Apoiadores de Flávio Bolsonaro criticaram o presidente Lula após ele chamar o senador de ‘carioca malandro’

Apoiadores de Flávio fazem campanha “carioca não é malandro” nas redes sociais depois que Luiz Inácio Lula da Silva chamou o senador de “malandro carioca” durante o primeiro debate presidencial do segundo turno de 2026. A reação surgiu poucas horas após o confronto realizado pela Band, em São Paulo, quando a disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro foi marcada por acusações, provocações e ataques relacionados à atuação dos dois grupos políticos. Com isso, uma expressão utilizada durante uma discussão sobre gastos públicos acabou transformada em uma nova peça de mobilização eleitoral contra o candidato do PT.
A declaração de Lula ocorreu quando o presidente questionava Flávio sobre sua promessa de realizar um “tesouraço” nas despesas e na corrupção do governo federal. O senador respondeu mencionando supostos gastos de Lula e da primeira-dama Janja, além de citar a cifra de R$ 7 bilhões, valor que não foi acompanhado de comprovação apresentada durante o debate. Lula contestou a informação, disse que o adversário estaria mentindo e afirmou que Flávio tinha “a carinha do malandro carioca”, expressão que posteriormente passou a ser explorada por seus apoiadores.
A partir daí, a frase “carioca não é malandro” passou a circular como uma resposta política dos apoiadores de Flávio, que procuraram deslocar a discussão da acusação feita diretamente ao candidato para uma suposta ofensa aos moradores do Rio de Janeiro. O próprio Flávio adotou essa interpretação ao retomar o assunto no segundo bloco do debate e afirmar que Lula teria chamado os cariocas de malandros. Entretanto, conforme registrado pelo Poder360, a expressão foi dirigida especificamente a Flávio durante a troca de acusações, sem uma referência direta à população fluminense como um todo.
Apoiadores de Flávio fazem campanha “carioca não é malandro” nas redes
A mobilização começou imediatamente após o debate e utilizou imagens e mensagens compartilhadas por apoiadores do candidato do PL para contestar a declaração do presidente. A estratégia adotada foi transformar uma frase dirigida a Flávio em um argumento de defesa da identidade dos moradores do Rio de Janeiro, criando uma narrativa de que o Estado teria sido desrespeitado pelo candidato adversário. Dessa maneira, o episódio ganhou uma dimensão regional que não estava presente na formulação original utilizada por Lula.
A reação também pode ser compreendida pela importância eleitoral do Rio de Janeiro para a campanha de Flávio Bolsonaro, que é senador pelo Estado e possui forte identificação política com a região. Durante o debate, o próprio candidato destacou o resultado do primeiro turno e afirmou que a maioria dos eleitores fluminenses havia escolhido a mudança em vez da continuidade do governo petista. Assim, a campanha “carioca não é malandro” passou a funcionar não apenas como resposta a uma fala de Lula, mas também como tentativa de reforçar a ligação entre Flávio, seu eleitorado regional e a disputa nacional.
Além disso, o episódio mostra como as redes sociais se transformaram em uma extensão imediata dos debates eleitorais. Em vez de uma declaração permanecer restrita ao programa de televisão, trechos específicos são rapidamente recortados, compartilhados e reinterpretados por militantes e campanhas, permitindo que uma frase se transforme em uma narrativa política própria. No caso da expressão “carioca não é malandro”, a reação foi construída justamente dessa maneira, com imagens sendo utilizadas para contestar Lula e defender a identidade dos moradores do Rio.
“Carioca não é malandro” vira munição política contra Lula
A força da campanha também está relacionada ao tom do primeiro debate entre Lula e Flávio no segundo turno, que foi marcado mais por confrontos do que por uma apresentação detalhada de propostas. Os dois candidatos trocaram acusações sobre corrupção, gastos públicos, economia, segurança e integrantes de suas famílias, enquanto temas relevantes para o eleitorado foram frequentemente utilizados como instrumentos de ataque ao adversário. Nesse ambiente, uma expressão como “malandro carioca” ganhou espaço justamente por ser curta, provocativa e facilmente reproduzida em vídeos e publicações nas redes sociais.
Por outro lado, é importante separar a interpretação política dos fatos registrados durante o debate. Lula chamou Flávio de “malandro carioca” no contexto de uma acusação sobre supostas informações falsas relacionadas aos gastos do governo, enquanto Flávio posteriormente afirmou que a declaração representava uma ofensa aos moradores do Rio de Janeiro. Portanto, embora a campanha “carioca não é malandro” tenha sido criada por apoiadores do senador, a afirmação de que Lula teria chamado todos os cariocas de malandros não corresponde literalmente ao trecho registrado no confronto.
A utilização política da frase também evidencia uma estratégia comum em eleições altamente polarizadas: transformar um episódio pontual em um símbolo capaz de mobilizar determinado grupo de eleitores. Nesse caso, a identidade regional foi incorporada à disputa presidencial, permitindo que uma discussão originalmente econômica fosse convertida em um debate sobre respeito ao Rio de Janeiro e aos seus moradores. Consequentemente, a repercussão da campanha passou a competir com a própria discussão sobre os gastos públicos que havia provocado o confronto inicial entre os candidatos.
O que a campanha “carioca não é malandro” representa na eleição de 2026
A campanha “carioca não é malandro” representa mais um capítulo da estratégia de comunicação adotada por apoiadores de Flávio Bolsonaro na reta final do segundo turno. Ao transformar a declaração de Lula em uma questão regional, o grupo busca criar identificação emocional com eleitores fluminenses e, ao mesmo tempo, apresentar o presidente como alguém que teria desrespeitado uma parcela importante do eleitorado. Esse tipo de mobilização tende a ganhar força em períodos de campanha porque mensagens simples e de forte apelo identitário podem ser disseminadas rapidamente pelas redes sociais.
O episódio, entretanto, também revela como a disputa presidencial de 2026 vem sendo conduzida em um ambiente no qual declarações pessoais e confrontos entre os candidatos ocupam espaço significativo. O primeiro debate direto entre Lula e Flávio ocorreu a apenas sete dias do segundo turno, marcado para 25 de outubro, e foi estruturado em três blocos, com perguntas de jornalistas e confrontos diretos entre os candidatos. Nesse cenário, a reação dos apoiadores de Flávio mostra que o efeito de um debate não termina quando as câmeras são desligadas, pois cada frase pode ser transformada em conteúdo de campanha.
A campanha “carioca não é malandro”, portanto, deve ser entendida menos como uma discussão literal sobre a população do Rio e mais como um episódio da intensa disputa narrativa entre Lula e Flávio Bolsonaro. Embora a expressão de Lula tenha sido dirigida ao senador, seus adversários decidiram apresentá-la como uma oportunidade para defender a identidade regional e atacar politicamente o presidente. Assim, a poucos dias da votação, o episódio reforça uma característica marcante da eleição de 2026: além das propostas e dos números, a batalha pela interpretação das falas dos candidatos também está sendo travada diariamente nas redes sociais.





