Campanha de Flávio Bolsonaro quer fazer de tudo para evitar que haja uma reviravolta

O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, aposta na possibilidade de conquistar eleitores que evitam declarar publicamente suas preferências políticas para enfrentar a mobilização promovida pela campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A estratégia ganhou destaque nos últimos dias antes do segundo turno, marcado para domingo, 25 de outubro, quando as duas candidaturas intensificaram as ações nas ruas e nas redes sociais. Em reportagem publicada pela CNN Brasil, a jornalista Jussara Soares informou que a campanha do senador pretende explorar a rejeição ao atual presidente e apresentar Flávio como uma alternativa de mudança, buscando alcançar indecisos e eleitores que ainda não manifestaram apoio de forma explícita.
A expressão “voto silencioso” é utilizada nesse contexto para descrever eleitores que podem evitar revelar sua escolha em conversas, manifestações públicas ou pesquisas eleitorais. A campanha de Flávio considera que parte desse público pode estar inclinada a votar no senador, embora não demonstre esse posicionamento abertamente, hipótese que não representa uma confirmação sobre o comportamento de todos esses eleitores. Segundo a CNN, o grupo político também acompanha a possibilidade de que uma intensificação da mobilização petista provoque mudanças na percepção da disputa e influencie pessoas que ainda não decidiram seu voto.
A reta final da campanha passou a ser marcada pela preocupação das duas equipes com a capacidade de mobilizar apoiadores e conquistar os votos ainda em disputa. Depois do primeiro turno, a campanha de Lula reorganizou sua atuação, ampliou a presença de aliados em atos públicos e intensificou a divulgação de conteúdos nas plataformas digitais. O grupo de Flávio, por sua vez, ampliou a participação do senador em mobilizações e passou a enfatizar mensagens destinadas a estimular os apoiadores a comparecer às urnas, em uma etapa na qual cada candidatura procura consolidar sua base eleitoral.
Campanha de Flávio explora rejeição a Lula e busca evitar mudança de cenário
De acordo com a apuração da CNN Brasil, a equipe de Flávio pretende continuar explorando o antipetismo e a rejeição ao presidente Lula como parte de sua comunicação eleitoral. O senador também procura se apresentar como representante de uma mudança de governo, enquanto sua campanha tenta impedir que a ofensiva petista atraia eleitores indecisos ou pessoas identificadas com a direita que ainda não decidiram apoiar sua candidatura. Essa estratégia foi descrita pela reportagem como uma tentativa de responder ao crescimento da mobilização adversária sem depender exclusivamente de manifestações públicas ou de declarações de apoio de figuras conhecidas.
A preocupação com uma possível mudança de percepção na reta final também aparece nos relatos sobre as discussões internas da campanha. Segundo a CNN, integrantes do entorno do senador demonstraram preocupação com o impacto que uma sensação de virada favorável a Lula poderia provocar entre os eleitores. A reportagem registrou que a equipe de Flávio pretende manter a militância ativa e redobrar os cuidados com a comunicação, evitando episódios que possam desviar a atenção dos temas escolhidos para os últimos dias antes da votação.
A rejeição aos dois candidatos também entrou no cálculo das equipes eleitorais, embora os levantamentos apresentem resultados sujeitos às margens de erro e às datas em que foram realizados. Pesquisa Datafolha divulgada em 22 de outubro apontou empate entre Lula e Flávio nos votos válidos, com 50% para cada candidato, segundo os números citados pela CNN Brasil. No mesmo levantamento, os índices de rejeição também ficaram próximos: 46% dos entrevistados disseram que não votariam em Flávio de jeito nenhum, enquanto 45% afirmaram o mesmo em relação a Lula, resultado que mostra a presença de resistência aos dois nomes entre os participantes da pesquisa.
Mobilização nas redes sociais e nas ruas ganha importância
A campanha de Lula intensificou sua atuação digital depois do primeiro turno, buscando ampliar o alcance das mensagens políticas e mobilizar apoiadores para a etapa final. A CNN Brasil informou que o canal Exército de Lula, criado pelo deputado federal André Janones, reunia mais de 8,5 milhões de pessoas, enquanto o canal Tropa de Lula contabilizava cerca de 2,5 milhões de apoiadores. Esses grupos são utilizados para compartilhar conteúdos e estimular publicações nas redes, em uma disputa pela circulação de mensagens que passou a ocupar espaço importante nas estratégias dos dois candidatos.
O crescimento da mobilização petista levou a campanha de Flávio a reforçar a participação em eventos organizados por aliados. A reportagem relatou que o senador demorou a retomar as atividades de rua nos primeiros dias após o primeiro turno, período em que apoiadores de Lula já promoviam manifestações. Posteriormente, a equipe bolsonarista ampliou a presença do candidato em atos organizados pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), cuja iniciativa conhecida como Bloquinho de Nikolas passou a ser chamada de Bloquinho 22 durante a campanha presidencial e começou a percorrer diferentes estados.
Para sábado, 24 de outubro, a agenda de Flávio previa participação em mobilizações em Belo Horizonte e no Rio de Janeiro, segundo a CNN. A intenção é manter a presença pública do candidato e estimular a participação de apoiadores na véspera da votação, complementando as ações realizadas no ambiente digital. Ao mesmo tempo, a campanha busca responder às mensagens dos adversários e evitar que denúncias, acusações ou controvérsias ocupem todo o espaço da comunicação eleitoral, embora esses assuntos continuem presentes no confronto entre as duas candidaturas.
Debate da Globo e voto de última hora entram no cálculo eleitoral
O último debate presidencial televisionado antes da votação, realizado pela TV Globo na sexta-feira, 23 de outubro, também integra a estratégia das campanhas para alcançar eleitores que ainda não decidiram como votar. Conforme a CNN Brasil, aliados de Flávio aconselharam o senador a adotar uma postura mais moderada no confronto, evitando ataques que pudessem ampliar sua rejeição ou afastar eleitores indecisos. A orientação também buscava preservar o apoio de pessoas que já demonstravam intenção de votar no candidato, mas ainda não apresentavam uma decisão consolidada.
A equipe de Lula, por sua vez, intensificou as cobranças sobre Flávio durante a última semana da disputa, incluindo questionamentos sobre a abertura de sigilos bancários e telefônicos e sobre relações políticas do senador. Entre os assuntos mencionados pela reportagem estava o pedido de recursos ao empresário Daniel Vorcaro para financiar o filme Dark Horse, produção sobre Jair Bolsonaro. A discussão passou a fazer parte do ambiente eleitoral nos dias anteriores à votação, com cada campanha apresentando suas próprias críticas e tentando direcionar a atenção do público para os temas que considera relevantes.
A disputa pelo chamado voto silencioso, a mobilização digital, os eventos presenciais e o debate televisivo compõem, assim, diferentes frentes da campanha nos últimos dias antes do segundo turno. A hipótese de que existam eleitores que escondem suas preferências é uma interpretação utilizada pela equipe de Flávio, e não uma garantia de que esse grupo votará no senador ou de que as pesquisas deixarão de refletir o resultado das urnas. A votação de domingo, 25 de outubro, definirá o resultado oficial da eleição presidencial, após o encerramento da campanha e a apuração dos votos pelo Tribunal Superior Eleitoral.





