Flávio Bolsonaro encerrou sua campanha no Rio de Janeiro e agradeceu aos apoiadores

A reta final da eleição presidencial de 2026 terminou com uma demonstração clara de força política no Rio de Janeiro, um dos principais redutos eleitorais da direita brasileira. Na tarde deste sábado (24), milhares de apoiadores se concentraram na Barra da Tijuca para acompanhar o último compromisso público de Flávio Bolsonaro antes da votação decisiva contra Luiz Inácio Lula da Silva. O cenário escolhido, além disso, carregou forte simbolismo por estar ligado à trajetória política e familiar do candidato.
A concentração começou na Praça do Ó e avançou em direção ao condomínio Vivendas da Barra, onde Jair Bolsonaro morou durante o período em que construiu sua carreira política no Rio. Ao longo do percurso, bandeiras do Brasil, camisetas com as cores nacionais, carros de som e músicas de campanha foram utilizados para mobilizar os eleitores, enquanto lideranças políticas acompanhavam o candidato. Dessa forma, o encerramento foi transformado em uma grande manifestação de apoio ao nome do PL na disputa pelo Palácio do Planalto.
Mais do que uma simples agenda eleitoral, o evento serviu para reforçar a tentativa de transferência do capital político de Jair Bolsonaro para seu filho. Flávio afirmou que a campanha havia sido uma “jornada histórica”, agradeceu aos apoiadores e declarou acreditar que, no domingo, o país teria um novo presidente, encerrando sua participação com uma oração do Pai-Nosso. Enquanto isso, as pesquisas divulgadas na véspera mostravam uma disputa apertada, com diferenças dentro ou muito próximas das margens de erro, o que mantinha o resultado em aberto.
Flávio Bolsonaro encerra campanha no Rio e aposta na força eleitoral do estado
O Rio de Janeiro não foi escolhido por acaso para receber o último grande ato de Flávio Bolsonaro. No primeiro turno, o candidato do PL alcançou 53,01% dos votos válidos no estado, enquanto Lula obteve 39,41%, resultado que estabeleceu uma vantagem superior a um milhão de votos para o representante da direita. Por isso, a mobilização fluminense passou a ser tratada como uma das principais bases de sustentação da candidatura no segundo turno.
Durante a campanha, Flávio percorreu diferentes regiões do estado e participou de atividades em áreas como Copacabana, Barra da Tijuca, Campo Grande, Bangu, Nova Iguaçu, Duque de Caxias e São Gonçalo. Paralelamente, o grupo político ligado ao bolsonarismo conseguiu resultados expressivos nas eleições estaduais e legislativas, ampliando a influência do PL e de partidos aliados no cenário fluminense. Assim, o ato realizado na Barra funcionou também como uma demonstração pública de que a estrutura política construída no estado continuava mobilizada na reta decisiva.
Entretanto, a vantagem obtida no primeiro turno não significava que a eleição presidencial estivesse definida. A abstenção no Rio chegou a 23,32% na primeira etapa, enquanto pesquisas divulgadas na véspera do segundo turno apontavam uma disputa bastante equilibrada em âmbito nacional, com Flávio numericamente à frente em alguns levantamentos. Portanto, além de manter seus eleitores, a campanha precisava convencer indecisos e estimular o comparecimento às urnas, especialmente porque pequenas variações poderiam alterar o resultado de uma eleição tão apertada.
O simbolismo do último ato de Flávio Bolsonaro na Barra da Tijuca
A escolha do Vivendas da Barra acrescentou uma dimensão simbólica ao encerramento da campanha. O condomínio ficou associado à trajetória de Jair Bolsonaro no Rio e também ganhou notoriedade nacional por ter sido o local onde Ronnie Lessa, condenado pelos assassinatos de Marielle Franco e Anderson Gomes, foi preso em março de 2019. Embora os acontecimentos pertençam a contextos diferentes, a utilização daquele endereço no encerramento eleitoral inevitavelmente resgatou episódios marcantes da história política recente do país.
A campanha apresentou a escolha do local como uma homenagem a Jair Bolsonaro, destacando que a candidatura de Flávio à Presidência havia sido indicada pelo pai em dezembro de 2025. Nesse sentido, o encerramento foi construído como uma narrativa de continuidade política, na qual o filho procura assumir nacionalmente o espaço ocupado pelo ex-presidente entre seus apoiadores. Ao lado de Flávio estiveram sua esposa, Fernanda Bolsonaro, sua mãe, Rogéria, além de aliados como Nikolas Ferreira, Douglas Ruas, Sóstenes Cavalcante e Deltan Dallagnol.
A mobilização também fez parte do chamado “Bloco do 22”, movimento criado por Nikolas Ferreira para movimentar a base bolsonarista durante o segundo turno. Antes do ato no Rio, Flávio havia participado de uma motociata em Belo Horizonte ao lado de Nikolas, do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e de Cleitinho Azevedo, governador eleito de Minas Gerais. Dessa maneira, a agenda final foi organizada para transmitir a imagem de uma candidatura apoiada por diferentes lideranças da direita e capaz de reunir militantes em importantes centros urbanos do Sudeste.
Eleição entre Flávio Bolsonaro e Lula chega ao momento decisivo
A força demonstrada nas ruas, contudo, precisa ser analisada com cautela quando se pretende projetar o resultado de uma eleição. Uma manifestação numerosa indica capacidade de mobilização e engajamento político, mas não representa necessariamente a proporção de votos que cada candidato receberá nas urnas. Por isso, a disputa entre Flávio Bolsonaro e Lula permanecia aberta na véspera do segundo turno, apesar das demonstrações públicas de confiança apresentadas pelas duas campanhas.
No último dia antes da votação, os dois candidatos procuraram explorar seus principais símbolos políticos: Flávio Bolsonaro encerrou a campanha em um dos mais tradicionais redutos do bolsonarismo, enquanto Lula levou seus apoiadores para a Avenida Paulista, em São Paulo. Assim, a eleição chegou às últimas horas marcada por polarização, forte mobilização de militantes e pesquisas que apontavam diferenças pequenas entre os concorrentes. Agora, depois de meses de campanha, propaganda e disputas políticas, caberia aos eleitores definir nas urnas se a força demonstrada no Rio seria suficiente para levar Flávio Bolsonaro à Presidência ou se Lula conseguiria reverter o cenário no segundo turno.





