Flávio Bolsonaro fez uma live na última sexta-feira (30) e disse que saiu ‘pelo Brasil’

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) apresentou uma justificativa para sua saída do Brasil e resumiu sua decisão com uma frase que marcou sua primeira manifestação pública após chegar aos Estados Unidos: “Eu não saí do Brasil, eu saí pelo Brasil”. A declaração foi feita durante uma transmissão ao vivo nas redes sociais, na noite de sexta-feira, 30 de outubro, quando o parlamentar explicou por que decidiu viajar com a esposa, Fernanda, e as duas filhas. Segundo ele, a permanência no exterior permitirá ampliar sua atuação política e representar os apoiadores que, em sua avaliação, não encontram espaço suficiente para se manifestar livremente no país.
Ao explicar o sentido da frase, Flávio afirmou que não considera sua saída um abandono da política brasileira, mas uma mudança de posição para continuar participando do debate nacional. O senador argumentou que, estando nos Estados Unidos, poderá expressar opiniões com maior liberdade e manter contato com eleitores, aliados e integrantes da oposição ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Dessa forma, procurou apresentar a viagem não como um afastamento de suas responsabilidades políticas, mas como uma estratégia para continuar exercendo influência mesmo estando fisicamente distante do território brasileiro.
A declaração ocorreu depois de dias de questionamentos sobre as circunstâncias da viagem e sobre os motivos que levaram o senador a deixar o país. Flávio contou que a decisão foi tomada depois de uma conversa com a esposa, após um encontro com o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar. Ele também afirmou que o planejamento foi mantido em sigilo e que nenhuma outra pessoa participou da escolha, pois, segundo sua avaliação, a divulgação antecipada poderia comprometer a viagem.
A frase de Flávio Bolsonaro e a justificativa para permanecer nos Estados Unidos
Ao repetir que havia saído pelo Brasil, Flávio tentou afastar a interpretação de que sua mudança para os Estados Unidos representaria uma desistência da disputa política. Durante a transmissão, afirmou que pretende continuar sendo uma voz ativa dos eleitores que o apoiaram na eleição presidencial e que não pretende interromper sua atuação por estar fora do país. O senador também declarou que, caso permanecesse no Brasil, poderia enfrentar limitações para se comunicar com seus apoiadores, situação que associou ao ambiente político e judicial que, segundo ele, estaria em vigor.
Flávio afirmou que pretende utilizar sua presença no exterior para ampliar as críticas ao governo Lula e às instituições brasileiras. Na avaliação apresentada pelo parlamentar, sua permanência nos Estados Unidos permitirá que ele manifeste opiniões que considera difíceis de expressar dentro do território nacional, sem deixar de participar das articulações da oposição. Ele também procurou transmitir a mensagem de que continuará acompanhando os acontecimentos políticos e trabalhando para mobilizar os apoiadores que permaneceram no Brasil.
A frase escolhida pelo senador também foi acompanhada de críticas à Justiça e de acusações de perseguição política. Flávio voltou a questionar decisões judiciais e o resultado da eleição presidencial, além de levantar suspeitas sobre o processo eleitoral sem apresentar provas que demonstrassem a existência de fraude. Ao sustentar que sua saída teria sido motivada pela necessidade de continuar falando publicamente, o parlamentar associou sua decisão a uma estratégia de enfrentamento político que pretende desenvolver a partir dos Estados Unidos.
Alerta de Jair Bolsonaro antecedeu decisão de viajar com a família
Durante a transmissão, Flávio relatou que sua decisão começou a ser considerada depois de uma visita ao pai, realizada na segunda-feira, 26 de outubro. Segundo o senador, ele esteve na residência de Jair Bolsonaro durante aproximadamente 30 minutos, em uma visita autorizada na condição de advogado, e não imaginava que aquela poderia ser a última oportunidade de conversar pessoalmente com o ex-presidente por algum tempo. O encontro ocorreu em um momento de tensão familiar, especialmente diante das consequências políticas e judiciais da derrota eleitoral.
Flávio contou que, depois da conversa, percebeu a presença de agentes da Polícia Federal e foi informado sobre uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), relacionada à apreensão de seus passaportes e à proibição de deixar o país. Ao relatar o episódio, afirmou que Jair Bolsonaro pediu para conversar reservadamente e demonstrou preocupação com o que poderia acontecer com o filho. Conforme a versão apresentada pelo senador, o ex-presidente teria perguntado: “Já sabe onde é que eles querem chegar com isso, né?”.
O parlamentar afirmou que respondeu ao pai demonstrando que havia compreendido o alerta e que estava preparado para enfrentar a situação. Depois de deixar a residência, voltou para casa e conversou com Fernanda sobre a possibilidade de viajar com a família, decisão que, segundo ele, foi tomada pelos dois. Flávio declarou que a escolha não foi simples, mas afirmou que considerou necessário deixar o país para preservar a possibilidade de continuar se manifestando politicamente.
Senador promete liderar oposição e admite nova candidatura presidencial
Além de justificar a frase sobre ter saído pelo Brasil, Flávio utilizou a transmissão para apresentar os próximos passos de sua atuação política. O senador afirmou que pretende continuar participando das articulações da oposição ao governo Lula, mesmo estando nos Estados Unidos, e indicou o Congresso Nacional como espaço central dessa movimentação. Durante a live, também manifestou apoio ao senador Rogério Marinho (PL-RN) para a presidência do Senado e pediu que os apoiadores pressionem seus representantes a apoiar essa candidatura.
Flávio ainda voltou a falar sobre a possibilidade de disputar novamente a Presidência da República. Ao comentar o resultado da eleição, mencionou os votos recebidos e afirmou que poderia concorrer antes de 2030, caso surgisse uma oportunidade para uma nova disputa presidencial. A declaração ampliou o alcance político da transmissão, que deixou de tratar apenas dos motivos da viagem e passou a apresentar uma sinalização sobre o futuro do senador na oposição.
A frase “Eu não saí do Brasil, eu saí pelo Brasil” sintetizou, portanto, a tentativa de Flávio de transformar a saída do território nacional em uma justificativa para continuar atuando politicamente do exterior. O senador afirmou que pretende manter sua influência sobre os apoiadores, participar das articulações partidárias e disputar novamente a Presidência, se considerar necessário. Enquanto isso, sua permanência nos Estados Unidos mantém em evidência as circunstâncias da viagem e o confronto político e judicial que ele próprio colocou no centro de sua manifestação.





