Após visitar o pai, Flávio Bolsonaro mudou a postura e declarou que votará pelo fim da escala 6×1

O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, garantiu a aliados e empresários que pretende defender mudanças na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) relacionada ao fim da escala de trabalho 6×1 caso seja eleito. A informação foi publicada pela coluna Painel, da Folha de S.Paulo, em reportagem divulgada na terça-feira, 13 de outubro de 2026. Embora tenha anunciado que votará a favor da proposta no Senado, Flávio sinalizou nos bastidores que pretende discutir alterações em partes do texto durante um eventual governo.
Segundo a publicação, a sinalização foi transmitida a aliados políticos e representantes do setor empresarial preocupados com o avanço da proposta no Congresso Nacional. A intenção atribuída ao candidato não seria abandonar a discussão sobre o fim da escala 6×1, mas modificar dispositivos para ampliar as possibilidades de negociação entre empregadores e trabalhadores. A movimentação ocorre durante o segundo turno das eleições presidenciais, quando a jornada de trabalho se tornou um dos temas presentes no debate entre as campanhas.
A mudança de posição de Flávio ganhou destaque porque o senador vinha criticando a proposta e defendendo outro modelo de organização do trabalho, baseado na remuneração por hora e em maior flexibilidade na definição das jornadas. Na terça-feira, ele declarou que votaria favoravelmente ao fim da escala 6×1, alterando o posicionamento que havia apresentado anteriormente. A discussão passou a envolver tanto o formato da jornada quanto os possíveis efeitos da mudança para trabalhadores, empresas e diferentes setores da economia.
O que Flávio pretende mudar na proposta da escala 6×1
De acordo com a coluna Painel, Flávio informou a pessoas próximas que, se chegar à Presidência, pretende defender a revisão de pontos da PEC apresentada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN). A proposta defendida por esse grupo prevê um modelo de organização do trabalho com maior flexibilidade, incluindo a possibilidade de negociação de jornadas entre patrões e empregados. Os detalhes das alterações pretendidas por Flávio, entretanto, não foram apresentados de forma completa na publicação.
A discussão sobre a escala 6×1 envolve trabalhadores que cumprem seis dias consecutivos de serviço e têm um dia de descanso semanal. A proposta em debate busca modificar essa organização, enquanto diferentes setores discutem a maneira de implementar mudanças na jornada e preservar as condições econômicas das empresas. Entre os pontos que podem gerar divergências estão a distribuição das horas trabalhadas, a negociação dos horários e os impactos sobre os custos de contratação.
A posição atribuída a Flávio indica que o candidato pretende apoiar o princípio da mudança, mas deseja manter espaço para discutir como as novas regras seriam aplicadas. Essa possibilidade de revisão interessa a empresários que defendem alternativas com maior autonomia para negociar escalas e jornadas de acordo com as características de cada atividade. A definição de eventuais alterações, porém, dependeria de debates políticos e da tramitação legislativa necessária para modificar o texto constitucional.
Empresários acompanham avanço da PEC no Congresso
A preocupação de representantes empresariais aparece em um momento de pressão para que o Senado avance na análise da proposta. Conforme noticiado pela Folha de S.Paulo, integrantes do setor privado demonstraram inquietação com a possibilidade de aprovação do texto sem mudanças que considerem necessárias para suas atividades. A discussão envolve setores com diferentes condições de funcionamento, como comércio, serviços e empresas que dependem de escalas distribuídas ao longo da semana.
Entidades empresariais têm argumentado que mudanças na jornada podem elevar custos operacionais e exigir adaptações nas equipes, especialmente em atividades que funcionam diariamente. Por outro lado, defensores do fim da escala 6×1 destacam a importância de ampliar o tempo de descanso dos trabalhadores e modificar uma rotina que pode limitar a convivência familiar e o tempo livre. Os efeitos concretos dependerão do conteúdo aprovado, das regras de transição e da maneira como cada setor organizará suas operações.
Nesse cenário, a garantia atribuída a Flávio de que defenderá uma revisão futura procura responder às preocupações de aliados e empresários sem retirar seu apoio declarado à votação da PEC. A posição também mantém em aberto o debate sobre a extensão das mudanças e sobre a participação de empregadores e trabalhadores nas negociações. Até que exista um texto definitivo, não é possível afirmar quais alterações seriam incorporadas nem como elas afetariam cada categoria profissional.
Escala 6×1 ganha espaço na disputa presidencial
A jornada de trabalho passou a ocupar lugar de destaque na campanha presidencial de 2026, com o governo de Luiz Inácio Lula da Silva defendendo o avanço da proposta e a oposição discutindo alternativas para sua implementação. A possibilidade de reduzir os dias trabalhados sem diminuir salários tornou-se um tema de interesse para trabalhadores e empresas, além de integrar a disputa política durante o segundo turno. A mudança de posição de Flávio sobre a votação colocou o candidato do PL diretamente no centro dessa discussão.
A proposta e suas possíveis alterações ainda dependem das decisões do Congresso Nacional, onde os parlamentares poderão debater o conteúdo e os efeitos das regras em análise. Caso Flávio seja eleito, a promessa de defender uma revisão acrescentará uma nova etapa à discussão, mas o resultado dependerá da articulação política e da aprovação das mudanças pelos procedimentos legislativos previstos. Até lá, o posicionamento divulgado pela Folha de S.Paulo representa uma sinalização sobre a atuação que o candidato pretende adotar, sem definir antecipadamente o formato final da legislação.





