Presidente Lula apresentou uma proposta de tarifa zero no transporte público e explicou como esse projeto seria financiado

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou, na quinta-feira, 15 de outubro de 2026, que pretende enviar ao Congresso Nacional uma Proposta de Emenda à Constituição para garantir transporte público gratuito aos finais de semana. A iniciativa foi apresentada em um vídeo publicado nas redes sociais, a dez dias do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro. Segundo Lula, a medida pretende permitir que os brasileiros utilizem ônibus e outros meios de transporte coletivo sem pagar passagem aos sábados e domingos.
Durante o anúncio, o presidente relacionou a proposta à aprovação do fim da escala de trabalho 6×1 pelo Senado Federal, ocorrida na quarta-feira, 14 de outubro. Lula argumentou que os trabalhadores terão mais tempo para descansar, visitar familiares e aproveitar momentos de lazer, o que aumentaria a importância de garantir o deslocamento gratuito nos dias de folga. A proposta, entretanto, ainda depende de apresentação formal, discussão no Congresso e definição das regras necessárias para que a gratuidade possa ser implementada em diferentes cidades brasileiras.
Lula também afirmou que pretende utilizar recursos provenientes de emendas parlamentares para financiar a iniciativa, atribuindo aos deputados e senadores uma participação no custeio do transporte gratuito. Na gravação divulgada nas redes sociais, o presidente defendeu que essas verbas sejam utilizadas para oferecer um benefício direto à população que depende do transporte coletivo. Apesar do anúncio, ainda existem questões relacionadas ao custo total da medida, à distribuição dos recursos e à participação dos governos federal, estaduais e municipais na implementação da proposta.
Lula propõe passagem gratuita aos finais de semana
A proposta apresentada pelo presidente prevê o envio de uma PEC ao Congresso Nacional para estabelecer o passe livre nos finais de semana nas cidades brasileiras que contam com transporte coletivo. A iniciativa busca ampliar o acesso da população aos deslocamentos urbanos sem cobrança de tarifa, especialmente nos períodos destinados ao descanso e às atividades familiares. Para que a medida saia do papel, porém, será necessário definir como os sistemas de transporte serão financiados e quais condições deverão ser cumpridas pelas administrações responsáveis pelo serviço.
Segundo Lula, a utilização de emendas parlamentares seria uma das alternativas para custear a gratuidade, permitindo direcionar recursos públicos ao funcionamento dos sistemas de transporte. Essas emendas são instrumentos orçamentários por meio dos quais parlamentares indicam a destinação de parte dos recursos públicos para determinadas ações e projetos. A proposta apresentada pelo presidente, contudo, ainda precisa esclarecer como esse financiamento funcionaria na prática, considerando as diferenças entre os sistemas de transporte e as necessidades de cada município.
O anúncio foi feito em um momento decisivo da campanha eleitoral, quando Lula disputa o segundo turno da Presidência contra Flávio Bolsonaro, do PL. A promessa de transporte gratuito se soma a outras iniciativas divulgadas pelo presidente durante a reta final da disputa, incluindo medidas relacionadas aos microempreendedores individuais e à ampliação de programas educacionais. A proximidade entre o anúncio e a votação também colocou a proposta no centro do debate sobre as promessas de campanha e a viabilidade das medidas apresentadas aos eleitores.
Custo da tarifa zero e desafios para implementação
A tarifa zero no transporte público já vinha sendo discutida pelo governo federal e por integrantes da campanha de Lula antes do primeiro turno das eleições. A equipe chegou a avaliar a possibilidade de incluir a iniciativa no programa de governo, mas a proposta não foi apresentada naquele momento devido às dificuldades relacionadas ao financiamento e à complexidade de reorganizar o setor. Uma das alternativas discutidas era a criação de um modelo chamado de Sistema Único do Transporte Público, inspirado na ideia de estruturar novas fontes de financiamento para reduzir a dependência das tarifas pagas pelos passageiros.
Estudos preliminares realizados para avaliar a iniciativa apontaram que o custo fiscal de uma política nacional de tarifa zero poderia superar R$ 80 bilhões, dependendo do modelo adotado. A estimativa reforçou a necessidade de examinar diferentes possibilidades de financiamento antes de estabelecer a gratuidade em escala nacional, considerando o volume de passageiros e as características dos serviços municipais. Como a proposta anunciada em outubro prevê a gratuidade aos finais de semana, ainda será necessário determinar se o custo dessa versão será menor e quais recursos poderão ser destinados ao programa.
Outro desafio envolve a organização dos sistemas de transporte, que apresentam diferenças significativas entre as cidades brasileiras, tanto em relação à quantidade de passageiros quanto à estrutura de operação. A implementação da tarifa zero exigiria estabelecer regras para compensar as empresas responsáveis pelos serviços e garantir que a ausência de cobrança direta dos usuários não prejudique a manutenção da oferta de veículos. Além disso, a proposta precisará esclarecer como será feita a participação de cada esfera de governo e quais mecanismos permitirão acompanhar a aplicação dos recursos públicos.
Proposta de Lula depende de discussão no Congresso
A apresentação da PEC representa uma nova etapa na discussão sobre a gratuidade do transporte coletivo, mas não significa que as passagens serão imediatamente liberadas em todo o país. Uma Proposta de Emenda à Constituição precisa seguir os procedimentos legislativos previstos, com análise, votação e aprovação conforme as regras aplicáveis no Congresso Nacional. Por isso, a eventual implementação dependerá do andamento da tramitação e da definição das condições financeiras e operacionais para colocar a medida em prática.
A iniciativa também retoma um debate antigo sobre o financiamento do transporte público no Brasil, tradicionalmente sustentado em grande parte pelas tarifas pagas pelos passageiros e por subsídios concedidos pelo poder público. A mudança proposta por Lula pretende ampliar a participação de recursos públicos no custeio das viagens aos finais de semana, com a justificativa de facilitar o acesso ao lazer e à convivência familiar. Até que os detalhes sejam apresentados e discutidos pelos parlamentares, entretanto, permanecem em aberto o alcance definitivo da gratuidade, os custos envolvidos e o cronograma para uma possível adoção nacional.





