Últimas Notícias

Presidente Lula fará um discurso na ONU e defenderá soberania, além de mandar um recado a Trump

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá utilizar o discurso de abertura da Assembleia Geral da ONU, nesta terça-feira (22), em Nova York, para reforçar temas que ganharam espaço em sua campanha à reeleição. A pouco mais de uma semana do primeiro turno, a fala deverá abordar soberania, não intervenção estrangeira, combate ao crime organizado e emergência climática. Segundo a avaliação de interlocutores da Presidência, a intenção também é enviar mensagens ao eleitorado brasileiro durante a reta final da disputa.

A soberania deverá ocupar uma posição central no pronunciamento do presidente brasileiro. Lula deve defender que cabe aos brasileiros decidir os rumos do país e escolher seus governantes, sem interferência de governos estrangeiros. O tema tem sido associado durante a campanha a questões como o processo eleitoral, as relações comerciais, os minerais estratégicos e o enfrentamento das organizações criminosas.

Entre as preocupações do governo está uma possível interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras em favor de Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência. A aproximação de Flávio e de aliados com integrantes do governo norte-americano aumentou, segundo a reportagem, a preocupação sobre possíveis manifestações ou medidas externas que possam repercutir na disputa. Lula deverá tratar do assunto de forma indireta, sem necessariamente transformar o discurso em um confronto direto com Washington.

Lula usará ONU para reforçar discurso sobre soberania

Além da soberania, Lula deverá abordar a emergência climática durante sua participação na Assembleia Geral das Nações Unidas. Outro tema previsto é a atuação brasileira contra organizações criminosas, especialmente diante da classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelos Estados Unidos. Nesse contexto, o presidente deverá defender a estratégia brasileira de combate à criminalidade e destacar a necessidade de cooperação internacional.

De acordo com a reportagem, Lula deverá argumentar que o enfrentamento ao crime organizado exige cooperação entre diferentes países, troca de informações e combate às fontes de financiamento das facções. Ao mesmo tempo, a posição a ser apresentada pelo presidente deverá destacar que decisões internas precisam permanecer sob responsabilidade das autoridades brasileiras. Dessa maneira, o governo pretende defender a cooperação internacional sem associá-la à possibilidade de interferência externa em assuntos nacionais.

O discurso está previsto para durar aproximadamente 20 minutos e poderá sofrer alterações até momentos antes de Lula subir à tribuna. Apesar das mensagens relacionadas ao governo norte-americano, a expectativa é que o presidente brasileiro evite citar Donald Trump diretamente durante o pronunciamento. A estratégia descrita por interlocutores é responder às pressões dos Estados Unidos sem ampliar o atrito entre os dois países durante a reta final da eleição.

Lula evita confronto direto com Trump na ONU

A possibilidade de um encontro informal entre Lula e Trump também era acompanhada antes da abertura da Assembleia Geral. Os dois presidentes tiveram um contato breve no ano anterior, em meio às discussões provocadas pelas tarifas norte-americanas sobre produtos brasileiros. Na ocasião, Trump afirmou que havia surgido uma “química” entre os dois líderes, segundo o relato recuperado pela reportagem.

Na segunda-feira (21), durante entrevista à jornalista Christiane Amanpour, da CNN Internacional, Lula afirmou que Trump havia sinalizado a interlocutores que não pretendia interferir nas eleições brasileiras. O presidente brasileiro disse considerar positivo que governos estrangeiros não participem das decisões eleitorais de outros países. Lula também afirmou que esse comportamento deveria ser esperado de qualquer presidente da República.

Na mesma entrevista, Lula declarou estar preocupado com uma possível atuação do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, na eleição brasileira. O presidente mencionou a proximidade de Rubio com integrantes do bolsonarismo e citou também a possibilidade de uso de inteligência artificial para interferir na disputa. Lula afirmou, entretanto, que os indícios mencionados ainda eram tratados como suspeitas.

Discurso de Lula ocorre na reta final da eleição

A participação de Lula na Assembleia Geral da ONU ocorre em um momento de forte atenção sobre a política externa brasileira e sua relação com os Estados Unidos. A defesa da soberania deverá conectar o discurso internacional do presidente aos temas que vêm sendo apresentados durante a campanha eleitoral. Ao mesmo tempo, a fala deverá buscar preservar a posição brasileira de defesa do diálogo e da cooperação internacional.

A expectativa é que Lula utilize os cerca de 20 minutos previstos para apresentar a posição do Brasil sobre soberania, clima, segurança e relações internacionais. O discurso também deverá ocorrer diante de um cenário no qual as relações com o governo Trump estão entre os assuntos acompanhados durante a campanha. Com isso, a fala na ONU deverá combinar a agenda diplomática do país com temas que têm sido discutidos no debate eleitoral brasileiro.

Mostrar mais

Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *