André Janones poderá ajudar o opositor de Milei na Argentina durante a campanha do ano que vem

O deputado federal André Janones está na Argentina para se reunir com o ex-ministro da Fazenda Sergio Massa, que pretende disputar novamente a Presidência do país nas eleições de outubro de 2027. O encontro tem como objetivo discutir a possibilidade de adaptar à realidade argentina a estratégia de mobilização digital utilizada durante a campanha que garantiu a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva no Brasil. A articulação envolve também dois publicitários que participaram da campanha petista e que deverão contribuir com a discussão sobre comunicação política e organização de apoiadores nas redes sociais.
Massa foi derrotado por Javier Milei no segundo turno da eleição presidencial argentina de 2023 e agora pretende voltar à disputa como representante da frente peronista. O ex-ministro, entretanto, enfrenta uma concorrência dentro do próprio campo político, especialmente do governador da província de Buenos Aires, Axel Kicillof, que também deseja disputar a Presidência. A próxima eleição argentina está prevista para outubro de 2027, e os grupos de oposição já começam a discutir estratégias para enfrentar o atual presidente.
Além de Janones e Massa, a reunião contará com a participação dos publicitários Rafael Marroquim e Chico Kertesz, que trabalharam na campanha de Lula no Brasil. Marroquim passou a integrar a equipe petista durante o segundo turno, enquanto Kertesz também participou da estrutura de comunicação eleitoral. Os dois já foram sócios do atual ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, Sidônio Palmeira, e a experiência do grupo brasileiro será apresentada como referência para a discussão sobre a disputa argentina.
Janones pretende levar estratégia do Exército de Lula para a Argentina
O principal assunto da reunião será a possibilidade de reproduzir na Argentina o modelo de mobilização digital associado ao deputado brasileiro durante a campanha presidencial. Janones ganhou projeção nacional ao organizar o canal de WhatsApp chamado Exército de Lula, que reuniu milhões de apoiadores e permitiu a distribuição de mensagens diretamente aos participantes. A estrutura foi considerada um dos instrumentos importantes da comunicação petista durante o segundo turno, quando a campanha precisava ampliar o alcance de suas publicações e mobilizar eleitores em diferentes regiões do país.
O canal ultrapassou a marca de 10,5 milhões de integrantes, número que chamou a atenção de políticos e profissionais de comunicação de outros países. A ferramenta permitiu que a campanha enviasse conteúdos de maneira rápida e concentrada, sem depender exclusivamente da distribuição feita pelos algoritmos das redes sociais. Com a participação de Janones, a iniciativa também passou a ser observada por grupos estrangeiros interessados em conhecer métodos de organização digital utilizados em campanhas eleitorais.
A reunião com Sergio Massa deverá abordar como esse formato poderia ser adaptado ao cenário político argentino, considerando as diferenças entre os partidos, os eleitores e as plataformas de comunicação utilizadas no país. A intenção é discutir mecanismos para organizar apoiadores, distribuir mensagens e ampliar a participação de militantes na divulgação de conteúdos políticos. Até o momento, a articulação representa uma conversa sobre possibilidades de cooperação, sem anúncio de contratação formal de Janones ou dos publicitários para a campanha presidencial argentina.
Professora da USP explica repercussão internacional do método de Janones
A professora Issaaf Karhawi, da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, apontou o engajamento de pessoas reais como um dos fatores que explicam a repercussão internacional da estratégia associada a Janones. Segundo a pesquisadora, a presença de apoiadores organizados em um canal de grande alcance permitiu estabelecer uma comunicação direta entre a campanha e os eleitores. Ela também comparou esse formato ao histórico de utilização de robôs e perfis automatizados por grupos políticos nas redes sociais.
“É preciso lembrar que a presença da direita nas redes por bastante tempo foi financiada com muito dinheiro e até bots”, afirmou Issaaf Karhawi. A professora citou estudos que identificaram a utilização de mecanismos automatizados em disputas políticas de diferentes países, incluindo a Alemanha e o Brasil. A avaliação apresentada pela pesquisadora é que a mobilização de milhões de pessoas em um único canal de WhatsApp ofereceu à campanha petista uma forma de distribuir conteúdos sem depender da circulação pulverizada característica das plataformas digitais.
Oposição argentina busca reorganizar forças para enfrentar Javier Milei
A aproximação com Janones acontece em um momento de reorganização da oposição argentina, que precisa definir como pretende disputar a eleição presidencial de 2027. Sergio Massa tenta se apresentar novamente como uma alternativa peronista, mas terá de enfrentar a concorrência interna de Axel Kicillof, governador de Buenos Aires. A definição do candidato dependerá das articulações dentro do movimento e da capacidade de reunir diferentes setores políticos em torno de um projeto comum.
Massa chegou ao segundo turno em 2023, mas acabou derrotado por Javier Milei, que assumiu a Presidência da Argentina e passou a implementar mudanças econômicas e administrativas no país. Agora, o ex-ministro procura ampliar sua articulação política e conhecer experiências de comunicação que possam contribuir para uma nova campanha eleitoral. A reunião com André Janones e os publicitários brasileiros coloca a mobilização digital no centro das primeiras conversas sobre a disputa de 2027, embora ainda não exista definição sobre quem representará a oposição nas urnas.





