Henrique Moura Vorcaro apresentou um laudo mostrando que ele enfrenta sérios problema de saúde

Henrique Moura Vorcaro, pai do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, voltou a solicitar ao Supremo Tribunal Federal (STF) a substituição da prisão preventiva por prisão domiciliar, desta vez com a apresentação de um novo relatório médico que aponta riscos relacionados à sua saúde intestinal. O documento foi encaminhado pela defesa ao presidente da Corte, ministro Edson Fachin, na segunda-feira, 2 de novembro de 2026, e descreve um histórico de crises recorrentes de diverticulite, doença que pode provocar complicações graves. Entre os problemas mencionados pelo especialista está a possibilidade de perfuração intestinal, situação que pode exigir atendimento médico de urgência e intervenção cirúrgica.
O empresário, de 64 anos, está preso desde 14 de maio na Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, por determinação judicial no âmbito da Operação Compliance Zero. Segundo os advogados, além do quadro intestinal, Henrique apresenta hipertensão, problemas cardiovasculares e histórico de alterações neurológicas, condições que exigiriam acompanhamento médico contínuo. A defesa argumenta que a permanência no sistema prisional pode dificultar o tratamento adequado e afirma que o novo laudo reforça a necessidade de uma medida humanitária.
O pedido também retoma questionamentos apresentados anteriormente sobre a manutenção da prisão preventiva e a demora na análise de recursos encaminhados ao Supremo. Os advogados afirmam que solicitam providências desde maio e sustentam que a situação de saúde do empresário precisa ser considerada na avaliação da necessidade de continuidade da custódia. Entretanto, a apresentação do relatório médico não significa que a prisão domiciliar tenha sido autorizada, pois o pedido ainda depende de análise judicial.
Laudo médico aponta risco de complicação intestinal
O relatório utilizado pela defesa foi elaborado em 28 de outubro pelo coloproctologista Marcos Henrique Rocha Campos, que acompanhou Henrique Vorcaro em diferentes períodos entre 2005 e 2023. De acordo com o especialista, o empresário apresenta histórico de diverticulite aguda, com episódios recorrentes que, em determinadas fases, chegaram a ocorrer mais de duas vezes por ano. O documento também registra internações anteriores e crises de difícil tratamento, acompanhadas de dores abdominais persistentes, que exigiram avaliação médica especializada.
A diverticulite é uma inflamação dos divertículos, pequenas bolsas que podem se formar na parede do intestino grosso, e algumas situações podem evoluir para complicações importantes. No caso de Henrique, o médico relata que o quadro já levou à indicação de uma colectomia laparoscópica, procedimento cirúrgico utilizado para retirar uma parte do intestino grosso, mas a operação não chegou a ser realizada. Por esse motivo, o especialista chama atenção para a possibilidade de agravamento da doença e para a necessidade de atendimento rápido caso apareçam sinais de uma complicação.
Um dos principais alertas apresentados no documento diz respeito à perfuração intestinal, considerada uma das complicações mais graves da diverticulite. Segundo o médico, esse quadro pode provocar dor abdominal intensa e endurecimento da parede do abdômen, exigindo diagnóstico preciso e rápido, além de intervenção cirúrgica na maioria dos casos. A defesa utiliza essa avaliação para argumentar que uma eventual emergência dentro da unidade prisional poderia exigir uma resposta médica imediata, especialmente diante do histórico clínico apresentado.
Defesa relata outros problemas de saúde e questiona prisão
Além da doença intestinal, os advogados afirmam que Henrique enfrenta problemas cardiovasculares e hipertensão, condições que demandam uso contínuo de medicamentos e acompanhamento profissional. A defesa também menciona um episódio de amnésia ocorrido em março, que teria exigido internação em unidade de terapia intensiva, além de atendimentos médicos posteriores. Esses antecedentes foram incluídos na argumentação para demonstrar que o pedido de prisão domiciliar não está baseado apenas no diagnóstico de diverticulite, mas em um conjunto de condições clínicas.
Os advogados também relataram episódios de piora durante o período de encarceramento, incluindo uma nova crise de diverticulite em agosto e queixas de dores frequentes no mês seguinte. Em setembro, a defesa afirmou que o empresário enfrentou dificuldades relacionadas ao recebimento de medicamentos para hipertensão, alegando que o fornecimento teria sido interrompido por mais de uma semana, apesar de os remédios já terem sido entregues à unidade prisional. Para os representantes de Henrique, esses episódios demonstrariam dificuldades para assegurar a continuidade do tratamento necessário dentro do estabelecimento.
No documento encaminhado ao STF, a defesa pede a revogação da prisão preventiva ou, alternativamente, sua substituição por prisão domiciliar por razões humanitárias. Os advogados também contestam os fundamentos utilizados para determinar a detenção e afirmam que as suspeitas relacionadas a mensagens sobre negócios imobiliários teriam sido interpretadas de maneira equivocada, negando que Henrique tenha ameaçado ou coagido testemunhas. Essas alegações representam a versão da defesa e ainda precisam ser consideradas no andamento do processo, sem que isso signifique o reconhecimento judicial da inocência ou da responsabilidade do investigado.
Prisão de Henrique Vorcaro está ligada à Operação Compliance Zero
A prisão de Henrique foi determinada pelo ministro André Mendonça, do STF, no âmbito da Operação Compliance Zero, investigação conduzida pela Polícia Federal sobre suspeitas de irregularidades relacionadas ao Banco Master. Segundo os elementos apresentados pela investigação, o empresário teria ligação com um grupo conhecido como “A Turma”, apontado como responsável por ameaças, intimidações e obtenção ilegal de informações sigilosas. A Polícia Federal também investiga a suposta participação de integrantes dessa estrutura em atividades destinadas a monitorar pessoas consideradas adversárias de Daniel Vorcaro, que comandava o banco.
Em junho de 2026, a Segunda Turma do Supremo confirmou, por maioria, a manutenção da prisão preventiva de Henrique e de seu primo Felipe Cançado Vorcaro, considerando necessária a continuidade das medidas para preservar as investigações. Na ocasião, o ministro Gilmar Mendes apresentou divergência parcial e defendeu a adoção de medidas menos gravosas em relação a Henrique, incluindo a possibilidade de prisão domiciliar com monitoramento eletrônico. Agora, com a apresentação de um novo relatório médico e a renovação do pedido, caberá ao Supremo examinar os argumentos da defesa e decidir se haverá alteração na situação prisional do empresário.





