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A padroeira do Brasil acabou se tornando o grande destaque nestas eleições com polêmicas na web

Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), candidatos que disputam o segundo turno das eleições presidenciais de 2026, ainda não confirmaram se estarão no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida nesta segunda-feira, 12 de outubro, data dedicada à Padroeira do Brasil. A possibilidade de uma visita dos dois políticos ganhou relevância porque a celebração católica ocorre durante a campanha eleitoral, em um momento no qual a disputa pelo voto religioso passou a ocupar espaço nos discursos e nas estratégias dos candidatos. Segundo reportagem do G1, nenhum dos dois esteve em uma agenda pública no templo ao longo deste ano, apesar de ambos terem feito referências à religião durante a campanha.

A situação chama atenção pelas diferenças entre as trajetórias religiosas declaradas pelos candidatos e pela maneira como Nossa Senhora Aparecida apareceu nos atos eleitorais recentes. Lula se declara católico, enquanto Flávio Bolsonaro se identifica como evangélico, embora tenha participado de manifestações públicas envolvendo a imagem da santa. No dia 28 de setembro, o senador ergueu uma imagem de Nossa Senhora Aparecida durante um ato de campanha em São Paulo, acompanhado do governador paulista Tarcísio de Freitas (Republicanos).

A presença ou a ausência dos dois candidatos no santuário poderá ser observada em meio à mobilização de milhares de fiéis que tradicionalmente visitam Aparecida no feriado nacional. A celebração de 12 de outubro é uma das principais datas do calendário católico brasileiro e reúne romeiros de diversas regiões do país para missas, orações e homenagens à Padroeira. Neste ano, a proximidade com o segundo turno acrescentou um componente político à data, mas a Igreja tem defendido que as celebrações permaneçam centradas na fé e na devoção dos peregrinos.

Lula e Flávio disputam atenção do eleitorado católico

A declaração de Lula de que é católico faz parte do contexto em que a campanha petista passou a mencionar Nossa Senhora Aparecida em manifestações públicas. O presidente já utilizou imagens religiosas em atos eleitorais e afirmou que a santa continuará sendo a Padroeira do Brasil, após a circulação de informações falsas que atribuíram a Flávio a intenção de retirar esse título. O senador negou essa intenção e contestou a divulgação das acusações, que reacenderam uma controvérsia sobre religião e política durante a campanha.

Flávio, por sua vez, declarou-se evangélico e tem participado de eventos ligados a lideranças e comunidades dessa tradição religiosa. Ainda assim, sua aparição com uma imagem de Nossa Senhora Aparecida em São Paulo foi interpretada dentro do contexto da disputa pelo eleitorado católico, que representa uma parcela expressiva da população brasileira. A imagem da santa passou a ocupar espaço no debate eleitoral, com manifestações dos dois lados e discussões nas redes sociais sobre o uso de símbolos religiosos em campanhas políticas.

O episódio também trouxe de volta a discussão sobre a relação entre a fé pessoal dos candidatos e a utilização de referências religiosas em atos públicos. A declaração de uma crença não significa, por si só, que todos os fiéis dessa religião apoiem determinado político, assim como a presença de uma imagem religiosa em um comício não comprova a adesão de uma comunidade religiosa a uma candidatura. O eleitorado católico é diverso, e suas escolhas também envolvem fatores sociais, econômicos, regionais e políticos, além das convicções religiosas.

Santuário de Aparecida entra no centro da discussão eleitoral

A reportagem do G1 destaca que a Basílica de Aparecida já esteve relacionada a debates e visitas de candidatos em outras eleições presidenciais. O local é um dos principais espaços de peregrinação católica do país e tem grande visibilidade nacional, sobretudo no feriado de 12 de outubro. Por essa razão, uma eventual visita de candidatos à Presidência poderia atrair atenção política, embora a participação em uma celebração religiosa não represente necessariamente apoio institucional da Igreja a qualquer candidatura.

Na campanha de 2026, o candidato Renan Santos, do partido Missão, esteve no santuário em 22 de setembro, de acordo com a reportagem. Lula e Flávio, por outro lado, não realizaram agendas públicas no templo ao longo do ano e ainda não haviam confirmado presença nas celebrações do Dia da Padroeira até a publicação da notícia. A ausência de confirmação ocorre em meio à repercussão das referências a Nossa Senhora Aparecida feitas por ambos durante a disputa presidencial.

A Igreja Católica tem procurado evitar que a festa seja transformada em espaço de confronto partidário. O arcebispo de Aparecida, dom Mário Antônio da Silva, pediu que os peregrinos não compareçam ao santuário para alimentar divisões ou animosidades, mas para renovar a fé e fortalecer a esperança. A orientação reforça que o templo deve acolher pessoas com diferentes posições políticas e que a celebração religiosa não deve ser conduzida por disputas eleitorais.

Dia da Padroeira ocorre a duas semanas do segundo turno

O feriado de Nossa Senhora Aparecida será celebrado em um período decisivo da campanha, com Lula e Flávio buscando ampliar o apoio eleitoral antes da votação de 25 de outubro. A expectativa sobre uma possível visita ao santuário passou a integrar a cobertura política justamente porque o tema religioso ganhou visibilidade após a controvérsia envolvendo o título de Padroeira do Brasil. Até a confirmação de uma agenda oficial, entretanto, não é possível afirmar que qualquer um dos dois candidatos participará presencialmente das celebrações.

A festa de 12 de outubro continuará reunindo fiéis em Aparecida, independentemente da presença dos candidatos presidenciais. Para muitos peregrinos, a data representa uma oportunidade de agradecer por graças alcançadas, cumprir promessas e pedir proteção à santa, enquanto a campanha eleitoral segue seu curso fora do caráter religioso da celebração. A eventual decisão de Lula e Flávio de visitar ou não o santuário deverá ser acompanhada em meio ao debate sobre a relação entre religião, símbolos nacionais e disputa política no Brasil.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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