Moraes será relator de novo inquérito contra Flávio Bolsonaro no STF

A Polícia Federal encaminhou ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma nova investigação envolvendo o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O procedimento busca esclarecer suspeitas de lavagem de dinheiro ligadas à relação entre o parlamentar e o advogado Willer Tomaz. O caso foi distribuído à Corte há aproximadamente uma semana, e coube ao ministro Alexandre de Moraes a relatoria dos autos. Até o momento em que esta notícia é publicada, as defesas das pessoas citadas não se manifestaram oficialmente sobre o assunto.
Com o encaminhamento desta nova apuração, Flávio Bolsonaro passa a ser alvo de dois inquéritos simultâneos no Supremo Tribunal Federal. O primeiro deles já estava em andamento e trata de suspeitas relacionadas a um pedido de apoio financeiro feito ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para viabilizar a produção do documentário Dark Horse, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. Esse processo está sob a responsabilidade do ministro André Mendonça, que conduz os trabalhos de forma independente em relação ao novo caso.
A investigação entregue agora ao STF teve origem em procedimento que tramitava na primeira instância da Justiça Federal no Rio Grande do Sul, focado inicialmente em possíveis irregularidades envolvendo empresas de pagamentos digitais e o mercado de apostas esportivas. Durante o andamento das diligências naquele estado, os investigadores identificaram elementos que indicavam uma ligação entre o advogado Willer Tomaz e uma empresa autorizada a operar apostas esportivas no estado do Rio de Janeiro. A partir desse ponto, o escopo da apuração se ampliou.
O passo que levou o caso à mais alta corte do país foi a análise de dados extraídos de contas na nuvem vinculadas ao aparelho celular do advogado. Entre as informações encontradas, os investigadores destacaram a existência de registros que apontam contatos frequentes entre Willer Tomaz e Flávio Bolsonaro. Considerando que o senador goza de foro privilegiado — prerrogativa pela qual autoridades com mandato eletivo federal são investigadas e julgadas pelo Supremo —, a decisão foi de remeter os autos ao STF para que as apurações prossigam no foro competente.
O material reunido pela Polícia Federal é considerado amplo e detalhado. Segundo fontes que acompanham o caso, constam nos autos registros de encontros, eventos sociais e reuniões entre as pessoas mencionadas. Também foram localizadas informações que sugerem o pagamento de despesas de viagens e aquisição de documentos pessoais, dados esses que teriam sido encontrados no armazenamento em nuvem do advogado. Um ponto que merece atenção é a menção a uma conta bancária na qual Flávio Bolsonaro seria identificado como “usuário master”. Essa informação já havia sido noticiada pelo portal UOL na semana passada e foi negada pela defesa do senador à época.
Outro dado que chama atenção é o volume de recursos que teriam transitado por uma conta vinculada ao advogado Willer Tomaz. Os registros analisados indicam movimentação aproximada de R$ 130 milhões entre os meses de março e maio de 2025. É importante destacar que, para os próprios investigadores, ainda não é possível afirmar com clareza a origem exata nem a destinação final de todos esses valores. Esse aprofundamento será uma das prioridades da nova fase da investigação agora sob a condução do ministro Alexandre de Moraes.
Este não é o primeiro momento em que o nome do advogado aparece em investigações de grande porte. Em agosto deste ano, Willer Tomaz foi alvo de cumprimento de mandados de busca e apreensão durante a Operação Sem Desconto, realizada pela Polícia Federal. Naquela ocasião, as apurações estavam centradas em suspeitas de lavagem de dinheiro ligadas ao senador Weverton Rocha (PDT-MA), e Flávio Bolsonaro não era citado como investigado naquele procedimento.
Flávio Bolsonaro já se pronunciou publicamente sobre sua relação com Willer Tomaz em outras oportunidades. O senador classificou o advogado como um amigo pessoal de longa data e tem reiterado que não praticou qualquer conduta irregular ou crime. Ressaltou ainda que manter amizades não configura envolvimento em ilícitos e que está à disposição para prestar esclarecimentos às autoridades sempre que solicitado.
É fundamental que o leitor compreenda a diferença entre ser mencionado em uma investigação e ser considerado culpado de qualquer acusação. O inquérito em curso tem como objetivo aprofundar os esclarecimentos, verificar a veracidade das informações coletadas e determinar se houve ou não prática de alguma infração. Até que haja conclusão oficial e eventual denúncia confirmada pela Justiça, prevalece a presunção de inocência de todos os envolvidos. Acompanhe os desdobramentos deste caso pelos canais oficiais do Supremo Tribunal Federal e da Polícia Federal, sempre buscando informações em fontes confiáveis e verificadas.





