A avenida Paulista deverá tomar tomada neste domingo (11), por uma multidão que apoia um candidato à presidência

Grupos de fãs conhecidos como fandoms convocaram uma manifestação em apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para este domingo, 11 de outubro, em frente ao Museu de Arte de São Paulo (MASP), na Avenida Paulista. A mobilização está marcada para começar às 11h, com previsão de saída às 13h, e reúne perfis dedicados a artistas brasileiros e estrangeiros. A iniciativa ocorre durante a campanha do segundo turno das eleições presidenciais de 2026, quando Lula disputa a Presidência da República com Flávio Bolsonaro (PL).
O termo fandom é utilizado para definir uma comunidade de admiradores de determinado artista, banda, personalidade, obra ou outro interesse compartilhado, que se organiza para acompanhar e divulgar conteúdos relacionados ao objeto de sua admiração. Esses grupos podem funcionar como espaços de convivência, nos quais os participantes trocam informações, comentam acontecimentos e desenvolvem vínculos com outras pessoas que compartilham os mesmos gostos. A atuação dos fandoms, porém, não se limita ao entretenimento, pois algumas comunidades também promovem campanhas sociais, ações solidárias e mobilizações relacionadas a assuntos públicos.
A organização dos fãs apresenta semelhanças com a dinâmica das torcidas de futebol, já que os integrantes acompanham seus ídolos, celebram conquistas, defendem suas trajetórias e participam de debates sobre suas atividades. Nas redes sociais, essas comunidades costumam manter páginas próprias, compartilhar publicações e organizar iniciativas coletivas para ampliar a visibilidade dos artistas que acompanham. A mobilização política anunciada para a Avenida Paulista chama atenção justamente por aproximar grupos que normalmente concentram suas atividades no universo da música e do entretenimento.
Como os fandoms se organizam nas redes sociais
As plataformas digitais são fundamentais para a formação e o crescimento dos fandoms, especialmente o X, antigo Twitter, onde páginas de fãs divulgam informações e promovem discussões sobre artistas e acontecimentos relacionados a eles. A partir desses perfis, os administradores conseguem reunir seguidores com interesses semelhantes e coordenar publicações que alcançam diferentes comunidades virtuais. Essa estrutura também permite organizar campanhas simultâneas, compartilhar mensagens padronizadas e convocar participantes para atividades que ultrapassam o ambiente digital.
Um exemplo de mobilização social envolvendo fãs ocorreu em novembro de 2023, após a morte de Ana Benevides durante um show de Taylor Swift no Rio de Janeiro, em meio a condições de calor extremo. Dois dias depois do episódio, o perfil Update Swift Brasil divulgou uma campanha para defender a criação de uma lei que garantisse o fornecimento gratuito de água em eventos culturais. A iniciativa passou a associar a mobilização de admiradores da cantora a uma reivindicação relacionada à segurança do público em grandes apresentações.
Em setembro de 2026, a legislação conhecida como Lei Ana Benevides foi sancionada após a tramitação da proposta no Congresso e a adoção de medidas temporárias sobre o fornecimento de água em eventos. Durante a cerimônia no Palácio do Planalto, Lula recebeu representantes de diferentes fandoms, aproximando o governo federal de comunidades organizadas em torno de artistas. Esse episódio é apontado como um dos fatores que ajudam a explicar a participação de grupos de fãs na campanha de apoio à reeleição do presidente, embora não seja a única razão para a mobilização.
A união de grupos de fãs em torno de uma causa política
Apesar da capacidade de organização coletiva, os fandoms também são conhecidos por rivalidades entre comunidades que acompanham artistas diferentes, com disputas frequentes nas redes sociais sobre popularidade, desempenho e reconhecimento. Em alguns casos, essas divergências envolvem grupos que defendem cantores do mesmo gênero musical ou artistas que concorrem pela atenção do público. A articulação em torno de uma pauta política representa, portanto, uma aproximação entre comunidades que nem sempre atuam conjuntamente em suas atividades habituais.
Entre os perfis de fãs citados na mobilização em apoio a Lula estão páginas relacionadas a Taylor Swift, Billie Eilish, Ariana Grande, Dua Lipa, Justin Bieber e BLACKPINK. A lista também inclui comunidades dedicadas a Anitta, Katy Perry, Miley Cyrus, Bad Bunny, Kendrick Lamar, The Weeknd, Harry Styles, Shawn Mendes, Cardi B e Luísa Sonza. Essas contas passaram a compartilhar mensagens favoráveis à reeleição do presidente e divulgar a convocação para a manifestação prevista para a Avenida Paulista.
Segundo a reportagem do Metrópoles, os perfis participantes divulgaram um manifesto com argumentos relacionados à participação eleitoral e à defesa da democracia brasileira. O texto compartilhado pelos grupos destacou que mais de 33 milhões de eleitores não compareceram às urnas no primeiro turno, enquanto outros mais de 6 milhões votaram em branco ou anularam o voto. A mensagem sustenta que a disputa ainda não terminou e apresenta a mobilização como uma forma de manter o debate público ativo até a votação decisiva.
Objetivos da manifestação e o segundo turno das eleições
Os organizadores afirmam que pretendem alcançar eleitores indecisos, incentivar a participação daqueles que não votaram no primeiro turno e manter mobilizados os apoiadores que já escolheram um candidato. A estratégia combina publicações nas redes sociais com a convocação presencial para o ato no MASP, buscando ampliar o alcance das mensagens divulgadas pelos fandoms. Os perfis também declararam disponibilidade para colaborar com a página oficial de Lula e sua equipe na divulgação de informações de interesse público e conteúdos relacionados à campanha.
A manifestação foi convocada para 11 de outubro, na Avenida Paulista, em São Paulo, com concentração em frente ao Museu de Arte de São Paulo às 11h e saída prevista para as 13h. O ato ocorre no período de campanha que antecede o segundo turno presidencial, marcado para 25 de outubro, quando Lula enfrentará Flávio Bolsonaro. A iniciativa mostra como comunidades originalmente ligadas à cultura pop e ao entretenimento passaram a utilizar suas redes de contato para participar de uma mobilização eleitoral, combinando atividades digitais com uma convocação nas ruas.





