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NYT diz que Jason Miller, conselheiro de Trump, foi quem providenciou o jato que levou Flávio para os EUA

Donald Trump e integrantes de seu governo teriam ajudado Flávio Bolsonaro a deixar o Brasil e chegar aos Estados Unidos após a derrota do senador na eleição presidencial de 25 de outubro. Segundo informações publicadas pelo jornal The New York Times e reproduzidas pelo UOL nesta quinta-feira, 29 de outubro, o grupo ligado ao presidente norte-americano participou dos esforços para viabilizar a viagem a Miami. O jato utilizado pelo parlamentar teria sido providenciado por Jason Miller, conselheiro de Trump, em uma operação que envolveu deslocamentos por diferentes países.

A viagem aconteceu depois que autoridades brasileiras determinaram que Flávio entregasse seus passaportes no contexto de investigações que envolvem o senador. Diante da saída do país, o parlamentar chegou aos Estados Unidos acompanhado da mulher e das duas filhas, enquanto a autorização de entrada foi viabilizada com participação de aliados do governo norte-americano. A movimentação ocorreu em meio a questionamentos sobre como o senador conseguiu deixar o Brasil apesar das restrições judiciais relacionadas aos documentos de viagem.

O episódio ganhou repercussão internacional porque envolve o presidente dos Estados Unidos, integrantes de seu círculo político e o presidente argentino Javier Milei, apontado em relatos sobre a operação de deslocamento. A chegada de Flávio a Miami ocorreu na quarta-feira, 28 de outubro, depois de uma viagem que passou pela Argentina e pelo Equador. A participação de aliados estrangeiros também ampliou as discussões sobre as relações entre o grupo político da família Bolsonaro e representantes da direita internacional.

Trump e aliados teriam organizado apoio à saída de Flávio

O relato sobre a participação de Trump e seus assessores indica que aliados do presidente norte-americano contribuíram para viabilizar a entrada de Flávio nos Estados Unidos. O avião utilizado pelo senador teria sido providenciado por Jason Miller, conselheiro próximo do republicano, segundo as informações divulgadas pelo UOL com base no jornal norte-americano. A operação também teria contado com a atuação de integrantes do governo dos Estados Unidos para permitir que Flávio e seus familiares ingressassem no país.

Trump confirmou publicamente que os Estados Unidos haviam autorizado a entrada do senador, embora tenha afirmado que não pretendia se envolver diretamente na disputa política brasileira. Ao falar com jornalistas na quarta-feira, o presidente norte-americano declarou que seu governo havia concedido autorização para a entrada de Flávio e disse que acompanharia os acontecimentos. A manifestação confirmou a existência de autorização de entrada, mas não detalhou publicamente todas as etapas da organização da viagem.

A participação atribuída a Jason Miller é um dos pontos centrais do relato sobre a saída do senador. A disponibilização de um jato particular teria permitido que Flávio percorresse parte do trajeto internacional depois de cruzar a fronteira brasileira com a Argentina. A viagem terminou em Miami, onde o parlamentar desembarcou acompanhado da família e passou a divulgar declarações políticas dirigidas ao público brasileiro.

Viagem passou pela Argentina e pelo Equador antes de chegar a Miami

Flávio Bolsonaro deixou Brasília na noite de segunda-feira, 26 de outubro, segundo informações sobre o deslocamento divulgadas pela imprensa internacional. A saída ocorreu de forma discreta, com veículos que seguiram caminhos diferentes, dificultando a identificação do carro em que o senador estava. Enquanto surgiam informações desencontradas sobre seu paradeiro, o parlamentar ainda não havia chegado aos Estados Unidos.

Na noite de terça-feira, 27 de outubro, Flávio e sua família cruzaram a fronteira com a Argentina por via terrestre, passando pela região de Foz do Iguaçu e Puerto Iguazú. Depois, embarcaram em um avião particular que seguiu para Guayaquil, no Equador, onde ocorreu uma etapa da viagem antes do deslocamento final para Miami. O trajeto permitiu que o senador chegasse ao território norte-americano na manhã de quarta-feira, 28 de outubro.

Ao desembarcar no aeroporto executivo de Opa-locka, na região de Miami, Flávio estava acompanhado da mulher e das duas filhas. Imagens divulgadas pela imprensa mostraram a família sendo conduzida até um veículo, com guarda-chuvas usados para dificultar a exposição diante das câmeras. A chegada ocorreu após uma sequência de deslocamentos que chamou a atenção de autoridades, jornalistas e aliados políticos no Brasil e no exterior.

Passaportes e investigações estão no centro da saída do Brasil

A viagem aconteceu depois que Flávio foi intimado a entregar seus passaportes em até 24 horas, no contexto de uma investigação sobre suspeita de lavagem de dinheiro. A determinação judicial foi seguida por medidas que atingiram seus documentos de viagem, e as autoridades brasileiras passaram a apurar as circunstâncias da saída do senador. A Polícia Federal informou que investigaria o descumprimento das determinações judiciais, sem que isso significasse automaticamente a existência de um mandado de prisão.

O caso também envolve suspeitas relacionadas a operações financeiras e a vínculos investigados pelas autoridades brasileiras, que ainda precisam ser examinados no âmbito dos procedimentos competentes. Flávio deixou o país depois da derrota eleitoral para Luiz Inácio Lula da Silva e, após chegar aos Estados Unidos, afirmou que era alvo de perseguição política. As alegações do senador não substituem a análise judicial das investigações, e as suspeitas em apuração não equivalem a uma condenação.

A participação de aliados norte-americanos na chegada de Flávio aos Estados Unidos pode ampliar a tensão entre os governos de Donald Trump e Lula, especialmente diante das críticas feitas pelo presidente republicano ao processo eleitoral brasileiro. A autorização de entrada no território norte-americano foi confirmada por Trump, enquanto os detalhes sobre a organização da viagem foram atribuídos a relatos da imprensa internacional. O episódio coloca em evidência a relação entre Flávio, assessores do governo dos Estados Unidos e aliados políticos estrangeiros, enquanto as autoridades brasileiras apuram as circunstâncias de sua saída do país.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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