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Filme sobre Bolsonaro, Banco Master e INSS: o que a CPMI pretende investigar?

CPMI para investigar Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz reúne 100 assinaturas

A proposta de criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar possíveis relações financeiras envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o advogado Willer Tomaz avançou no Congresso Nacional. Segundo o líder do PT na Câmara dos Deputados, Pedro Uczai (PT-SC), o requerimento já havia reunido 100 assinaturas, sendo 85 de deputados federais e 15 de senadores. Entretanto, o número ainda estava abaixo do mínimo necessário para que o pedido pudesse ser protocolado formalmente.

A iniciativa é conduzida por lideranças governistas e pretende reunir informações sobre dois conjuntos de fatos que já são alvo de investigações no Supremo Tribunal Federal (STF). Entre os assuntos mencionados estão o financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro, e possíveis vínculos empresariais e financeiros envolvendo Flávio, Willer Tomaz e pessoas ligadas ao Banco Master. As suspeitas descritas no requerimento ainda precisam ser apuradas, e a apresentação de um pedido de CPMI não representa comprovação de irregularidades ou responsabilidade criminal dos investigados.

CPMI para investigar Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz avança no Congresso

De acordo com Pedro Uczai, o requerimento havia alcançado 100 assinaturas, mas precisava chegar a 198 para cumprir a exigência constitucional de apoio mínimo. Esse número corresponde a um terço dos integrantes de cada Casa legislativa: 171 deputados federais e 27 senadores. Portanto, mesmo com a adesão inicial, ainda seria necessário ampliar o apoio parlamentar para que a proposta avançasse.

Além disso, o cumprimento do número mínimo de assinaturas não significa que a comissão começará imediatamente seus trabalhos. Depois do protocolo, a instalação depende da leitura do requerimento pelo presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União-AP). Somente após as etapas previstas no procedimento legislativo a comissão poderá ser constituída e iniciar suas atividades, caso o pedido avance.

Uczai afirmou que os parlamentares governistas não temem a transparência e defendeu que a investigação seja conduzida com o mesmo espírito de colaboração que, segundo ele, foi demonstrado pela base do governo em outro pedido de CPMI. O requerimento citado pela liderança petista busca investigar Roberta Luchsinger e Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha.

Nesse contexto, o líder do PT defendeu que os parlamentares ligados ao grupo político de Flávio Bolsonaro também apoiem a nova iniciativa. A declaração evidencia a disputa política em torno das investigações, mas o andamento do pedido dependerá do número de assinaturas obtidas e do cumprimento das etapas formais exigidas pelo Congresso.

O que a comissão pretende investigar sobre o filme Dark Horse?

O requerimento foi apresentado por Pedro Uczai e pelo líder do PT no Senado, Camilo Santana (PT-CE). A proposta prevê uma comissão formada por 16 senadores e 16 deputados federais, com duração de 180 dias, para examinar fatos relacionados a dois inquéritos que tramitam no STF.

O primeiro eixo de investigação envolve o financiamento do filme Dark Horse, produção cinematográfica sobre a trajetória de Jair Bolsonaro. Conforme as informações reunidas no requerimento, o inquérito foi aberto em julho pelo ministro André Mendonça, após solicitação da Polícia Federal (PF) e manifestação favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR). A apuração busca esclarecer possíveis crimes relacionados à lavagem de dinheiro, à evasão de divisas e à corrupção no financiamento da obra.

Mensagens e áudios divulgados em maio foram citados como elementos que indicariam negociações entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, sobre possíveis aportes financeiros de até US$ 24 milhões, valor estimado em aproximadamente R$ 134 milhões à época. Segundo informações atribuídas a uma delação homologada em setembro, sete remessas teriam totalizado US$ 12,3 milhões e sido enviadas, em 2025, ao fundo Havengate, nos Estados Unidos.

A Polícia Federal também apura se parte desses recursos teria sido utilizada para custear a permanência de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Esse ponto, assim como os demais elementos mencionados, integra o contexto investigativo descrito no material apresentado. Portanto, as informações não devem ser interpretadas isoladamente como prova definitiva de que os valores foram empregados para uma finalidade ilegal.

