanyahu para uma visita ao Brasil.
Eduardo Bolsonaro, irmão do senador e ex-deputado federal, também participou da conversa, conforme informou o governo israelense. Em comunicado, o gabinete do primeiro-ministro afirmou que os dois lados pretendem renovar a amizade entre Brasil e Israel. A nota relacionou a iniciativa à transformação das relações de Israel com países da América do Sul e ao fortalecimento dos contatos com lideranças da região.
Netanyahu busca aproximação com candidato brasileiro
O convite ocorreu durante a campanha para o segundo turno das eleições presidenciais brasileiras, marcado para 25 de outubro de 2026. Flávio Bolsonaro disputa a Presidência com o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em uma eleição que também envolve diferenças sobre a condução da política externa brasileira. A manifestação de Netanyahu representa um sinal público de aproximação com o candidato do PL antes da definição do próximo governo.
O primeiro-ministro israelense já havia demonstrado apoio a Flávio após o resultado do primeiro turno, quando publicou uma mensagem de congratulações nas redes sociais. Na ocasião, Netanyahu declarou estar ansioso para restaurar a amizade entre Israel e Brasil e desejou uma vitória ao senador. O novo contato telefônico reforçou a disposição do governo israelense de manter diálogo com o candidato durante a campanha.
Flávio também sinalizou interesse em aproximar o Brasil de Israel caso seja eleito presidente. O senador afirmou que pretende visitar o país no início de um eventual mandato, indicando que a relação bilateral deverá ocupar espaço em sua agenda internacional. A troca de convites, entretanto, não significa que uma visita oficial já tenha data definida, nem representa um acordo diplomático formal entre os dois governos.
Relação entre Lula e Netanyahu enfrenta desgaste
A aproximação com Flávio ocorre em meio ao desgaste nas relações entre Netanyahu e o governo Lula. A crise se intensificou em fevereiro de 2024, quando o presidente brasileiro comparou a ofensiva militar israelense na Faixa de Gaza ao Holocausto, provocando uma reação contundente do governo de Israel. Netanyahu classificou as declarações como graves e acusou Lula de banalizar o Holocausto e desconsiderar o direito de Israel de se defender.
Após a troca de declarações, Israel declarou Lula persona non grata enquanto ele não se retratasse, e o governo brasileiro chamou de volta seu embaixador em Tel Aviv. Desde então, Lula manteve críticas à condução da guerra em Gaza e passou a acusar Israel de cometer genocídio contra os palestinos. O governo israelense rejeita esse tipo de acusação, e a crise diplomática contribuiu para afastar os dois líderes.
A ausência de diálogo direto entre Lula e Netanyahu desde o agravamento da crise contrasta com a aproximação demonstrada pelo premiê em relação à família Bolsonaro. Durante o governo de Jair Bolsonaro, as relações entre Brasília e Jerusalém tiveram maior proximidade política, e Netanyahu participou da posse presidencial do brasileiro em 2019. O contato com Flávio indica que o primeiro-ministro israelense considera a eleição brasileira relevante para o futuro das relações bilaterais.
Convite ocorre antes de eleições decisivas nos dois países
O calendário eleitoral amplia a importância política da conversa entre Netanyahu e Flávio Bolsonaro. O segundo turno brasileiro está previsto para 25 de outubro, enquanto as eleições gerais israelenses estão marcadas para dois dias depois, em 27 de outubro. Dessa maneira, o convite foi feito em um período de decisões políticas importantes tanto para o Brasil quanto para Israel.
A eventual eleição de Flávio poderá abrir espaço para mudanças na orientação diplomática brasileira em relação ao governo israelense, embora qualquer alteração dependa das decisões de um futuro governo. O senador já manifestou intenção de estreitar os vínculos com Israel, enquanto Lula mantém uma postura crítica à atuação militar israelense em Gaza. As diferenças entre os candidatos indicam que a relação bilateral continuará sendo um tema de debate durante a campanha.
Por enquanto, o principal resultado concreto da conversa foi o convite mútuo para visitas, acompanhado da declaração do gabinete de Netanyahu sobre o interesse em renovar a amizade entre os países. Não houve anúncio de data para a viagem de Flávio a Israel nem confirmação de uma visita do primeiro-ministro ao Brasil. A evolução dessa aproximação dependerá dos próximos contatos diplomáticos e, especialmente, do resultado das eleições presidenciais brasileiras.





