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Donald Trump gostou de ver a rapidez na apuração das eleições, mas confundiu o país

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confundiu o Brasil com a Índia ao comentar a rapidez da apuração do primeiro turno das eleições brasileiras de 2026. Em uma publicação feita na rede Truth Social, o republicano afirmou inicialmente que 125 milhões de pessoas haviam votado na eleição presidencial da Índia, embora o número citado correspondesse à votação realizada no Brasil. A mensagem foi publicada poucas horas depois do encerramento da votação brasileira, que terminou no domingo, 4 de outubro.

Apesar da confusão sobre o país, Trump elogiou a velocidade com que os resultados brasileiros foram divulgados. O presidente americano destacou que a apuração havia sido concluída no mesmo dia do encerramento das urnas, utilizando esse dado para fazer uma comparação com o processo eleitoral dos Estados Unidos. Posteriormente, a publicação foi editada e a referência à Índia foi substituída pelo Brasil.

Na mesma mensagem, Trump voltou a criticar a demora na divulgação de resultados eleitorais em determinadas regiões dos Estados Unidos. Ele mencionou cidades como Detroit e Filadélfia, além do estado da Califórnia, e afirmou que locais com quantidade menor de eleitores poderiam levar semanas para concluir a contagem. O comentário foi utilizado pelo presidente americano para defender sua conhecida crítica ao sistema eleitoral dos Estados Unidos.

Trump destacou rapidez da apuração brasileira

A referência feita por Trump ao número de eleitores se aproximou dos dados registrados no primeiro turno brasileiro. Mais de 158 milhões de eleitores estavam aptos a votar no Brasil e no exterior, enquanto cerca de 125 milhões efetivamente compareceram às urnas, segundo informações divulgadas durante a apuração. Os dados ajudaram a deixar claro que a publicação do presidente americano se referia ao processo eleitoral brasileiro, apesar da identificação inicial equivocada.

A apuração brasileira começou imediatamente após o encerramento da votação, às 17h pelo horário de Brasília. Com o horário de votação unificado nacionalmente, os procedimentos de transmissão e totalização puderam avançar de forma simultânea em todo o país. Os boletins de urna foram assinados digitalmente e os dados passaram pelo sistema de transmissão e totalização do Tribunal Superior Eleitoral.

A comparação feita por Trump ocorreu em um momento de atenção internacional sobre o resultado da eleição brasileira. O primeiro turno definiu Lula e Flávio Bolsonaro como os candidatos que avançaram para a segunda etapa da disputa presidencial. A votação do segundo turno está marcada para 25 de outubro, quando os eleitores voltarão às urnas para escolher o próximo presidente.

Confusão envolveu sistema eleitoral da Índia

A publicação também chamou atenção porque não houve eleição presidencial na Índia no domingo em que Trump fez o comentário. O sistema indiano possui uma eleição presidencial indireta, diferente do modelo brasileiro, no qual os eleitores escolhem diretamente o candidato à Presidência. A última eleição geral da Índia ocorreu em 2024, com participação de centenas de milhões de eleitores e divulgação do resultado após alguns dias de contagem.

Depois da repercussão, Trump corrigiu a referência ao país em sua publicação. A alteração deixou explícito que o comentário dizia respeito ao primeiro turno das eleições presidenciais brasileiras, mantendo a comparação com a velocidade de divulgação dos resultados nos Estados Unidos. A mudança ocorreu horas depois da publicação original e foi registrada por veículos que acompanharam a manifestação.

Trump não mencionou nominalmente Lula ou Flávio Bolsonaro na publicação. O foco da mensagem permaneceu na velocidade da apuração e na comparação com o processo eleitoral americano, sem indicação de apoio a qualquer um dos dois candidatos que avançaram ao segundo turno. A manifestação, portanto, foi direcionada principalmente ao funcionamento dos sistemas de votação e contagem de votos.

Trump corrigiu publicação sobre o Brasil

A manifestação do presidente americano também chamou atenção pelo tom utilizado ao criticar a apuração nos Estados Unidos. Ao comparar os resultados brasileiros com cidades e estados americanos, Trump afirmou que locais com números menores de votos poderiam levar semanas para divulgar os resultados. Em seguida, classificou o sistema de votação americano como corrupto, retomando críticas que já havia feito anteriormente ao processo eleitoral de seu país.

No caso brasileiro, a rapidez mencionada por Trump esteve relacionada ao funcionamento da urna eletrônica e à estrutura de transmissão e totalização utilizada pelo TSE. A apuração começou logo depois do fechamento das seções eleitorais e os resultados foram atualizados progressivamente ao longo da noite. O resultado do primeiro turno foi definido ainda no domingo, permitindo a confirmação dos dois candidatos que disputarão a segunda etapa.

A correção feita posteriormente retirou a referência equivocada à Índia, mas manteve o elogio à rapidez da apuração brasileira. O episódio acabou colocando o processo eleitoral do Brasil novamente no centro de uma manifestação de Trump, desta vez em razão da velocidade com que os resultados foram conhecidos. A publicação também repercutiu internacionalmente por combinar o reconhecimento dessa rapidez com uma crítica ao sistema eleitoral dos Estados Unidos.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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