Com quase 9 milhões de seguidores, canal Exército do Lula corre risco de sair do ar, disse André Janones

O deputado federal André Janones afirmou nesta sexta-feira, 23 de outubro, que o canal “Exército do Lula”, utilizado para mobilizar apoiadores de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), poderá sair do ar por determinação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A declaração ocorreu às vésperas do segundo turno presidencial, marcado para domingo, 25 de outubro, e poucas horas antes do último debate entre Lula e Flávio Bolsonaro (PL), na TV Globo. Segundo Janones, o parlamentar estava em contato com advogados para tentar impedir a suspensão do canal, que havia alcançado 8,8 milhões de seguidores no WhatsApp.
A possível retirada do canal do ar voltou a colocar a atuação da militância digital no centro da disputa eleitoral entre Lula e Flávio Bolsonaro. Em mensagem enviada aos seguidores, Janones afirmou que a medida poderia tornar o resultado da eleição novamente incerto, diante da importância atribuída por ele à mobilização nas redes sociais durante os últimos dias de campanha. O deputado também convocou os integrantes do grupo a manifestarem indignação contra a possível suspensão, mas pediu que não fossem realizados ataques pessoais.
Enquanto Janones tentava evitar uma nova interrupção do serviço, Lula publicou um vídeo direcionado aos integrantes do canal e incentivou a entrada de mais participantes. O presidente comemorou a marca de 8,8 milhões de seguidores e estabeleceu uma meta de alcançar 10 milhões depois do debate televisivo. A manifestação ocorreu no momento em que a campanha petista buscava ampliar o alcance de suas mensagens e fortalecer a mobilização de eleitores antes da votação decisiva.
Lula convoca apoiadores e estabelece meta de 10 milhões
No vídeo divulgado nesta sexta-feira, Lula pediu que os integrantes do “Exército do Lula” continuassem participando da mobilização digital e ajudassem a ampliar o número de seguidores. O presidente afirmou que gostaria de ver o canal chegar a 10 milhões de participantes depois do debate da TV Globo, demonstrando a importância que atribuía à ferramenta na reta final da campanha. Na gravação, ele também utilizou linguagem de mobilização política ao chamar os participantes de soldados e pedir empenho para a vitória eleitoral.
A convocação presidencial ocorreu depois de o canal atingir 8,8 milhões de seguidores, número que o transformou em uma das principais estruturas digitais de apoio à candidatura petista. Administrado por Janones, o espaço distribui conteúdos políticos, mensagens e orientações destinadas a estimular a participação dos apoiadores nas redes sociais. A estratégia busca fazer com que os materiais compartilhados pelo canal alcancem outros públicos e ganhem repercussão em diferentes plataformas digitais.
O crescimento do grupo aconteceu em meio à disputa com a campanha de Flávio Bolsonaro, que também mantém uma estrutura de mobilização no WhatsApp. O canal “Tropa do Flávio”, criado pelo deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO), reunia aproximadamente 2,1 milhões de seguidores na sexta-feira, segundo informações divulgadas pelo UOL. As duas iniciativas passaram a integrar a disputa política sobre o alcance das campanhas na internet e os limites da mobilização coordenada durante o período eleitoral.
Janones tenta impedir suspensão e critica impacto na campanha
Em mensagens enviadas aos seguidores, Janones afirmou que estava tratando do assunto com seus advogados para tentar evitar que o canal fosse retirado do ar. O deputado também explicou que a necessidade de acompanhar a questão judicial consumia tempo que, segundo ele, deveria ser dedicado à organização das atividades de campanha e à divulgação de conteúdos políticos. Para o parlamentar, a disputa jurídica já prejudicava a mobilização ao desviar parte de sua atenção das tarefas realizadas com os apoiadores.
Janones pediu que os integrantes do grupo denunciassem a possível suspensão e demonstrassem indignação de maneira ampla, sem direcionar ataques a pessoas específicas. A orientação buscava estimular manifestações públicas contra a medida e ampliar a repercussão do caso durante as horas que antecediam o debate presidencial. Nas redes sociais, apoiadores também passaram a utilizar as hashtags #CensuraNaoTSE e #ExercitoDoLulaCensurado para criticar a possibilidade de interrupção do canal.
A controvérsia está relacionada a uma ação apresentada pela campanha de Flávio Bolsonaro ao TSE, que questiona a atuação do grupo e o uso de estratégias coordenadas nas redes. Entre as alegações estão orientações para influenciar resultados de buscas no Google e ampliar a circulação de termos e hashtags em plataformas digitais. A campanha de Lula, por sua vez, registrou o canal na Justiça Eleitoral após decisões anteriores que determinaram sua suspensão e condicionaram a retomada do funcionamento à regularização.
TSE cobra esclarecimentos de plataformas digitais
A discussão chegou novamente ao tribunal depois que o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, concedeu prazo de 24 horas para Meta, Google e X apresentarem esclarecimentos sobre suspeitas de ações coordenadas relacionadas ao canal. A solicitação envolve possíveis padrões de engajamento e indícios de amplificação artificial de conteúdos nas redes sociais. A manifestação das empresas integra o procedimento que analisa o funcionamento do grupo e as acusações apresentadas durante a campanha.
O canal já havia enfrentado decisões conflitantes anteriormente, incluindo determinações de suspensão e liberações posteriores após intervenções de integrantes da Justiça Eleitoral. Em outubro, o funcionamento foi condicionado à regularização do endereço eletrônico junto à Justiça Eleitoral, enquanto a campanha de Flávio continuou questionando a atuação da estrutura digital petista. Até a publicação da notícia nesta sexta-feira, a nova retirada do canal do ar era uma possibilidade anunciada por Janones, e não uma suspensão já confirmada pelo parlamentar como efetivada.
A disputa ganhou importância adicional porque ocorreu no último dia de campanha com debate televisivo antes do segundo turno presidencial. Enquanto Janones buscava impedir a interrupção do canal, Lula convocava os seguidores a ampliar a mobilização e alcançar a marca de 10 milhões de participantes. O grupo reunia 8,8 milhões de seguidores na sexta-feira, 23 de outubro, quando o presidente do TSE aguardava esclarecimentos das plataformas digitais sobre as suspeitas relacionadas à atividade do canal.





