Dos EUA, Flávio prevê crise econômica de Lula e fala em possível eleição antes de 2030

Diretamente dos Estados Unidos, em transmissão ao vivo realizada nesta sexta-feira, 30 de outubro, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fez uma série de afirmações sobre a conjuntura política e econômica do Brasil, além de detalhar os motivos que o levaram a deixar o país logo após o segundo turno das eleições presidenciais. Derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o parlamentar sinalizou que enxerga um quadro de dificuldades pela frente e reafirmou sua disposição de seguir atuando na vida política, agora do exterior.
Economia como fator de desgaste e possibilidade de eleição antecipada
Na avaliação de Flávio, o desempenho da economia será o principal ponto de pressão sobre o novo governo. “Eu acho que a minha expectativa é que a economia vai ser o principal fator de desgaste do atual governo. O cenário é muito pior do que o da Dilma lá em 2014, 2015”, declarou. Ele argumentou que o presidente terá dificuldade em conciliar compromissos de campanha com a realidade das contas públicas. “Se ele cumprir o que prometeu, vai ter que tomar medidas muito radicais na economia. Se ele fizer aquilo que prometeu, o Brasil vai quebrar ainda mais rápido”, afirmou, sem detalhar especificamente quais medidas seriam essas. O senador chegou a dizer que a deterioração econômica poderia abreviar o mandato presidencial, abrindo caminho para uma nova eleição antes de 2030, sem apresentar elementos concretos que sustentassem essa projeção.
Candidatura em perspectiva e quase 60 milhões de votos
Ao comentar seu futuro político, Flávio mencionou os expressivos 59,8 milhões de votos recebidos no segundo turno. “Inclusive, se for preciso para disputar a Presidência da República de novo, esses quase 60 milhões de votos que vocês me deram, para mim significa demais”, disse. Em seguida, deixou claro que não necessariamente aguardaria o calendário eleitoral regular. “Eu não estou falando de 2030, não. Eu estou falando de antes disso”, ressaltou. A afirmação deixa em aberto sua disposição de disputar eleições em um cenário que, segundo ele próprio, ainda está em construção.
Decisão de sair do Brasil após encontro com o pai
O senador também detalhou os momentos que antecederam sua saída do país. Contou que, na segunda-feira, 26 de outubro, visitou o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar. Tinha autorização para uma visita de 30 minutos na condição de advogado. Ao término do encontro, foi informado de que agentes da Polícia Federal estavam na entrada com uma intimação: determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, para que entregasse seus passaportes e não saísse do território nacional. “Pai, começou a perseguição até um pouco antes do que eu imaginava que começaria”, relatou ter dito ao ex-presidente. Segundo seu relato, Jair Bolsonaro pediu que os policiais se afastassem e disse: “Já sabe onde é que eles querem chegar com isso, não é?”. Flávio afirmou ter respondido que estava preparado e, ao chegar em casa, conversou com a esposa, Fernanda, e decidiu viajar com as duas filhas do casal.
“Não saí do Brasil. Saí pelo Brasil”
Flávio negou que terceiros tenham organizado sua viagem e destacou que a decisão foi tomada em conjunto com a esposa, sem que aliados ou integrantes da campanha tivessem conhecimento prévio. “A decisão eu tomei junto com a minha esposa, sem que ninguém soubesse, até porque se soubessem, a chance de dar errado seria maior”, justificou. Rejeitou também a interpretação de que tenha deixado o país de forma equivocada. “Eu não saí do Brasil. Eu saí pelo Brasil”, declarou. O senador disse ter avaliado os riscos de permanecer no Brasil diante daquela ordem judicial e optou por sair, sem apresentar maiores detalhes sobre como conseguiu cruzar a fronteira em desacordo com a determinação de não deixar o país. A Polícia Federal segue apurando as circunstâncias da saída.
Liderança da oposição dos Estados Unidos
Do exterior, Flávio pretende se posicionar como uma voz da oposição. “Aqui de fora eu vou conseguir manifestar um pouquinho mais de liberdade o pensamento de muita gente”, afirmou. Classificou o cenário institucional brasileiro como um “regime de exceção” e disse não enxergar instâncias a quem recorrer em caso de injustiça. Também anunciou apoio formal ao senador Rogério Marinho (PL-RN) para a presidência do Senado Federal. “A nossa trincheira neste momento será o Congresso Nacional, em especial o Senado Federal. E a pessoa que eu vou indicar é o Rogério Marinho para a presidência do Senado Federal”, declarou, pedindo que seus apoiadores cobrem dos senadores eleitos o voto no nome indicado. Por fim, criticou articulações políticas que envolveriam a situação judicial do pai. “Essas tentativas de negociação, usando como moeda de troca a liberdade do presidente Bolsonaro, são nojentas”, afirmou, sem especificar quem estaria envolvido nessas supostas tratativas.
Debate político segue com clareza e institucionalidade
As declarações feitas por Flávio Bolsonaro refletem uma nova fase na dinâmica da oposição brasileira, com um de seus principais nomes atuando do exterior. Cabe ressaltar que afirmações sobre antecipação de eleições, cenários econômicos e processos institucionais devem ser acompanhadas de dados e provas quando apresentadas publicamente. A democracia brasileira se fortalece quando o debate político ocorre com respeito às instituições, dentro dos marcos legais e com informações verificáveis à disposição de todos os cidadãos. Que os próximos meses sejam marcados pelo confronto de ideias dentro dos canais democráticos, sempre em busca do bem comum do nosso país.





