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Cleitinho Azevedo, governador eleito de Minas Gerais, está disposto a discutir a dívida do estado com o novo presidente

O governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos), afirmou que pretende procurar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) caso o petista seja reeleito no segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro. Em entrevista à CNN Brasil, o senador declarou que pedirá uma reunião com Lula para discutir a dívida do estado com a União e buscar alternativas para renegociar o débito. A declaração chama a atenção porque Cleitinho apoia Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial, mas afirmou que pretende negociar com o governo federal independentemente do resultado das urnas.

Durante a entrevista, Cleitinho explicou que espera a vitória de Flávio Bolsonaro, a quem declarou apoio na campanha, mas ressaltou que procurará Lula se o resultado eleitoral confirmar a reeleição do atual presidente. Segundo o governador eleito, o objetivo será discutir medidas que reduzam o peso da dívida sobre as contas estaduais e permitam ampliar os investimentos em Minas Gerais. A manifestação foi apresentada como parte da estratégia que ele pretende adotar para tratar de um dos principais desafios financeiros da futura administração mineira.

Cleitinho também afirmou que a dívida estadual limita a capacidade do governo de direcionar recursos para áreas como infraestrutura e políticas públicas. Na avaliação apresentada por ele, a negociação com a União deve ser conduzida por meio do diálogo institucional, independentemente das diferenças partidárias entre os governantes. O posicionamento indica que, apesar do apoio eleitoral a Flávio Bolsonaro, o governador eleito pretende manter interlocução com Lula caso o petista permaneça na Presidência.

Cleitinho afirma que Flávio Bolsonaro assumiu compromisso com Minas

Ao explicar seu apoio a Flávio Bolsonaro, Cleitinho disse que o candidato do PL se comprometeu a renegociar a dívida de Minas Gerais caso seja eleito presidente. Segundo o senador, a conversa incluiu a possibilidade de rever as condições de pagamento e permitir que parte dos valores destinados à União seja revertida em investimentos no próprio estado. Cleitinho também afirmou que a decisão de apoiar Flávio já estava tomada antes da conversa sobre a dívida, embora tenha pedido atenção especial ao problema financeiro mineiro.

O governador eleito declarou que espera que Flávio cumpra o compromisso caso vença o segundo turno. A proposta apresentada por Cleitinho inclui discutir mecanismos para direcionar recursos a obras de infraestrutura e ações de segurança pública, áreas que, segundo ele, precisam de investimentos. Até que haja uma decisão formal do governo federal, porém, as medidas mencionadas permanecem como compromissos políticos relatados pelo senador, e não como mudanças já implementadas nas condições da dívida.

Questionado sobre a possibilidade de procurar Lula, Cleitinho respondeu que faria isso caso o resultado eleitoral favoreça o atual presidente. Ele afirmou que pretende pedir uma reunião para apresentar as demandas de Minas e discutir alternativas para reduzir o impacto dos pagamentos sobre o orçamento estadual. A declaração também demonstra que a negociação da dívida é tratada por Cleitinho como uma questão administrativa que deverá ser discutida com quem ocupar a Presidência da República.

Propag e o veto presidencial estão no centro da discussão

Um dos pontos mencionados por Cleitinho foi o Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados, conhecido como Propag, criado para permitir a renegociação dos débitos estaduais com a União. O programa foi instituído pela Lei Complementar nº 212, sancionada por Lula em janeiro de 2025, e estabeleceu mecanismos para que os estados reorganizassem suas obrigações financeiras. Entretanto, trechos do projeto aprovado pelo Congresso foram vetados, incluindo uma previsão que permitiria abater parte da dívida por meio da execução de despesas de responsabilidade federal, como determinadas obras.

Cleitinho afirmou que pretende discutir com Lula a possibilidade de rever o veto relacionado a esse mecanismo. Na entrevista, argumentou que investimentos em rodovias federais e outras estruturas localizadas em Minas poderiam fazer parte das negociações sobre o débito estadual. A proposta exige avaliação política e jurídica, pois uma eventual mudança dependeria dos procedimentos institucionais aplicáveis e da definição das condições aceitas pela União.

Minas Gerais formalizou sua adesão ao Propag em 31 de dezembro de 2025. Conforme os dados publicados pelo Estado de Minas, o saldo devedor informado pelo estado era de R$ 179,3 bilhões, com refinanciamento previsto em 360 meses, correção pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e juros reais de 0% ao ano. Para amortizar parte da dívida, Minas ofereceu ativos avaliados em R$ 35,8 bilhões, enquanto a União ficou responsável por avaliar quais deles poderiam ser federalizados.

Dívida estadual será uma das questões da próxima gestão

A renegociação da dívida com a União representa um dos temas que Cleitinho deverá enfrentar ao assumir o governo mineiro, em janeiro de 2027. O volume do débito e as condições de pagamento influenciam o planejamento das contas públicas e a capacidade de financiar investimentos estaduais. Por isso, a futura administração precisará acompanhar as regras do Propag, as obrigações assumidas e as possibilidades de negociação com o governo federal.

Cleitinho também criticou a falta de diálogo entre administrações estaduais e o governo federal, afirmando que divergências políticas não deveriam impedir negociações sobre assuntos de interesse público. Para ilustrar seu argumento, comparou a situação a uma dívida entre pessoas, defendendo que conversar sobre juros e condições de pagamento pode ser mais produtivo do que manter conflitos. Ele declarou que pretende priorizar os interesses da população mineira nas tratativas com Brasília.

A declaração de Cleitinho estabelece um cenário possível para a relação entre o governo mineiro e a Presidência da República após o segundo turno. Se Lula for reeleito, o governador eleito afirma que solicitará uma reunião para tratar da dívida, mesmo tendo apoiado Flávio Bolsonaro durante a campanha. Caso Flávio vença, Cleitinho espera que o candidato cumpra o compromisso de renegociação que, segundo ele, foi assumido durante as conversas entre os dois políticos.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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