Parlamentares de partidos da base governista querem a saída de Alexandre de Moraes

Senadores da base de Lula se juntaram a parlamentares da oposição em um novo pedido de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A representação foi protocolada no Senado pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE) e reuniu 20 assinaturas, ampliando o alcance político da iniciativa contra o magistrado. Entre os apoiadores estão Jorge Kajuru (PSB-GO) e Leila Barros (PDT-DF), integrantes de partidos que fazem parte da base de sustentação do governo Luiz Inácio Lula da Silva.
O pedido foi apresentado nesta sexta-feira (4) e ganhou destaque porque passou a reunir parlamentares de diferentes campos políticos em torno das acusações relacionadas ao caso Banco Master. A representação aponta uma suposta prática de crime de responsabilidade e solicita que sejam investigados possíveis conflitos de interesses envolvendo Moraes, sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, e o banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo o documento, um contrato firmado em janeiro de 2024 entre o escritório da advogada e o Banco Master previa pagamentos de R$ 3 milhões líquidos por mês durante 36 meses, com valor bruto superior a R$ 131 milhões.
A movimentação ocorre em meio ao aumento da tensão entre integrantes do STF e ao debate político provocado pelas informações relacionadas à investigação do Banco Master. O documento também menciona registros de metadados que, segundo os autores, indicariam que Moraes teria acessado versões do contrato antes de sua assinatura, além de mensagens e outros registros encontrados no telefone de Vorcaro. Entretanto, as alegações apresentadas no pedido representam argumentos dos autores da denúncia e ainda precisam ser analisadas pelas instâncias competentes.
Senadores da base de Lula ampliam pressão contra Moraes
A participação de senadores ligados à base governista modificou o cenário político em torno do novo pedido de impeachment. Tradicionalmente, iniciativas desse tipo contra Moraes têm sido impulsionadas principalmente por parlamentares da oposição, mas a presença de Jorge Kajuru e Leila Barros mostrou que a insatisfação com o episódio não ficou restrita a um único grupo político. PSB e PDT integram a base de sustentação do governo Lula no Congresso Nacional.
A lista de signatários também incluiu nomes conhecidos da oposição e de partidos de diferentes correntes, como Hamilton Mourão, Damares Alves, Tereza Cristina, Carlos Portinho, Marcos Pontes e Wilder Morais. Dessa maneira, o documento adquiriu uma composição política mais ampla, reunindo parlamentares que normalmente ocupam posições distintas em relação ao governo federal. O senador Alessandro Vieira, responsável pelo protocolo, classificou a iniciativa como um pedido que deveria ser tratado de maneira técnica, apesar das dificuldades políticas para que avance.
O novo movimento também ocorreu poucos dias depois de outro pedido de impeachment apresentado pelo senador Carlos Viana (PSD-MG), que havia denunciado suposto crime de responsabilidade contra Moraes. Na ocasião, o parlamentar afirmou que as informações tornadas públicas após a retirada do sigilo de um relatório da Polícia Federal ampliaram as dúvidas sobre a relação entre o ministro e Daniel Vorcaro. O Senado é a Casa responsável por analisar pedidos dessa natureza contra ministros do Supremo, mas o andamento depende de uma decisão do presidente da instituição.
Pedido de impeachment cita caso Banco Master
O caso Banco Master ocupa posição central na nova representação apresentada ao Senado porque os autores afirmam existir elementos que justificariam uma apuração sobre possíveis conflitos de interesses. O documento menciona a relação profissional entre o escritório de Viviane Barci de Moraes e Daniel Vorcaro, além de informações extraídas de registros e mensagens que passaram a fazer parte do debate político. Segundo os senadores, esses elementos deveriam ser avaliados formalmente para verificar se houve alguma conduta incompatível com as atribuições de um ministro do STF.
A discussão ganhou intensidade depois que o ministro André Mendonça tornou público um relatório da Polícia Federal relacionado à investigação sobre o Banco Master. O material continha informações sobre contatos e relações envolvendo diferentes autoridades e personagens ligados ao caso, provocando uma nova onda de cobranças no Congresso Nacional. Paralelamente, Moraes passou a questionar a atuação de Mendonça, enquanto o presidente do STF, Edson Fachin, determinou que um pedido de investigação contra o colega tramitasse separadamente.
Nesse ambiente de crescente tensão, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, passou a ocupar uma posição central para o futuro dos pedidos apresentados contra Moraes. O presidente da Casa é quem pode dar andamento às representações de impeachment, e parlamentares favoráveis à abertura do processo têm cobrado uma definição sobre o assunto. Ao mesmo tempo, Alcolumbre sinalizou a colegas que um eventual avanço contra Moraes poderia ser acompanhado por uma iniciativa semelhante contra André Mendonça, movimento descrito nos bastidores como uma espécie de “impeachment cruzado”.
O que acontece agora com o pedido contra Moraes
Apesar do número de assinaturas e da presença de parlamentares da base de Lula, o protocolo da denúncia não significa que Alexandre de Moraes tenha sido afastado ou que um processo de impeachment tenha sido automaticamente aberto. A representação ainda depende de uma decisão política e institucional dentro do Senado para avançar, justamente em um momento de forte disputa entre diferentes grupos do Congresso. Por isso, a apresentação do documento representa uma nova etapa da pressão política, mas não determina o resultado de um eventual processo.
A entrada de senadores ligados ao governo Lula também aumenta a dimensão política do episódio, pois demonstra que a discussão sobre Moraes ultrapassou as fronteiras tradicionais da oposição. O caso Banco Master passou a ocupar um espaço importante nos debates do Senado, enquanto novas informações sobre as relações entre autoridades, empresários e integrantes do Judiciário continuam sendo analisadas. Agora, a decisão de Davi Alcolumbre será determinante para definir se o novo pedido permanecerá apenas como instrumento de pressão política ou poderá avançar formalmente dentro do Senado.





