Daniel Vorcaro negou os crimes financeiros e garantiu que não houve fraude

Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, negou ter cometido fraude nas operações financeiras realizadas com o Banco de Brasília (BRB) e afirmou que está preso injustamente em razão das acusações relacionadas ao negócio. A declaração foi apresentada durante um depoimento à Polícia Federal (PF), no qual o empresário contestou a existência de irregularidades na negociação de carteiras de crédito entre as duas instituições financeiras. Além de rejeitar as acusações, Vorcaro pediu que a investigação fosse arquivada e defendeu a realização de uma perícia independente para avaliar os ativos envolvidos nas transações bilionárias.
O depoimento ganhou repercussão depois que trechos da manifestação do banqueiro foram divulgados em 30 de outubro de 2026, em meio ao avanço das investigações sobre o Banco Master e sua relação comercial com o BRB. Segundo os investigadores, as operações movimentaram aproximadamente R$ 17,5 bilhões em ativos entre julho de 2024 e outubro de 2025, sendo que pelo menos R$ 12 bilhões apresentariam indícios de irregularidades. Entretanto, Vorcaro apresentou uma versão diferente dos acontecimentos e sustentou que os problemas identificados durante as negociações foram solucionados por meio da substituição das carteiras de crédito por outros ativos.
Durante o interrogatório, o empresário também questionou a condução das investigações e afirmou que a Polícia Federal e o Banco Central deveriam analisar o conjunto das operações antes de responsabilizá-lo criminalmente. Segundo sua argumentação, ele não provocou prejuízos ao banco público e chegou a utilizar recursos de seu próprio patrimônio para resolver pendências relacionadas aos negócios. A manifestação colocou novamente em evidência a divergência entre a versão apresentada pelo ex-banqueiro e as conclusões preliminares dos investigadores, que apontam a existência de uma estrutura organizada para realizar operações financeiras consideradas fraudulentas.
Vorcaro nega fraude com BRB e contesta investigação da Polícia Federal
Ao longo do depoimento, Vorcaro afirmou que não comercializou carteiras de crédito inexistentes com o Banco de Brasília e contestou a interpretação dos investigadores sobre as transações realizadas pelo Banco Master. O empresário explicou que, quando identificou problemas relacionados a determinadas carteiras, providenciou a substituição dos ativos por outros considerados adequados para compensar os valores envolvidos nas operações. Além disso, declarou que colocou bens de seu patrimônio pessoal na negociação, sustentando que sua intenção era resolver as pendências comerciais, e não provocar prejuízos à instituição financeira controlada pelo governo do Distrito Federal.
Em um dos momentos mais contundentes do interrogatório, o ex-banqueiro afirmou que estava preso injustamente e pediu que os investigadores considerassem a possibilidade de contratar uma empresa internacional para avaliar os ativos utilizados nas substituições. Na avaliação apresentada por ele, uma perícia independente poderia demonstrar que os bens entregues ao BRB tinham valor suficiente para cobrir os recursos envolvidos nas negociações. Vorcaro também questionou a existência de prejuízo efetivo e afirmou que a investigação deveria considerar as operações posteriores, em vez de analisar isoladamente as carteiras que inicialmente apresentaram problemas.
O empresário ainda pediu que o procedimento fosse arquivado, alegando que não existiriam provas suficientes para sustentar as acusações contra ele. Durante a conversa com a delegada responsável pelo interrogatório, Vorcaro afirmou que a repercussão nacional do caso poderia influenciar a percepção pública sobre os fatos e defendeu que os investigadores mantivessem independência diante da pressão externa. Apesar das declarações, a Polícia Federal apresentou conclusões diferentes no relatório encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), no qual o empresário foi indiciado por suspeitas de gestão fraudulenta, indução de investidores a erro em operação financeira, fraude à fiscalização, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
Caso Banco Master e BRB envolve bilhões em operações suspeitas
A investigação sobre o Banco Master e o BRB envolve uma sequência de negociações de carteiras de crédito realizadas entre julho de 2024 e outubro de 2025, período em que aproximadamente R$ 17,5 bilhões em ativos foram transferidos entre as instituições. Segundo a Polícia Federal, uma parcela superior a R$ 12 bilhões apresentaria indícios de irregularidades, incluindo operações sustentadas por créditos cuja existência não teria sido devidamente comprovada. Os investigadores também apontaram a participação de empresas utilizadas na estrutura das negociações, entre elas a Tirreno, que teria sido empregada para movimentar carteiras de crédito consideradas fictícias.
Um dos principais pontos de divergência está na avaliação dos prejuízos provocados pelas operações, especialmente porque Vorcaro sustenta que os ativos problemáticos foram substituídos e que o BRB recebeu outros bens para compensar os valores envolvidos. A Polícia Federal, por sua vez, informou que aproximadamente R$ 2,7 bilhões em perdas já haviam sido formalizadas e reconhecidas no conjunto das operações investigadas, conforme o relatório apresentado ao STF. Dessa maneira, a discussão não envolve apenas a existência das carteiras inicialmente negociadas, mas também a qualidade, a origem, a documentação e o valor efetivo dos ativos posteriormente utilizados para substituir os créditos questionados.
O relatório policial também aponta Daniel Vorcaro como figura central na estrutura investigada, atribuindo a ele participação pessoal nas decisões relacionadas às operações financeiras. Além do ex-controlador do Banco Master, foram indiciados o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e outros investigados, totalizando 15 pessoas, segundo as informações divulgadas sobre a conclusão da primeira etapa do inquérito. A Polícia Federal encaminhou um relatório com mais de 700 páginas ao Supremo Tribunal Federal e solicitou a continuidade das apurações, com a realização de diligências e perícias complementares para esclarecer a dimensão das irregularidades identificadas.
Vorcaro pede liberdade e questiona responsabilidade pela crise do BRB
Outro argumento apresentado pelo ex-banqueiro foi a contestação de sua responsabilidade pela crise enfrentada pelo Banco de Brasília depois da liquidação do Banco Master e da divulgação das suspeitas envolvendo as duas instituições. Vorcaro afirmou que a perda de confiança no sistema financeiro e a retirada de aproximadamente R$ 9 bilhões em recursos do BRB teriam sido provocadas pelas consequências da liquidação do Master e pela repercussão das investigações. Com isso, procurou afastar a associação direta entre sua atuação nas negociações e as dificuldades enfrentadas pelo banco público, embora essa interpretação seja contestada pelos elementos apresentados pela Polícia Federal.
Ao final do depoimento, Vorcaro voltou a pedir que fosse colocado em liberdade enquanto as investigações prosseguissem, defendendo que pudesse aguardar os resultados das perícias fora da prisão. O empresário também afirmou que pretende demonstrar judicialmente sua versão sobre as operações e responsabilizou as interpretações dos investigadores pelo que considera uma acusação injusta. O caso permanece sob análise das autoridades, e as declarações do ex-banqueiro representam sua linha de defesa, enquanto a confirmação ou não dos crimes dependerá da produção de provas, das perícias e das decisões da Justiça.





