Mendonça passou bilhete a Toffoli em meio à sessão no plenário do STF

Num dos momentos mais observados da primeira etapa da sessão que decidirá sobre a abertura de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes, o ministro André Mendonça fez chegar um bilhete ao colega Dias Toffoli por intermédio de um assessor. A troca ocorreu às 11h48, enquanto o ministro Gilmar Mendes discursava sobre ofício enviado por Flávio Dino ao presidente da Corte, Edson Fachin. Toffoli leu o recado e respondeu com um sinal de aprovação, o conhecido “joinha”. A cena, presenciada por quem acompanhava os trabalhos, ganhou relevância justamente por refletir a proximidade entre os magistrados num momento de intensa divisão interna.
O documento de Flávio Dino questionava a manutenção da relatoria da Petição 16.662 sob a responsabilidade de André Mendonça. O processo, que trata dos vínculos entre Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, foi posteriormente assumida por Edson Fachin. A transferência da relatoria ocorreu em meio a divergências sobre a condução dos trabalhos, com argumentos de que a forma como o material foi tornado público poderia trazer questionamentos sobre a imparcialidade do próprio relator. A decisão de Fachin alterou o rumo do julgamento e reacendeu debates sobre os ritos internos da Corte.
Chamou ainda mais atenção o fato de que Dias Toffoli já havia se declarado impedido de participar da votação. A condição de afastado do processo não impediu a troca de mensagem, o que desperta indagações sobre a natureza e o conteúdo do recado. O regimento do Supremo prevê que ministros impedidos não devem intervir nos processos dos quais se afastam, embora não haja norma explícita que proíba qualquer comunicação entre os integrantes da Corte. Ainda assim, a cena alimenta a percepção de que alianças e entendimentos informais seguem em curso.
Além de Toffoli, o ministro Kassio Nunes Marques também comunicou seu impedimento para apreciar o caso. Com isso, dois votos já não serão computados na decisão final, o que pode influenciar o equilíbrio do plenário. A primeira metade da sessão foi marcada por confrontos diretos entre os magistrados, com trocas de afirmações que revelaram visões profundamente opostas sobre os fatos, as provas e a própria legitimidade do julgamento. O clima de serenidade esperado em momentos solenes cedeu lugar a acusações e contestações públicas.
A sessão foi suspensa por volta das 13h e está prevista para ser retomada às 15h. O intervalo permite que os ministros reflitam e que as posições sejam reafirmadas ou ajustadas antes da retomada dos trabalhos. Até agora, não houve votação; os pronunciamentos iniciais apenas desenharam o cenário de divergência que deverá se aprofundar na etapa seguinte. A expectativa é de que cada ministro exponha claramente seu entendimento sobre a existência ou não de elementos que justifiquem investigação formal.
A sociedade acompanha com atenção cada detalhe, pois o que está em jogo ultrapassa o destino de um processo: envolve a confiança no funcionamento do mais alto tribunal do país. A transparência sobre os critérios de impedimento, a lisura na condução dos debates e a clareza nas decisões são fundamentais para que os cidadãos reconheçam a legitimidade do resultado. Nos próximos momentos, o Supremo mostrará não apenas como julga um de seus membros, mas também como cuida de sua própria credibilidade diante do Brasil.





