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Flávio Bolsonaro deixou o Brasil e foi para os Estados Unidos após ser derrotado nas eleições

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, teria participado da articulação para levar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao território americano, segundo um aliado do presidente Donald Trump. A informação foi divulgada em meio às notícias de que o parlamentar deixou o Brasil acompanhado da esposa e das duas filhas, após perder o segundo turno das eleições presidenciais para Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no domingo, 25 de outubro. De acordo com os relatos publicados pelo Metrópoles, a operação teria envolvido um grupo restrito de aliados no Brasil e nos Estados Unidos, com o objetivo de organizar a viagem e viabilizar a entrada da família em território americano.

A participação atribuída a Rubio acrescentou um componente diplomático ao episódio, que já provocava repercussão por causa das medidas judiciais impostas ao senador. Aliados de Flávio afirmaram que o governo Trump tinha conhecimento da viagem e que o parlamentar pretendia solicitar asilo político assim que chegasse aos Estados Unidos. Até a divulgação das informações, porém, não havia confirmação pública oficial do governo americano de que Rubio tivesse coordenado a operação ou de que um pedido de asilo já tivesse sido formalizado.

Segundo a apuração divulgada pelo portal, a previsão era de que Flávio chegasse aos Estados Unidos nesta terça-feira, 27 de outubro, com possibilidade de entrada pela Flórida. Os aliados também afirmaram que o senador seria recebido por apoiadores brasileiros residentes no país e que seu irmão, Eduardo Bolsonaro (PL), deveria encontrá-lo na região no dia seguinte. O caso ganhou dimensão política porque a viagem teria ocorrido depois de uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para que Flávio entregasse seus passaportes à Polícia Federal.

Marco Rubio teria participado da articulação da viagem

A informação de que Marco Rubio teria arquitetado a saída de Flávio Bolsonaro foi atribuída a um aliado de Donald Trump, conforme o título e o conteúdo da reportagem do Metrópoles. O relato se soma às declarações de pessoas próximas à família Bolsonaro de que o governo americano já estava ciente da chegada do senador e estaria disposto a conceder asilo político. A suposta participação de Rubio, no entanto, deve ser entendida como uma alegação atribuída a interlocutores, e não como uma confirmação oficial divulgada pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos.

A operação teria contado com a participação de um grupo pequeno de aliados brasileiros e americanos. De acordo com a apuração publicada pelo portal, os interlocutores no Brasil teriam ficado responsáveis por organizar a saída do senador, enquanto os que vivem nos Estados Unidos teriam ajudado a viabilizar sua entrada no país. A estratégia teria buscado limitar a circulação das informações para evitar que os planos fossem divulgados antes da realização da viagem.

Os relatos também indicavam que Flávio pretendia apresentar um pedido de asilo político ao governo Trump depois de chegar aos Estados Unidos. A solicitação seria justificada, segundo os aliados, pelo cenário judicial enfrentado pelo senador no Brasil. Até o momento relatado, contudo, não havia confirmação pública de que o pedido tivesse sido protocolado, nem de que as autoridades americanas tivessem tomado uma decisão formal sobre sua concessão.

Flávio Bolsonaro teria viajado com a esposa e as filhas

Segundo a reportagem do Metrópoles, Flávio deixou o Brasil acompanhado da esposa, Fernanda, e das duas filhas do casal. A viagem teria sido organizada às pressas, com participação de aliados próximos, para evitar vazamentos sobre o deslocamento. A previsão informada pelos interlocutores era de que o senador chegasse aos Estados Unidos durante a tarde de terça-feira, com entrada pela Flórida.

O caso teve uma sequência de informações contraditórias ao longo da manhã. Inicialmente, aliados políticos disseram não saber onde Flávio estava e alguns chegaram a negar que ele tivesse deixado o país. Mais tarde, pessoas próximas à família passaram a confirmar a viagem, enquanto uma autoridade americana, segundo informação divulgada pela Reuters, afirmou que o senador estava a caminho dos Estados Unidos.

Uma das principais divergências envolveu o trajeto utilizado para sair do Brasil. Informações divulgadas pelo site argentino Infobae apontavam que Flávio teria atravessado a fronteira com a Argentina e embarcado em uma aeronave particular. Posteriormente, aliados afirmaram que ele não teria utilizado essa rota, enquanto a Polícia Federal verificava registros migratórios e informações sobre voos para esclarecer como ocorreu a saída.

Passaportes e determinação de Alexandre de Moraes

A possível viagem ocorreu após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinar que Flávio Bolsonaro entregasse seus passaportes à Polícia Federal. A ordem incluía os documentos comum e diplomático, e o prazo para cumprimento terminou na terça-feira, sem que o senador os entregasse. Diante do descumprimento, a Polícia Federal cancelou os passaportes brasileiros e adotou providências para verificar se o parlamentar havia deixado o território nacional.

A Polícia Federal também acionou autoridades argentinas para investigar os primeiros relatos sobre uma possível travessia da fronteira. As consultas iniciais não identificaram um registro oficial da entrada de Flávio na Argentina, o que manteve dúvidas sobre o percurso descrito nas notícias. Além disso, a corporação buscava esclarecer a movimentação de uma aeronave particular que teria sido utilizada na suposta viagem.

A ordem judicial e a possível saída do senador passaram a integrar o debate sobre as consequências legais do caso. A eventual utilização de documentos estrangeiros não elimina automaticamente os efeitos de uma determinação judicial brasileira, e a confirmação de uma viagem internacional não esclarece, por si só, todos os aspectos jurídicos envolvidos. As autoridades ainda precisavam verificar os detalhes da saída e informar ao STF sobre o cumprimento da decisão.

Pedido de asilo e repercussão política nos Estados Unidos

A possibilidade de Flávio solicitar asilo político ao governo Trump foi apresentada por aliados como um dos objetivos da viagem. O asilo é um mecanismo de proteção internacional cuja concessão depende da análise das autoridades competentes e dos requisitos previstos na legislação americana. Portanto, a intenção atribuída ao senador não significa que o pedido tenha sido formalizado ou que a proteção já tenha sido concedida.

A eventual participação de Marco Rubio também poderá ganhar relevância diplomática caso seja confirmada por fontes oficiais ou documentos. Como secretário de Estado, Rubio ocupa uma posição central na condução da política externa americana, mas a alegação de que ele teria organizado a viagem permanece atribuída ao aliado de Trump mencionado na reportagem. Até que haja manifestação oficial, não é possível tratar a suposta articulação como uma ação comprovada do governo dos Estados Unidos.

O episódio ocorre após a derrota eleitoral de Flávio para Lula e em meio às investigações que envolvem o senador no Brasil. As notícias sobre a viagem, a ordem relacionada aos passaportes e a possibilidade de um pedido de asilo ampliaram a repercussão do caso nos dois países. Os próximos esclarecimentos dependem da confirmação do paradeiro do parlamentar, das informações sobre sua entrada nos Estados Unidos e de eventuais manifestações oficiais dos governos envolvidos.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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