Sem SP e MG e possível revés no RJ, Lula terá menos palanques do que Flávio

O cenário desenhado pelo primeiro turno das Eleições 2026 mostra que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que busca a reeleição, ficou em desvantagem na rede de apoios nos estados em comparação com o senador Flávio Bolsonaro (PL). A diferença tende a se ampliar caso seja confirmada a vitória em primeiro turno do candidato aliado de Flávio no Rio de Janeiro, Douglas Ruas (PL). O resultado das disputas estaduais cria um quadro de apoio político desigual que deve influenciar a campanha do segundo turno, marcado para o dia 25 de outubro.
A maior parte dos candidatos ao governo apoiados por Lula não conseguiu vencer já na primeira fase: ao todo, 18 postulantes ficaram pelo caminho. Entre as derrotas mais expressivas estão justamente dois dos maiores colégios eleitorais do país. Em Minas Gerais, o petista Patrus Ananias ficou em segundo lugar, sendo superado pelo senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), que obteve 55,40% dos votos válidos. O governador recém-eleito já declarou apoio a Flávio Bolsonaro na etapa seguinte da disputa presidencial.
Em São Paulo, outro estado decisivo, o ex-ministro Fernando Haddad (PT) foi derrotado pelo atual governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), aliado próximo à família Bolsonaro. Com a reeleição confirmada, Tarcísio deve direcionar sua estrutura de campanha e sua influência junto ao eleitorado paulista em favor do candidato do PL. O resultado nos dois estados reforça a força da oposição nas regiões que concentram maior número de eleitores.
No Rio de Janeiro, um desdobramento pode consolidar a vitória de Douglas Ruas ainda no primeiro turno. O ex-governador Anthony Garotinho (Republicanos) desistiu de recurso apresentado à Justiça Eleitoral contra a decisão que impediu sua candidatura. Caso a desistência seja homologada, seus 274.411 votos serão considerados nulos, o que eleva o percentual de Ruas para acima dos 50% necessários à vitória imediata, superando o ex-prefeito Eduardo Paes (PSD), que é apoiado por Lula. A definição antecipada no estado pode retirar do palanque petista um espaço de destaque.
Ao fazer o balanço dos apoios conquistados em primeiro turno, os números mostram diferença significativa. Lula conta com o suporte de cinco governadores eleitos: Jerônimo Rodrigues (PT), na Bahia; Elmano de Freitas (PT), no Ceará; Lucas Ribeiro (PP), na Paraíba; Rafael Fonteles (PT), no Piauí; e Fábio Mitidieri (PSD), em Sergipe. Já Flávio Bolsonaro tem o apoio confirmado de 11 governadores eleitos, distribuídos por diferentes regiões do país, entre eles Cleitinho Azevedo, Tarcísio de Freitas e Sérgio Moro (PL), eleito no Paraná.
Nos estados que ainda terão disputa em segundo turno, a divisão também mostra vantagem para o candidato do PL. Lula tem palanques garantidos em quatro unidades federativas: no Distrito Federal, com Leandro Grass (PT); no Rio Grande do Norte, com Cadu de Lula (PT); no Amazonas, com Omar Aziz (PSD); e no Rio de Janeiro, com Eduardo Paes. Flávio Bolsonaro, por sua vez, tem pelo menos cinco apoios definidos, com situação especial no Acre, onde duas candidaturas se alinham ao seu projeto.
A distribuição de apoios reflete a capilaridade política de cada candidatura e influencia a forma como a campanha chegará ao eleitor nos próximos dias. Ter governadores ao lado facilita o contato com a população, a mobilização de estruturas locais e a transmissão de mensagens em regiões distantes das capitais. A vantagem numérica não garante o resultado final, mas mostra que a disputa será travada em terreno onde Flávio Bolsonaro conta com maior presença de aliados no poder. Cabe agora a cada candidato buscar ampliar sua base de apoio e convencer o eleitorado a comparecer às urnas no dia 25.