Willer Tomaz e as suspeitas relacionadas ao INSS

O segundo eixo do requerimento está relacionado a uma investigação encaminhada pela Polícia Federal ao Supremo em 8 de outubro e distribuída ao ministro Alexandre de Moraes. Segundo o texto do pedido, a apuração teve origem em investigações sobre plataformas de pagamento e apostas e passou a incluir elementos relacionados ao advogado Willer Tomaz.

Em agosto, Tomaz foi alvo de busca e apreensão no âmbito da Operação Sem Desconto, investigação que apura suspeitas de descontos indevidos em benefícios pagos pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A partir dos elementos reunidos, o requerimento da CPMI sustenta que existem questões a esclarecer sobre uma possível participação econômica de Flávio Bolsonaro em empresas ligadas ao advogado.

Entre os pontos citados está o registro do senador como usuário master de uma conta da Alcazar Holdings, empresa da qual Willer Tomaz aparece como único sócio formal. Também é mencionado um pedido enviado ao banco em 22 de maio de 2025 para retirar a vinculação de Flávio à conta. A existência desses registros, por si só, não comprova participação societária irregular ou prática criminosa, mas foi apresentada pelos autores do requerimento como motivo para aprofundar a apuração.

Outro elemento mencionado é o suposto custeio de viagens de Flávio e de familiares pela Cathedral Holding, descrita no material como acionista única da Rede Loto, empresa de apostas credenciada no Rio de Janeiro. Além disso, o pedido cita movimentações de aproximadamente R$ 130 milhões entre março e maio de 2025 em uma conta associada ao advogado. A origem, a destinação e a natureza dessas movimentações estão entre as questões que os parlamentares pretendem esclarecer.

Aeronave e relações financeiras também entram no pedido

As duas frentes investigativas se cruzam, segundo o requerimento, por meio de uma aeronave na qual a Alcazar Holdings possui participação e da qual Daniel Vorcaro também teria sido cotista. O documento menciona que Flávio Bolsonaro utilizou o jato em uma viagem dos Estados Unidos para o Brasil, em janeiro de 2025.

O material também registra uma viagem internacional realizada por Willer Tomaz e seus familiares poucos dias depois de o inquérito chegar ao STF. A Polícia Federal estaria avaliando se o deslocamento teve relação com uma possível tentativa de evitar medidas cautelares. Essa hipótese, contudo, deve ser tratada como uma linha de apuração, e não como uma conclusão comprovada.

A comissão proposta pretende examinar as relações financeiras entre Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz, além dos vínculos mencionados com a Alcazar Holdings e Daniel Vorcaro. Para isso, caso seja instalada, poderá buscar esclarecimentos e documentos dentro dos limites legais aplicáveis às comissões parlamentares de inquérito.

Quais são os próximos passos para a CPMI?

O primeiro desafio dos autores do requerimento é obter as 98 assinaturas que faltavam para alcançar o mínimo de 198 informado no pedido. A distribuição desse apoio entre deputados e senadores também precisa respeitar os requisitos estabelecidos: não basta atingir um total agregado se não houver o número mínimo exigido em cada Casa.

Depois disso, o requerimento deverá seguir o procedimento legislativo, incluindo a leitura pelo presidente do Congresso, Davi Alcolumbre. A composição da comissão e o início dos trabalhos dependerão do avanço formal da proposta. Caso seja instalada, a CPMI terá o prazo de 180 dias previsto no requerimento para investigar os fatos delimitados.

Em conclusão, a proposta de CPMI para investigar Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz reúne elementos de duas apurações distintas e busca esclarecer possíveis relações financeiras envolvendo empresas, recursos e pessoas citadas nos inquéritos. Entretanto, o pedido ainda precisa cumprir as exigências parlamentares para avançar, e as suspeitas mencionadas não equivalem a uma declaração de culpa. O desenvolvimento do caso dependerá tanto da tramitação no Congresso quanto dos resultados das investigações conduzidas pelas autoridades competentes.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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