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Rodrigo Constantino, comentarista político, criticou a forma como a Globo tratou Flávio Bolsonaro no Fantástico

O comentarista político Rodrigo Constantino criticou a TV Globo pela maneira como o Fantástico apresentou reportagens sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o deputado federal André Janones (Rede-MG), na edição exibida no domingo, 1º de novembro. Em publicação nas redes sociais, Constantino afirmou que a emissora adotou tratamentos diferentes para os dois políticos, apresentando Flávio como um criminoso fugitivo e Janones como um gênio da comunicação. A manifestação ocorreu depois que o programa exibiu uma reportagem sobre a saída do senador do Brasil e outra sobre a atuação do deputado durante a campanha presidencial.

“Na mesma noite, no mesmo programa, a Globo tratou Flavio como um criminoso fugitivo e Janones como um gênio da comunicação”, escreveu Constantino na rede social X. Na sequência, o comentarista questionou a atuação da emissora e utilizou expressões duras para criticar o que considerou uma cobertura favorável ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A declaração foi publicada na segunda-feira, 2 de novembro, e repercutiu após a exibição das duas reportagens no dominical.

O material sobre Flávio recuperou os acontecimentos relacionados à sua saída do Brasil e à viagem para os Estados Unidos, depois da derrota na disputa presidencial. Já a reportagem sobre Janones destacou o trabalho do deputado nas redes sociais e a estrutura de comunicação que ele organizou em apoio à campanha petista. A comparação feita por Constantino colocou no centro da discussão o espaço concedido aos dois políticos e a maneira como suas atuações foram apresentadas ao público.

Constantino questionou a diferença de tratamento entre os políticos

Na publicação, Constantino não se limitou a criticar o conteúdo da reportagem sobre Flávio Bolsonaro, mas também comparou diretamente a apresentação do senador com a entrevista concedida por André Janones. Para o comentarista, a Globo construiu imagens distintas dos dois personagens políticos dentro de uma mesma edição do Fantástico. Sua crítica foi direcionada tanto à escolha dos enfoques quanto à forma como cada um apareceu na programação.

A reportagem sobre Flávio abordou a viagem aos Estados Unidos e os acontecimentos que antecederam sua saída do território brasileiro. O programa recuperou informações sobre o trajeto percorrido pelo senador após a derrota eleitoral e apresentou elementos relacionados às decisões judiciais envolvendo seus documentos de viagem. O conteúdo foi exibido em um momento de forte repercussão política, depois que a saída do parlamentar do país passou a ser discutida por aliados, adversários e comentaristas.

Constantino utilizou a expressão “criminoso fugitivo” para resumir sua interpretação sobre a maneira como a emissora apresentou o senador. A frase, entretanto, corresponde à avaliação do comentarista e não a uma classificação judicial sobre Flávio Bolsonaro. O título da reportagem do Estado de Minas destacou justamente essa crítica, que também envolveu a comparação com o espaço concedido a Janones.

Janones ganhou espaço ao falar sobre o Exército do Lula

A outra reportagem exibida pelo Fantástico teve como personagem André Janones, deputado federal reeleito por Minas Gerais. O parlamentar ganhou projeção durante o segundo turno ao coordenar o canal Exército do Lula, criado para organizar e distribuir conteúdos favoráveis à campanha petista. A plataforma ultrapassou a marca de 10 milhões de seguidores e se tornou uma das principais ferramentas de mobilização digital mencionadas durante a disputa eleitoral.

A entrevista apresentada pelo programa abordou a atuação de Janones na comunicação política e o crescimento do canal no WhatsApp. Durante a campanha, o deputado participou de iniciativas para ampliar a circulação de mensagens entre apoiadores de Lula e estimular manifestações nas redes sociais. A estrutura também foi utilizada para divulgar conteúdos relacionados à disputa presidencial e mobilizar eleitores na reta final da votação.

Foi justamente a exposição dada ao deputado que motivou parte da comparação feita por Constantino. Enquanto a reportagem sobre Flávio recuperou sua saída do Brasil e os questionamentos relacionados à viagem, a matéria sobre Janones destacou sua capacidade de comunicação e mobilização. O comentarista interpretou essa diferença como sinal de tratamento desigual, embora a avaliação sobre o enfoque jornalístico tenha sido apresentada por ele como uma crítica pessoal à emissora.

Flávio também havia questionado a cobertura da Globo

Antes da exibição do Fantástico, Flávio Bolsonaro já havia publicado uma manifestação contra a emissora nas redes sociais. O senador afirmou que foi procurado para conceder uma entrevista exclusiva, mas condicionou sua participação à exibição integral da conversa, sem cortes e sem restrições de assuntos. Segundo ele, a Globo não aceitou as condições apresentadas e decidiu seguir com a reportagem sobre sua viagem.

“Se o maior grupo de comunicação do Brasil está com medo, não tem a menor condição moral de me julgar ou tentar destruir minha reputação”, escreveu Flávio em sua manifestação. O parlamentar também afirmou que esperava ser alvo de uma reportagem extensa sem receber oportunidade de apresentar sua versão ao público. Ao final do material exibido, a emissora apresentou o posicionamento do advogado Frederick Wassef, que negou que a viagem pudesse ser caracterizada como fuga e afirmou que as informações sobre o deslocamento não eram oficiais ou confirmadas.

A crítica de Constantino ampliou a repercussão sobre a cobertura do Fantástico e reuniu dois questionamentos feitos por integrantes do campo político ligado ao bolsonarismo. De um lado, Flávio contestou a ausência de uma entrevista nas condições que havia proposto; de outro, o comentarista apontou uma diferença de abordagem entre o senador e Janones. A discussão passou a envolver não apenas o conteúdo das reportagens, mas também os critérios utilizados pela emissora para apresentar personagens de posições políticas distintas.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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