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De acordo co mo MPSP, o PCC colocou representantes da facção no comando de várias empresas de ônibus

O Ministério Público de São Paulo afirma que o Primeiro Comando da Capital, o PCC, teria colocado laranjas ou representantes da facção no comando de mais da metade das empresas de transporte coletivo da capital. Segundo a investigação, 12 das 22 empresas que operam no sistema de transporte público de São Paulo seriam, em tese, controladas pela organização criminosa. As informações constam da decisão judicial que autorizou os mandados da Operação Vectura Corrupta, deflagrada nesta quinta-feira (17).

De acordo com o Ministério Público, os representantes colocados nas empresas receberiam ordens de pessoas apontadas como “patrões” pelo grupo investigado. Essas determinações estariam relacionadas à realização de negócios ilícitos que utilizariam as companhias de transporte como fachada. A investigação também aponta que a venda de ônibus teria sido utilizada para movimentar recursos atribuídos ao crime organizado.

O esquema investigado teria uma divisão de tarefas entre diferentes integrantes e intermediários. Segundo o MP, comissões seriam recebidas para ocultar ou disfarçar outros negócios atribuídos ao PCC por meio das empresas de ônibus. As autoridades afirmam ter analisado diálogos extraídos de aparelhos eletrônicos, documentos, informações financeiras e outros elementos reunidos durante a investigação.

Investigação aponta controle sobre empresas de ônibus

A decisão judicial cita sete empresas nominalmente como relacionadas ao esquema investigado pelo Ministério Público. São elas A2 Transportes, Translider, Transbellaflor, Otratur, ABC Plus Transportes, antiga Translog, Transwolff e Viação Bom Jesus. As empresas foram procuradas pela reportagem do UOL para apresentar suas manifestações sobre as suspeitas.

Entre os investigados está Levi de Oliveira, que presidiu a SPTrans até 2025. Segundo a apuração, ele teria se encontrado com um intermediário apontado como ligado ao PCC para tratar de interesses da facção relacionados às empresas de transporte. Oliveira foi alvo de um mandado de prisão durante a Operação Vectura Corrupta.

Outro nome citado na investigação é o do ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite. Segundo o documento judicial, ele seria apontado pelos investigadores como “dono de fato” da Transwolff, enquanto Leite nega envolvimento com as acusações e informou que pretendia se apresentar às autoridades em até 24 horas. A empresa já havia sido alvo de outras medidas e sanções relacionadas às investigações sobre sua atuação.

Operação Vectura Corrupta prende investigados

A Operação Vectura Corrupta foi deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo e pela Polícia Civil após decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo. Foram expedidos 13 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão em diferentes municípios, incluindo São Paulo, Santana de Parnaíba, São Bernardo do Campo, Diadema, Santos, Praia Grande e Cubatão. Segundo a reportagem do UOL, nove suspeitos haviam sido presos até a publicação da atualização.

Entre os alvos dos mandados de prisão temporária estão Milton Leite, Levi de Oliveira e o candidato a deputado estadual Danilo Morgado, do PL. Também foram incluídos na investigação supostos intermediários de interesses do PCC e dois advogados. Um deles, segundo os investigadores, teria utilizado seu escritório para reuniões de integrantes da organização criminosa, enquanto o outro seria responsável pela captação de empresas para o grupo.

A investigação afirma ter identificado vínculos entre os alvos e pessoas apontadas como integrantes ou colaboradoras do PCC. Para chegar às conclusões apresentadas na operação, policiais e promotores analisaram mensagens, documentos, informações financeiras e outros elementos obtidos durante as apurações. As acusações ainda estão no âmbito da investigação e deverão ser submetidas às etapas judiciais correspondentes.

PCC também é investigado por financiamento eleitoral

Além das empresas de transporte, o Ministério Público investiga uma possível utilização de recursos do esquema para financiar campanhas eleitorais. Segundo a apuração, o dinheiro atribuído à organização criminosa teria sido utilizado, entre outras finalidades, para financiar a campanha de Danilo Marco Morgado Silva à Prefeitura de Praia Grande em 2020. Morgado está entre os alvos presos na operação desta quinta-feira.

A investigação procura esclarecer como os recursos teriam circulado entre empresas, intermediários e pessoas ligadas às campanhas eleitorais. O Ministério Público também analisa possíveis relações entre integrantes do grupo investigado e agentes políticos, além da movimentação financeira envolvendo as empresas de transporte. Até o momento, essas informações correspondem às hipóteses e suspeitas apresentadas pelos investigadores, e não a uma condenação definitiva.

Com a Operação Vectura Corrupta, documentos, mensagens e informações financeiras deverão continuar sendo analisados pelas autoridades para esclarecer a estrutura investigada. O caso envolve suspeitas sobre o controle de empresas de ônibus, movimentação de recursos e possíveis relações com campanhas eleitorais. As defesas dos investigados e as empresas citadas poderão apresentar suas manifestações ao longo do procedimento.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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