Desde 2020 a inadimplência no Brasil cresceu mais de 34% e esse número poderá aumentar ainda mais

A inadimplência no Brasil atingiu um novo recorde histórico e passou a representar um dos principais desafios financeiros enfrentados pela população em 2026. De acordo com o Mapa da Inadimplência e Renegociação de Dívidas de setembro, divulgado pela Serasa nesta segunda-feira, 2 de novembro, o país chegou a 84,2 milhões de pessoas com contas atrasadas e registros negativos no mercado de crédito. O levantamento mostra que o problema continua avançando, apesar das iniciativas de renegociação e das condições especiais oferecidas por empresas para facilitar a regularização dos débitos.
O número representa um aumento em relação a agosto, quando 83,9 milhões de brasileiros estavam negativados, demonstrando que a dificuldade para manter os compromissos financeiros em dia permanece elevada. Na comparação com setembro de 2025, o crescimento foi de 6%, enquanto a quantidade de inadimplentes aumentou expressivos 34,17% desde 2020. Além disso, o valor total das dívidas acumuladas chegou a R$ 597,4 bilhões, uma quantia que revela a dimensão do problema para as famílias e para o funcionamento do mercado de consumo brasileiro.
Os dados chamam a atenção porque a inadimplência não representa apenas uma dificuldade individual para pagar boletos, empréstimos ou compras parceladas, mas também produz consequências para toda a economia. Quando milhões de consumidores deixam de cumprir suas obrigações financeiras, o acesso a novos empréstimos e financiamentos tende a ficar mais restrito, enquanto o consumo pode ser prejudicado pela necessidade de destinar parte da renda à quitação de compromissos anteriores. Nesse cenário, o recorde identificado pela Serasa reforça a importância de compreender quais dívidas estão pesando mais no orçamento, quais grupos são mais afetados e quais alternativas estão disponíveis para recuperar o equilíbrio financeiro.
Inadimplência bate recorde e revela aumento das dívidas no Brasil
O levantamento da Serasa mostra que o valor médio devido por cada brasileiro negativado chegou a R$ 7.093,83, quantia equivalente a aproximadamente 4,4 salários mínimos considerando o piso nacional de R$ 1.621. Esse resultado demonstra que a dificuldade financeira de muitos consumidores ultrapassa pequenos atrasos em contas mensais e envolve compromissos que podem consumir uma parcela significativa da renda durante vários meses. Além disso, o volume total de R$ 597,4 bilhões registrado em setembro representa um crescimento de 0,90% em relação ao mês anterior, indicando que o estoque de débitos continua aumentando.
Outro dado importante envolve a origem das pendências financeiras, pois bancos e cartões de crédito permanecem na primeira posição entre os principais responsáveis pela inadimplência brasileira. Essas modalidades concentram 27,16% do total das dívidas registradas, refletindo o peso dos empréstimos, financiamentos, limites bancários e compras realizadas por meio de cartões. Entretanto, as financeiras passaram a ocupar pela primeira vez a segunda colocação do levantamento, respondendo por 20,66% dos débitos, enquanto as contas básicas de água, luz e gás ficaram na terceira posição, com 20,32%.
Essa mudança na composição das dívidas merece atenção porque demonstra que os problemas financeiros dos consumidores estão distribuídos entre diferentes modalidades de crédito e compromissos essenciais. As financeiras passaram a representar uma parcela maior dos registros negativos, superando as contas de serviços básicos, que tradicionalmente ocupavam a segunda colocação no levantamento. Portanto, a situação exige uma análise mais cuidadosa do orçamento doméstico, principalmente porque empréstimos e financiamentos podem acumular juros e encargos quando os pagamentos deixam de ser realizados nas datas previstas.
Perfil dos brasileiros inadimplentes preocupa e mostra quem deve mais
O estudo também apresenta informações sobre o perfil das pessoas que enfrentam dificuldades para pagar suas contas, revelando uma distribuição relativamente equilibrada entre homens e mulheres. As mulheres representam 50,5% dos inadimplentes, enquanto os homens correspondem a 49,5% do total identificado pela Serasa. Embora a diferença seja pequena, os números mostram que o problema atinge praticamente todas as parcelas da população, sem ficar concentrado em um único grupo de consumidores.
Quando a análise considera a idade, a faixa entre 41 e 60 anos aparece como a mais numerosa, representando 35,7% das pessoas negativadas no país. Em seguida estão os brasileiros de 26 a 40 anos, que correspondem a 33,2% do total, enquanto os consumidores com mais de 60 anos representam 20,1% e os jovens entre 18 e 25 anos somam 11%. Dessa maneira, o levantamento indica que os adultos em idade economicamente ativa concentram a maior parcela dos registros negativos, embora idosos e jovens também enfrentem dificuldades para manter suas obrigações financeiras em dia.
A presença expressiva de pessoas entre 41 e 60 anos merece atenção porque essa fase da vida frequentemente envolve diferentes responsabilidades financeiras, como despesas familiares, moradia, educação e manutenção dos filhos. Além disso, consumidores nessa faixa etária podem carregar compromissos assumidos ao longo de vários anos, dificultando a reorganização do orçamento quando ocorre uma redução da renda ou um aumento inesperado das despesas. No caso dos jovens, por outro lado, o acesso ao crédito e o uso de cartões podem representar desafios importantes quando não existe planejamento suficiente para controlar os pagamentos e evitar o acúmulo de parcelas.
Feirão Serasa Limpa Nome oferece descontos de até 99%
Diante do recorde de inadimplência, a Serasa anunciou uma nova edição do Feirão Limpa Nome, com a participação de aproximadamente 3,3 mil empresas parceiras interessadas em oferecer condições especiais para a regularização das dívidas. A campanha será realizada entre 3 de novembro e 6 de dezembro de 2026, disponibilizando mais de 750 milhões de ofertas de negociação em diferentes modalidades de débitos. O volume representa um crescimento de 14% em comparação com a edição realizada no mesmo período do ano anterior, ampliando as possibilidades de acordos para consumidores que desejam recuperar o acesso ao crédito.
Entre as condições anunciadas estão descontos que podem chegar a 99% do valor das dívidas, dependendo da empresa credora, do tipo de débito e das condições específicas de cada negociação. Além disso, consumidores com ofertas elegíveis poderão ter o nome retirado dos cadastros de inadimplência após o pagamento do acordo por meio do Pix, conforme as regras estabelecidas para cada operação. Na edição anterior, mais de 10,2 milhões de acordos foram fechados em todo o país, resultado que demonstra a procura por alternativas para reduzir compromissos financeiros e recuperar a regularidade cadastral.
A negociação poderá ser realizada pelo site oficial da Serasa, pelo aplicativo da empresa e também pelo WhatsApp, por meio do número oficial (11) 99575-2096, além do atendimento presencial em mais de 7 mil agências dos Correios. Durante o período da campanha, os consumidores poderão consultar as ofertas e negociar seus débitos nessas unidades sem cobrança de taxa pelo atendimento, mediante apresentação de documento oficial com foto. Assim, diante dos 84,2 milhões de brasileiros negativados, o novo feirão surge como uma oportunidade de renegociação, embora a recuperação financeira também dependa de planejamento, controle das despesas e cuidado para evitar a contratação de novas dívidas que comprometam novamente o orçamento familiar.





