Fachin tenta acalmar os ânimos no STF e até propõe uma trégua entre Moraes e Mendonça

A crise no Supremo Tribunal Federal (STF) ganhou um novo capítulo após a sessão realizada na terça-feira (15), marcada por divergências entre ministros e pelo aumento da exposição pública das disputas internas da Corte. Diante desse cenário, o presidente do STF, Edson Fachin, passou a defender uma trégua entre Alexandre de Moraes e André Mendonça, movimento que conta também com a participação da ministra Cármen Lúcia. Segundo relatos obtidos pela CNN Brasil, a tentativa de aproximação ocorre justamente quando integrantes de diferentes grupos do tribunal demonstram pouco espaço para uma composição imediata.
A iniciativa de Fachin e Cármen Lúcia ocorre depois de uma sessão que deveria analisar elementos relacionados a uma investigação envolvendo Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, mas terminou sem uma definição sobre a abertura de um inquérito contra o ministro. Além disso, o debate acabou concentrado em questões processuais e na possibilidade de manter separados os casos envolvendo Moraes e Mendonça. Por isso, a crise no STF passou a envolver não apenas o conteúdo das investigações, mas também divergências sobre a condução dos processos e a relação entre os próprios ministros.
Nesse contexto, Fachin e Cármen deverão conversar com outros integrantes do Supremo ao longo desta semana, entre eles Flávio Dino, Gilmar Mendes e Luiz Fux. A intenção é reduzir a temperatura dos conflitos e impedir que novos episódios de confronto público ampliem ainda mais o desgaste institucional da Corte. Entretanto, conforme os relatos divulgados pela CNN, ministros ligados aos grupos de Moraes e Mendonça avaliam com ceticismo a possibilidade de uma trégua imediata.
Fachin e Cármen tentam reduzir a crise no STF
A atuação de Fachin e Cármen Lúcia acontece em um momento no qual a divisão interna do Supremo passou a ser exposta de maneira mais evidente. A sessão de 15 de setembro foi transmitida publicamente e reuniu discussões sobre a investigação relacionada a Moraes, além de divergências entre ministros sobre o andamento dos processos. Segundo a CNN, Fachin havia sido alertado anteriormente de que uma sessão televisionada poderia ampliar a exposição das diferenças existentes dentro do tribunal, mas considerou que a publicidade seria uma forma de garantir transparência diante dos indícios envolvendo ministros e Vorcaro.
Durante a sessão, o plenário chegou a registrar uma divisão de quatro votos a três pela manutenção separada dos casos de Moraes e Mendonça. Fachin, Mendonça, Fux e Cármen Lúcia votaram pela separação, enquanto Gilmar Mendes, Moraes e Cristiano Zanin defenderam a análise conjunta, antes de o pedido de vista de Flávio Dino interromper a discussão. Dessa forma, uma decisão definitiva sobre a questão ficou pendente, e o debate sobre os procedimentos passou a fazer parte central da crise que envolve o Supremo. Além disso, a sessão foi marcada por confrontos verbais entre integrantes da Corte, incluindo divergências envolvendo Fachin e Dino e embates relacionados à condução dos processos. O pedido de vista de Dino suspendeu a discussão, enquanto a análise do caso relacionado a Mendonça ficou prevista para outra data, embora o calendário ainda possa sofrer alterações. Assim, a tentativa de pacificação acontece paralelamente a uma disputa que continua produzindo efeitos sobre a agenda do STF.
Crise no STF aumenta após sessão pública
A avaliação relatada pela CNN é de que a sessão pública não conseguiu produzir uma solução para a crise e ainda ampliou o desconforto entre os integrantes do tribunal. Nos bastidores, ministros experientes teriam considerado que a exposição das divergências não contribuiu para solucionar o impasse nem permitiu avanço efetivo na investigação discutida pelo plenário. Como consequência, o STF voltou a ficar sob forte escrutínio público justamente em um período de elevada sensibilidade política.
O cenário também foi agravado por outros conflitos recentes dentro da Corte, especialmente relacionados a decisões envolvendo a Polícia Federal e diferentes processos ligados ao chamado caso Banco Master. Em setembro, Fachin suspendeu decisões de André Mendonça e Flávio Dino sobre o comando da Polícia Federal porque os atos tratavam de fatos relacionados e poderiam produzir conflito jurídico. Paralelamente, a presidência do Supremo chegou a cancelar sessões plenárias em meio ao aumento da tensão, evitando novos encontros públicos entre ministros antes da sessão de 15 de setembro.
Nesse ambiente, a preocupação com os próximos passos passou a ser considerada relevante para o funcionamento cotidiano do Supremo. Novas críticas, provocações ou divergências durante sessões plenárias e das turmas podem manter a crise em evidência, enquanto processos importantes continuam aguardando definição. Por outro lado, a tentativa de diálogo conduzida por Fachin e Cármen Lúcia representa uma iniciativa institucional para diminuir os conflitos, ainda que não exista garantia de que o movimento será suficiente para produzir uma composição entre os diferentes grupos.
O que pode acontecer com a crise no STF
A situação deverá continuar sendo acompanhada de perto porque o pedido de vista apresentado por Flávio Dino interrompeu a análise do processo relacionado a Moraes e adiou uma definição sobre os próximos passos. Conforme informações divulgadas após a sessão, Dino poderá permanecer com o processo por até 90 dias, enquanto a discussão sobre o caso de Mendonça também poderá sofrer alterações no calendário do tribunal. Portanto, o STF ainda precisará resolver questões processuais antes de avançar para uma eventual análise de mérito.
Enquanto isso, Fachin e Cármen Lúcia deverão tentar abrir espaço para conversas com outros ministros, buscando reduzir o nível de tensão registrado nos últimos dias. A crise, porém, permanece relacionada a diferentes processos, posições jurídicas e divergências pessoais e institucionais que foram expostas publicamente durante as últimas sessões. Assim, a evolução do quadro dependerá tanto dos próximos julgamentos quanto da capacidade dos ministros de preservar o funcionamento regular do Supremo em meio às disputas internas.





