Flávio Bolsonaro pretende incluir o Brasil no Escudo das Américas, se for eleito presidente

Flávio Bolsonaro afirmou que pretende incluir o Brasil no Escudo das Américas caso seja eleito presidente nas eleições de 2026. A declaração foi feita em uma transmissão ao vivo em seu canal no YouTube, na noite de quarta-feira, 23 de setembro, durante comentários sobre segurança pública, tráfico de drogas e combate ao crime organizado. Segundo o candidato do PL, a entrada do país na coalizão ocorreria a partir do próximo ano.
Durante a transmissão, Flávio Bolsonaro criticou a ausência brasileira na iniciativa liderada pelos Estados Unidos. O senador afirmou que pretende trabalhar com o Congresso Nacional para classificar organizações criminosas como narcoterroristas, seguindo a proposta apresentada por integrantes da coalizão. A declaração foi apresentada como uma das medidas que seriam adotadas em sua política de segurança caso chegasse à Presidência da República.
O Escudo das Américas foi criado em março de 2026 com o objetivo de ampliar a cooperação entre países do continente no combate ao narcotráfico e a outras estruturas do crime organizado. A iniciativa prevê compartilhamento de informações de inteligência, ações coordenadas e medidas financeiras contra grupos criminosos, conforme as informações divulgadas sobre a coalizão. Brasil e México não fazem parte atualmente do grupo.
Flávio Bolsonaro e a proposta para o Escudo das Américas
A proposta apresentada por Flávio Bolsonaro ocorre em meio à ampliação das discussões sobre a participação de países latino-americanos na coalizão. De acordo com o UOL, o grupo reúne Estados Unidos, Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai, Peru e Trinidad e Tobago. Dessa forma, a eventual adesão brasileira dependeria de uma decisão política e das medidas necessárias para sua implementação.
Outro ponto mencionado na transmissão foi a classificação de organizações criminosas como narcoterroristas. Segundo a reportagem, os países participantes anunciaram uma ação conjunta envolvendo o PCC, o Comando Vermelho e outras organizações, enquanto medidas financeiras e migratórias foram previstas contra os grupos listados. Entre as providências citadas estão o congelamento de bens, restrições de vistos e punições para apoio material ou logístico, sempre conforme a legislação de cada país.
No Brasil, entretanto, a legislação utiliza critérios específicos para a definição jurídica de terrorismo e não adota atualmente a categoria de “narcoterrorismo”. Conforme o UOL, o procurador Vladimir Aras afirmou que seria necessário alterar a legislação brasileira para permitir o enquadramento de organizações ligadas ao narcotráfico nessa categoria e também para possibilitar a adoção de listas de organizações terroristas utilizadas pelos Estados Unidos. Portanto, a proposta mencionada por Flávio envolveria mudanças no ordenamento jurídico brasileiro.
Coalizão liderada pelos Estados Unidos
A formação do Escudo das Américas também passou a ocupar espaço nas discussões internacionais realizadas durante a Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas em Nova York. Um encontro com Donald Trump reuniu líderes latino-americanos e caribenhos ligados à iniciativa, que discutiram medidas de segurança regional e ações contra organizações criminosas. Brasil e México permaneceram fora da coalizão durante essa etapa das negociações.
Entre as medidas previstas pelo grupo está a cooperação entre governos para combater o tráfico de drogas e redes criminosas que atuam em mais de um país. Também estão previstas ações de inteligência e operações coordenadas, embora a forma de participação possa variar de acordo com cada integrante. No caso do Equador, por exemplo, informações divulgadas sobre a iniciativa apontam para a existência de cooperação operacional com participação militar dos Estados Unidos.
A discussão sobre a participação brasileira ainda envolve questões relacionadas à legislação nacional, à política externa e à segurança pública. Ao apresentar sua proposta, Flávio Bolsonaro vinculou a eventual entrada do Brasil à atuação conjunta contra organizações que seriam classificadas como narcoterroristas. A medida, caso fosse adotada, dependeria de procedimentos políticos e jurídicos posteriores, especialmente em relação à legislação brasileira sobre terrorismo.
Proposta faz parte da agenda de política externa de Flávio
A defesa da entrada do Brasil no Escudo das Américas se soma a outras manifestações de Flávio Bolsonaro sobre a relação do país com os Estados Unidos. Em março, o senador havia defendido uma aproximação mais estreita com o governo de Donald Trump e falado sobre a formação de uma aliança entre os dois países. Posteriormente, também apresentou propostas relacionadas às relações comerciais e à atuação brasileira em áreas estratégicas.
Segundo levantamento publicado pelo UOL, o programa de governo apresentado por Flávio Bolsonaro faz referências ao objetivo de reverter o distanciamento entre Brasília e Washington e buscar soluções diplomáticas para questões envolvendo sanções norte-americanas. O documento também menciona minerais críticos, enquanto declarações anteriores do candidato trataram da possibilidade de participação dos Estados Unidos na exploração desses recursos. Essas propostas integram o conjunto de diretrizes apresentado à Justiça Eleitoral para a disputa presidencial de 2026.
A proposta de participação no Escudo das Américas, portanto, foi apresentada durante a campanha como uma medida relacionada à segurança e à política externa. A eventual implementação dependeria de decisões do governo, de negociações internacionais e, em pontos que envolvem mudanças na legislação, da tramitação no Congresso Nacional. Por enquanto, o Brasil permanece fora da coalizão, enquanto a iniciativa continua sendo conduzida pelos países que aderiram ao grupo.





