Vereador Senival Moura voltou a ser preso, ele é investigado por suposta participação em esquema de lavagem de dinheiro

O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) determinou novamente a prisão do vereador licenciado Senival Moura (PT), investigado por suspeita de participação em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte público da capital paulista. O parlamentar foi preso na manhã desta quarta-feira, 28 de outubro, em sua residência, durante uma ação da Polícia Civil. Além dele, outras seis pessoas investigadas no caso também tiveram a prisão decretada, em uma nova etapa das apurações sobre a possível utilização de empresas de ônibus para movimentar recursos de origem criminosa.
A investigação envolve a Transunião, empresa de transporte coletivo que opera linhas na zona leste de São Paulo e que, segundo as autoridades, teria sido utilizada em um esquema de lavagem de dinheiro associado à facção criminosa. Os mandados de prisão são cumpridos pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), em conjunto com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo. A nova ordem judicial ocorreu depois que Senival havia sido solto em agosto, quando uma decisão anterior considerou irregular o prazo aplicado à sua prisão temporária.
Senival foi preso pela primeira vez em junho, durante a Operação Última Parada, conduzida pela Polícia Civil e pelo Ministério Público paulista. Em outubro, o parlamentar e outras 20 pessoas foram denunciados à Justiça por suspeita de envolvimento no esquema investigado. O caso apura a possível existência de uma estrutura paralela de controle financeiro da Transunião, com movimentações que, segundo os investigadores, poderiam ter servido para ocultar recursos vinculados ao PCC.
Por que Senival Moura voltou a ser preso
A nova prisão ocorreu após o Ministério Público recorrer da decisão que havia colocado o vereador em liberdade. Em agosto, a desembargadora Carla Rahal Benedetti, da 11ª Câmara Criminal do TJ-SP, entendeu que a prisão temporária deveria ter duração de cinco dias, e não de 30 dias, como havia sido determinado inicialmente. Com esse entendimento, a magistrada ordenou a soltura de Senival, que deixou a prisão no dia 5 de agosto.
A nova ordem judicial foi expedida no contexto do avanço das investigações e da apresentação da denúncia contra os suspeitos. A Justiça voltou a determinar a prisão do vereador e de outras seis pessoas relacionadas ao caso, enquanto equipes policiais passaram a cumprir os mandados. A medida representa uma nova etapa do processo, mas não significa que as acusações tenham sido definitivamente comprovadas, já que a responsabilidade criminal dos investigados deverá ser examinada no decorrer da ação penal.
A defesa de Senival contestou a nova decisão e afirmou que a prisão preventiva não apresenta fundamentação concreta suficiente para justificar a privação de liberdade. Os advogados sustentam que a existência de uma denúncia não é, por si só, motivo bastante para manter uma pessoa presa preventivamente e questionam a ausência de fatos novos que demonstrem a necessidade da medida. O vereador nega envolvimento com organização criminosa ou participação em lavagem de dinheiro e afirma confiar na Justiça.
Investigação envolve empresa de ônibus da zona leste
A Operação Última Parada foi deflagrada em 25 de junho para investigar suspeitas de lavagem de dinheiro por meio da Transunião. Segundo o Ministério Público, a empresa teria sido utilizada em operações financeiras relacionadas ao PCC, com suspeita de circulação de recursos entre pessoas físicas e jurídicas ligadas ao grupo investigado. Senival é apontado pelas autoridades como uma das figuras centrais do suposto esquema, embora ele negue as acusações.
As apurações também examinam a influência que o vereador teria exercido sobre decisões administrativas e financeiras da companhia, mesmo sem ocupar formalmente uma posição correspondente na estrutura societária. Os investigadores suspeitam que existia um núcleo paralelo responsável por orientar decisões empresariais e movimentar recursos. Essas hipóteses fazem parte do material reunido no inquérito e deverão ser avaliadas pela Justiça durante a tramitação do processo.
O caso ganhou novos desdobramentos em outubro, quando o Ministério Público apresentou denúncia contra Senival e outras 20 pessoas. A acusação reúne suspeitas relacionadas à utilização do setor de transporte público para movimentar e ocultar dinheiro supostamente ligado à organização criminosa. A denúncia formaliza a acusação perante a Justiça, mas os investigados mantêm o direito à defesa e à presunção de inocência até eventual condenação definitiva.
Histórico da prisão e próximos passos do caso
Senival Moura foi detido inicialmente em junho, durante a operação que investigou possíveis conexões entre a Transunião e o PCC. Depois da soltura em agosto, o vereador publicou um vídeo nas redes sociais em que afirmou ser inocente e contestou a forma como as acusações foram divulgadas. Na ocasião, ele também declarou que pretendia demonstrar judicialmente que não havia cometido os crimes atribuídos a ele.
Após a primeira prisão, Senival pediu afastamento do Partido dos Trabalhadores (PT), ao qual era filiado. A nova ordem de prisão foi cumprida enquanto as autoridades avançavam na apuração das suspeitas envolvendo a empresa de ônibus e os demais investigados. A investigação também reúne elementos sobre as relações entre os suspeitos e a estrutura financeira da companhia, que atende passageiros na zona leste da capital paulista.
Com a nova prisão, Senival volta a ficar sob custódia enquanto o caso prossegue na Justiça. O Ministério Público deverá sustentar as acusações apresentadas, e a defesa poderá contestar os elementos reunidos pelos investigadores e os fundamentos da medida cautelar. O processo deverá esclarecer se houve participação do vereador e dos demais denunciados no suposto esquema de lavagem de dinheiro e se as operações da Transunião foram utilizadas para beneficiar integrantes do PCC.





