Roberta Luchsinger chama Lula de “mentiroso” durante debate da Band

A empresária e lobista Roberta Luchsinger usou as redes sociais para se pronunciar após ser citada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante o debate presidencial transmitido pela TV Band na noite de domingo, 18. Em sua publicação, ela discordou das afirmações feitas sobre seu nome e classificou como injusto ser chamada de desonesta publicamente. “Lula, eu tô acompanhando aqui o debate e você está me chamando de mentirosa. Eu não sou mentirosa aqui, não”, declarou. Ela acrescentou que vem colaborando com as autoridades, mas que existem limites sobre o que pode revelar enquanto responde a três inquéritos da Polícia Federal, que tramitam sob segredo de Justiça.
Roberta Luchsinger é apontada como pessoa próxima de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e é alvo de investigações que envolvem supostas irregularidades ligadas ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Entre os pontos sob análise estão transferências recebidas pelo seu escritório do lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. A empresária afirma que os valores correspondem a serviços de consultoria prestados de forma lícita. Ela também estendeu suas observações a integrantes do governo: “Alguns ministros estão falando publicamente sobre relações comigo que não correspondem à verdade”, disse, sem nomear especificamente quem seriam os envolvidos.
Ainda em seu posicionamento, a empresária mencionou ter sido alvo de operação de busca e apreensão e cumprir medidas cautelares impostas pela Justiça. Segundo ela, essas determinações também restringem o que pode ser divulgado publicamente sobre o caso. “Estou colaborando com a Justiça do jeito que me é pedido. Se tem uma coisa que eu não tenho medo é da verdade”, afirmou, destacando que o sigilo dos processos é o principal motivo para que não apresente todas as informações que possui neste momento.
Um dos pontos que têm chamado atenção nas investigações é uma mensagem encontrada pela Polícia Federal em que se menciona que determinado valor seria destinado ao “filho do rapaz”, trecho que os investigadores consideram possivelmente ligado a Lulinha. No sábado, 17, em entrevista à CNN Brasil, Roberta já havia declarado sua intenção de firmar um acordo de delação premiada com as autoridades. Na ocasião, afirmou: “Eu não vou poupar ninguém. Pode ser o presidente da República”. Ela também mencionou que Lulinha participava de encontros semanais com ministros do governo, afirmação que ainda não foi confirmada por outras fontes independentes.
A empresária também fez referência a declarações anteriores do presidente, que em entrevista à TV Globo em agosto a chamou de “pilantra”. Disse considerar que está sendo responsabilizada de forma isolada por um caso que envolve outras pessoas, que segundo ela não estão sendo cobradas com a mesma intensidade. Mencionou ainda dificuldades financeiras decorrentes do bloqueio de bens determinado pela Justiça e afirmou ter recebido ameaças desde que seu nome passou a fazer parte das investigações públicas.
Em resposta, a assessoria do presidente divulgou nota oficial na qual Lula afirma não manter qualquer interlocução com a empresária. O comunicado também questiona o momento em que as declarações e acusações vêm a público, às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais. Segundo o Planalto, acusações sem provas documentais já foram utilizadas em outros períodos eleitorais e acredita que essa divulgação busca influenciar a decisão dos eleitores no próximo dia 26.
É importante destacar que este é um assunto ainda em apuração pelas autoridades competentes. As afirmações de cada lado estão sendo apresentadas, mas ainda não constituem fatos definitivamente comprovados. Cabe à Justiça analisar os elementos coletados durante os inquéritos e chegar a conclusões baseadas em provas. A recomendação ao eleitor é acompanhar os desdobramentos por meio de fontes confiáveis e oficiais, evitando tirar conclusões precipitadas sobre um caso que segue em tramitação sigilosa.





