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Em entrevista recente, Eduardo Bolsonaro disse o que o irmão deveria fazer caso não vença a eleição

O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) afirmou na sexta-feira, 23 de outubro de 2026, que seu irmão, o senador Flávio Bolsonaro (PL), deveria deixar o Brasil caso perdesse a eleição presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A declaração foi feita durante uma entrevista ao podcast norte-americano Louder with Crowder, apresentado pelo comentarista político Steven Crowder, a dois dias do segundo turno marcado para domingo, 25 de outubro. Na mesma conversa, Eduardo questionou a confiabilidade das urnas eletrônicas brasileiras e voltou a defender mudanças no sistema de votação utilizado no país.

A manifestação ocorreu depois que um espectador perguntou como a família Bolsonaro pretendia ajudar o ex-presidente Jair Bolsonaro caso Flávio fosse derrotado na disputa presidencial. Inicialmente, Eduardo respondeu em tom de brincadeira que seria necessário enviar fuzileiros navais, provocando risadas durante a transmissão, mas depois passou a defender seriamente a saída do irmão do território brasileiro. O ex-deputado justificou sua posição mencionando a possibilidade de Flávio perder a imunidade parlamentar e ficar sujeito a investigações após deixar o Senado.

Eduardo relacionou a declaração a uma fala de Lula durante um debate presidencial, quando o presidente afirmou que Flávio poderia perder a imunidade parlamentar caso não fosse eleito e que eventuais investigações poderiam avançar. O ex-deputado interpretou a declaração como uma ameaça ao irmão e utilizou esse argumento para defender que ele deixasse o país em caso de derrota. A entrevista também incluiu críticas ao sistema eleitoral brasileiro, com questionamentos sobre a ausência de cédulas de papel e a forma de contabilização dos votos.

Eduardo relaciona possível derrota a investigações contra Flávio

Ao explicar sua posição, Eduardo afirmou que a declaração de Lula durante o debate demonstraria o risco de o irmão enfrentar investigações depois de uma eventual derrota eleitoral. O ex-deputado citou a possibilidade de Flávio perder a condição de senador e, consequentemente, deixar de contar com a imunidade parlamentar associada ao exercício do mandato. Com base nessa interpretação, declarou ser favorável à saída do irmão do Brasil caso ele não vencesse o segundo turno.

Durante a entrevista, Eduardo repetiu que apoiava a ideia de Flávio deixar o país e reforçou a afirmação com a expressão “com certeza”. A fala ocorreu no contexto de uma pergunta sobre os planos da família caso o senador não fosse eleito presidente e sobre como poderiam ajudar Jair Bolsonaro diante dessa possibilidade. Embora a resposta inicial sobre o envio de fuzileiros tenha sido apresentada em tom de brincadeira, a defesa da saída do Brasil foi reafirmada posteriormente pelo ex-deputado.

A referência às investigações apareceu como parte central da justificativa apresentada por Eduardo, que associou a declaração de Lula à possibilidade de consequências judiciais para o irmão. No entanto, a perda de uma eleição não representa, por si só, comprovação de irregularidade ou responsabilidade criminal, e eventuais investigações dependem de procedimentos legais próprios. A entrevista não apresentou uma decisão judicial que determinasse a saída de Flávio do país, mas registrou a posição pessoal de Eduardo sobre o que o irmão deveria fazer caso fosse derrotado.

Ex-deputado questiona confiabilidade das urnas eletrônicas

Além de comentar a possibilidade de derrota de Flávio, Eduardo questionou o sistema eletrônico de votação brasileiro e afirmou que a ausência de cédulas de papel impediria uma contagem pública manual dos votos. Segundo ele, o eleitor precisaria confiar nos equipamentos utilizados durante a votação e nos procedimentos de totalização dos resultados. O ex-deputado argumentou que o modelo deveria ser alterado para permitir maior participação pública na conferência dos votos.

Durante a conversa, Eduardo também recorreu a uma frase atribuída ao líder soviético Josef Stálin para questionar quem seria responsável pela contagem dos votos. Ele afirmou que não poderia provar a existência de fraude, mas sustentou que também não seria possível provar que ela não ocorreu. A declaração foi apresentada sem evidências concretas de fraude nas eleições brasileiras, e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) afirma que nunca houve comprovação de fraude nas urnas eletrônicas do país.

O sistema eletrônico brasileiro é utilizado desde 1996 e prevê a emissão de boletins de urna ao fim da votação, com os resultados registrados em cada seção eleitoral. Esses documentos permitem a conferência dos votos contabilizados nos equipamentos e a comparação dos resultados divulgados oficialmente. Apesar dos questionamentos apresentados por Eduardo, suas declarações durante o podcast não vieram acompanhadas de provas de manipulação ou de irregularidades no funcionamento das urnas.

Entrevista ocorreu em podcast apresentado nos Estados Unidos

A participação de Eduardo ocorreu no programa Louder with Crowder, apresentado pelo comentarista norte-americano Steven Crowder e transmitido pela internet. A entrevista foi realizada em meio à campanha presidencial brasileira e incluiu perguntas de espectadores sobre a situação da família Bolsonaro e as consequências de uma eventual derrota de Flávio. O formato permitiu que o ex-deputado comentasse tanto a disputa eleitoral quanto suas críticas ao sistema de votação.

Durante a conversa, Crowder reagiu à menção de Eduardo sobre o envio de fuzileiros navais e comentou a possibilidade de uma reação política caso a ideia fosse levada a sério. O apresentador também discutiu as implicações da declaração e questionou o cenário descrito pelo convidado. Depois dessa interação, Eduardo voltou ao tema da possível derrota do irmão e declarou que apoiaria sua saída do Brasil.

A entrevista repercutiu na imprensa brasileira por reunir a defesa de uma possível saída do país com novas críticas às urnas eletrônicas às vésperas da votação. Eduardo vive nos Estados Unidos desde 2025, após deixar o Brasil, e perdeu o mandato de deputado federal por excesso de faltas. Em junho de 2026, ele foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a quatro anos e dois meses de prisão por coação no curso do processo, e a decisão teve desdobramentos judiciais posteriores.

Segundo turno ocorre neste domingo

A declaração de Eduardo foi feita na reta final da campanha presidencial, quando Flávio Bolsonaro e Lula se preparavam para disputar o segundo turno no domingo, 25 de outubro de 2026. No primeiro turno, Flávio recebeu 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula obteve 45,16%, segundo os resultados eleitorais divulgados. A votação seguinte definirá quem ocupará a Presidência da República no próximo mandato.

A entrevista também ocorreu em um momento de intensificação das discussões sobre o sistema eleitoral, a atuação da Justiça e as consequências políticas de uma possível derrota do candidato do PL. Eduardo utilizou a conversa para criticar as urnas, defender a adoção de cédulas impressas e afirmar que o irmão deveria deixar o país caso não fosse eleito. As declarações foram feitas durante uma transmissão do podcast norte-americano e não alteraram o calendário oficial da eleição.

O segundo turno entre Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva está marcado para domingo, 25 de outubro, quando os eleitores escolherão o próximo presidente da República. Eduardo Bolsonaro afirmou que apoiaria a saída do irmão do país caso ele perdesse a disputa e voltou a questionar a confiabilidade das urnas eletrônicas sem apresentar provas de fraude. A votação ocorrerá conforme o calendário estabelecido pela Justiça Eleitoral.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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