Secretário diz que governo dos EUA ‘não se envolveu diretamente’ na fuga de Flávio

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, declarou oficialmente neste sábado, 31 de outubro, que o governo norte-americano não esteve envolvido na organização da viagem que levou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aos Estados Unidos logo após o segundo turno das eleições presidenciais. A declaração busca esclarecer as circunstâncias da chegada do parlamentar à Flórida, dias depois de o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, ter determinado a retenção de seus passaportes e a proibição de sair do território nacional.
“Não participamos diretamente de nenhuma ação”, afirma Rubio
Em declarações à imprensa, o chefe da diplomacia americana foi direto: “Não estávamos envolvidos em nenhum dos acordos ou preparativos que ele fez para deixar o Brasil. O governo dos Estados Unidos não participou diretamente de nenhuma das ações realizadas”. A posição oficial afasta a hipótese de intervenção diplomática prévia para facilitar a saída do senador do país. Rubio esclareceu, porém, que a entrada nos EUA ocorreu com base em decisão do presidente Donald Trump, após a chegada de Flávio ao território americano.
Trump autorizou entrada condicional; senador já possuía visto válido
Segundo explicou o secretário, o presidente dos Estados Unidos “deixou claro que, se ele se apresentasse em um ponto de entrada, receberia autorização de entrada condicional”. “Fomos informados de sua chegada aos Estados Unidos. Ele já possuía visto válido, e o presidente decidiu autorizar sua entrada no país”, acrescentou. Ou seja, embora não tenha organizado a viagem, o governo americano decidiu permitir sua permanência assim que ele chegou à fronteira, em uma decisão diretamente acompanhada pelo presidente norte-americano.
Rota pela América do Sul e saída em desacordo com ordem judicial
Flávio Bolsonaro deixou o Brasil poucos dias após ser derrotado nas urnas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em uma operação mantida em sigilo, ele cruzou a fronteira com a Argentina e seguiu por uma rota que incluiu escala no Equador antes de desembarcar na Flórida. A saída ocorreu a despeito da determinação judicial de não se ausentar do país e de entregar os documentos de viagem. A Polícia Federal segue apurando as circunstâncias da travessia, já que não há registro oficial de sua saída pelos postos de controle migratório brasileiros.
Investigações no STF motivaram restrição de viagem
A ordem judicial que reteve os passaportes foi emitida no âmbito de inquéritos que tramitam no Supremo Tribunal Federal. O senador é investigado em dois processos principais: um que apura supostas transações financeiras irregulares ligadas ao advogado Willer Tomaz, e outro sobre o financiamento de um documentário sobre a trajetória política de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. A proibição de sair do país é uma medida cautelar comum em investigações dessa natureza, destinada a garantir a presença do investigado durante os trâmites legais.
Encontro com Mauro Vieira durante cúpula do G7
Além da questão envolvendo Flávio Bolsonaro, Marco Rubio confirmou que deverá se encontrar com o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, durante a reunião de cúpula do G7, que será realizada na França. O encontro ocorre em um momento em que as relações entre os dois países seguem sendo acompanhadas com atenção, especialmente em temas como comércio, clima e cooperação diplomática. A agenda bilateral segue independente de casos individuais, conforme indicam as declarações de ambos os lados.
Cada país conduz seus processos dentro de sua soberania
A declaração de Rubio estabelece uma distinção importante: o governo americano não organizou a viagem, mas decidiu receber o senador quando ele chegou ao seu território. Cabe agora às autoridades brasileiras concluir suas apurações sobre como ocorreu a saída do país, enquanto os Estados Unidos definem, conforme suas próprias regras, a situação de permanência do parlamentar em seu território. Que cada nação possa conduzir seus processos com clareza, dentro de sua soberania e do respeito recíproco que deve nortear as relações entre os países.





