O presidente Lula errou ao dar algumas informações durante entrevista na Globo, na última quinta-feira (15)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cometeu imprecisões ao falar sobre a criação de empregos durante seus dois primeiros mandatos e exagerou ao afirmar que praticamente todos os partidos, com exceção do PL, participaram de seu governo. As declarações foram feitas durante a sabatina realizada pela TV Globo na quinta-feira, 15 de outubro de 2026, em entrevista conduzida pela jornalista Renata Lo Prete. A checagem publicada pelo UOL Confere apontou divergências entre as afirmações do presidente e os dados disponíveis sobre o mercado de trabalho e a composição ministerial de sua administração.
Ao recordar o período em que deixou a Presidência da República, em 2010, Lula afirmou que o Brasil havia criado 22 milhões de empregos ao longo de seus dois primeiros mandatos, entre 2003 e 2010. O presidente também mencionou o crescimento econômico de 7,5% registrado naquele ano e a posição do país como a sétima maior economia do mundo. Entretanto, embora os dois últimos dados citados estejam corretos, o número de empregos formais criados no período foi inferior ao apresentado durante a entrevista.
A checagem considerou os registros da Relação Anual de Informações Sociais, conhecida como Rais, que reúne informações sobre os vínculos formais de trabalho no Brasil. Segundo os números apresentados pelo levantamento, o país tinha aproximadamente 28,7 milhões de empregos formais em 2002, antes do primeiro mandato de Lula. Em 2010, quando o petista encerrou seu segundo mandato, o total havia chegado a 44,1 milhões, representando um aumento de 15,4 milhões de vínculos formais, e não de 22 milhões.
Lula erra dado de empregos ao recordar seus primeiros mandatos
A diferença entre os números citados por Lula e os registros oficiais foi um dos principais pontos da checagem sobre a entrevista na Globo. O presidente atribuiu aos seus dois primeiros governos a criação de 22 milhões de empregos em oito anos, mas os dados da Rais indicam um crescimento de aproximadamente 15,4 milhões de vínculos formais no mesmo intervalo. Dessa maneira, a afirmação foi classificada como exagerada pelo UOL Confere, embora a referência ao crescimento econômico de 2010 estivesse correta.
É importante distinguir a quantidade de empregos formais existentes em determinado ano do número de vagas criadas ao longo de um período. A comparação apresentada na checagem considera os estoques de vínculos formais registrados em 2002 e 2010, permitindo calcular a diferença entre os dois momentos. Com base nesses dados, o crescimento foi expressivo, mas não alcançou os 22 milhões mencionados pelo presidente durante a sabatina.
Na entrevista, Lula utilizou o desempenho econômico de 2010 para recordar os resultados de seus dois primeiros mandatos e estabelecer uma comparação com o cenário mais recente. O ano ficou marcado pela expansão de 7,5% do Produto Interno Bruto, indicador que mede o conjunto de bens e serviços produzidos no país. Contudo, o crescimento do PIB e a variação do emprego formal são indicadores diferentes, razão pela qual os números precisam ser apresentados separadamente para evitar interpretações incorretas.
Lula exagera ao dizer que quase todos os partidos participaram do governo
Outro ponto questionado durante a checagem foi a afirmação de Lula de que todos os partidos, com exceção do PL, participaram de seu governo e tiveram representantes no ministério. Ao citar as siglas, o presidente mencionou partidos como PP, União Brasil, PSD e MDB, que efetivamente tiveram participação na administração federal. Entretanto, a análise do UOL Confere identificou outras legendas com representação no Congresso Nacional que não ocuparam ministérios durante o governo petista.
Além do PL, partidos como PSDB, Novo, PRD, Podemos, Avante, Solidariedade e PV não chefiaram ministérios na atual gestão, conforme o levantamento citado na checagem. Isso significa que a afirmação de que apenas uma legenda ficou de fora do primeiro escalão não corresponde integralmente à composição ministerial do governo. Por esse motivo, a declaração foi classificada como exagerada, já que ampliou o alcance da participação partidária na administração federal.
A composição do governo Lula reuniu partidos de diferentes posições políticas, incluindo siglas tradicionalmente alinhadas à esquerda e legendas de centro e centro-direita. Além do PT, partidos como PSB, PDT, PSOL, PCdoB e Rede integraram a Esplanada dos Ministérios, enquanto MDB, PSD, União Brasil, PP e Republicanos também tiveram participação na administração. A presença dessas legendas, porém, não significa que todos os partidos com representantes no Congresso tenham ocupado cargos ministeriais.
Checagem destaca diferenças entre declarações e dados oficiais
As duas afirmações analisadas pelo UOL Confere tratam de aspectos distintos da atuação política de Lula: os resultados econômicos de seus primeiros mandatos e a composição partidária do governo atual. No caso do emprego, a diferença está no total de vínculos formais acumulados entre 2002 e 2010, que ficou abaixo dos 22 milhões mencionados pelo presidente. Na questão partidária, o problema foi afirmar que somente o PL ficou de fora do governo, desconsiderando outras siglas que não chefiaram ministérios.
A entrevista ocorreu durante a campanha presidencial de 2026, em um momento no qual Lula busca a reeleição e participa de conversas com veículos de comunicação sobre seu histórico político e as ações de sua administração. A checagem das declarações permite comparar os números apresentados pelo candidato com registros oficiais e informações sobre a distribuição de cargos no governo federal. Os dados reunidos pelo UOL Confere apontam, portanto, que Lula exagerou ao mencionar a quantidade de empregos formais criados em seus dois primeiros mandatos e ao descrever a participação dos partidos em seu governo.





