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Deputados da oposição na Argentina querem que Milei esclareça sobre a passagem de Flávio pelo país

Deputados da oposição na Argentina protocolaram um pedido formal para que o governo de Javier Milei esclareça a passagem do senador brasileiro Flávio Bolsonaro pelo território argentino antes de seguir viagem aos Estados Unidos. A iniciativa busca obter informações oficiais sobre os registros migratórios do parlamentar, de sua mulher, Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro, e das duas filhas do casal. A solicitação foi apresentada pelo deputado socialista Esteban Paulón, conforme informou o UOL nesta quarta-feira, 28 de outubro.

Os parlamentares querem saber se as autoridades argentinas tinham conhecimento das restrições judiciais impostas a Flávio no Brasil, incluindo a determinação de apreensão de seus passaportes e a proibição de deixar o território brasileiro. A cobrança ocorre depois que o governo argentino confirmou a entrada do senador e de seus familiares pela fronteira com o Brasil, na noite de terça-feira, 27 de outubro. Segundo os registros oficiais, a família atravessou a Ponte Internacional Tancredo Neves, na província de Misiones, e embarcou em um voo privado para Guayaquil, no Equador.

A movimentação provocou questionamentos sobre os procedimentos adotados pelas autoridades argentinas e sobre a eventual existência de informações prévias a respeito da situação judicial do senador. A oposição quer esclarecer quais documentos foram apresentados na fronteira e se havia algum alerta ou restrição que pudesse afetar a entrada ou a saída do parlamentar. O caso ganhou repercussão política nos dois países após Flávio deixar o Brasil e seguir viagem em direção a Miami, nos Estados Unidos.

Deputados argentinos exigem explicações do governo Milei

O pedido de esclarecimento foi protocolado pelo deputado socialista Esteban Paulón na Câmara dos Deputados da Argentina, segundo informações publicadas pelo jornal espanhol El País. A iniciativa solicita detalhes sobre os registros de entrada e saída de Flávio Bolsonaro e questiona se o governo tinha conhecimento das medidas judiciais que atingiam o senador brasileiro. O documento também busca esclarecer se as autoridades argentinas receberam alguma comunicação sobre a retenção de documentos ou outras restrições relacionadas ao parlamentar.

Outras integrantes da oposição também cobraram explicações do governo de Javier Milei sobre a passagem de Flávio pelo país. A senadora peronista Juliana Di Tullio afirmou que o ministro do Interior, Diego Santilli, precisa explicar como ocorreu a movimentação na fronteira e quais procedimentos foram adotados pelas autoridades. As manifestações ampliaram a pressão política sobre o Executivo argentino para que apresente informações sobre a viagem e sobre os controles migratórios realizados.

A deputada Myriam Bregman, integrante da Frente de Esquerda, também criticou a situação e defendeu que o governo esclareça a passagem do senador pelo território argentino. Em declaração ao El País, ela questionou a postura de setores da direita que, segundo sua avaliação, defendem medidas rigorosas, mas recorrem à proteção de aliados políticos em situações semelhantes. A fala foi apresentada como uma crítica da parlamentar ao que considera tratamento diferente entre adversários e integrantes do mesmo campo político.

Governo argentino confirma entrada e saída da família

A Direção Nacional de Migrações da Argentina divulgou um comunicado na madrugada de quarta-feira confirmando que Flávio Bolsonaro e seus familiares entraram no país às 22h50 de terça-feira. O documento identificou o senador como Flavio Nantes Bolsonaro e também registrou os nomes de Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro, Carolina Figueira Bolsonaro e Luiza Figueira Bolsonaro. Segundo o órgão, os quatro apresentaram documentos de viagem válidos e não tinham impedimentos legais registrados para ingressar em território argentino naquele momento.

A autoridade migratória informou ainda que a família embarcou às 23h30 em uma aeronave privada operada pela empresa Baires Fly S.A., com destino a Guayaquil, no Equador. Os horários divulgados permitiram reconstruir a sequência entre a travessia terrestre da fronteira e a partida do avião, que posteriormente seguiu para os Estados Unidos. A confirmação oficial também encerrou as dúvidas que haviam surgido anteriormente sobre a presença do senador na Argentina.

O pedido da oposição, entretanto, procura esclarecer se as autoridades argentinas conheciam as medidas determinadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), antes da passagem de Flávio pelo país. A decisão judicial brasileira previa a apreensão dos passaportes do senador e a proibição de deixar o território nacional, conforme informações divulgadas sobre o caso. Os deputados argentinos querem saber se houve comunicação entre os órgãos responsáveis e se alguma restrição foi considerada durante os procedimentos migratórios.

Javier Milei é pressionado a esclarecer o caso

A repercussão da viagem também levou parlamentares oposicionistas a questionarem a relação entre o governo de Javier Milei e Flávio Bolsonaro, integrante de uma família que mantém proximidade política com o presidente argentino. As críticas se concentraram na necessidade de transparência sobre a passagem do senador e na atuação das autoridades responsáveis pelo controle da fronteira. Até o momento descrito nas informações divulgadas, o comunicado oficial argentino confirmava a entrada regular da família, mas não esclarecia se o governo tinha conhecimento prévio das determinações judiciais brasileiras.

Enquanto a oposição cobrava respostas em Buenos Aires, Flávio Bolsonaro seguia viagem para os Estados Unidos depois de passar pela Argentina e pelo Equador. A solicitação apresentada por Esteban Paulón pretende obter documentos e esclarecimentos sobre os procedimentos adotados durante o deslocamento internacional do senador. A resposta do governo Milei poderá esclarecer quais informações estavam disponíveis às autoridades argentinas e como os controles migratórios foram conduzidos no caso.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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