Luciano Hang comentou sobre os últimos acontecimentos políticos no Paraguai e seu desejo de ter uma loja no país vizinho

O empresário Luciano Hang decidiu manter os planos de expansão da Havan no Paraguai, apesar da grave crise política e financeira que atingiu o país vizinho e provocou mudanças no comando do governo. A posição foi apresentada publicamente em 7 de novembro de 2026, quando o proprietário da rede varejista afirmou que os acontecimentos recentes não alteraram sua avaliação sobre o ambiente econômico paraguaio. Dessa maneira, mesmo diante das incertezas provocadas pelo escândalo envolvendo o sistema bancário e o governo, o empresário sinalizou que pretende continuar procurando oportunidades para levar a marca brasileira ao mercado internacional.
A decisão chama atenção porque a crise paraguaia ganhou proporções que ultrapassaram o debate político e passaram a produzir questionamentos sobre a segurança institucional e financeira do país. Entretanto, Hang afirmou que sua experiência durante uma visita realizada ao Paraguai em 2026 foi positiva, especialmente pelo contato com autoridades, representantes empresariais e integrantes de diferentes setores da economia. Na avaliação do empresário, o país continua apresentando características favoráveis aos investimentos, entre elas a liberdade econômica, o incentivo ao empreendedorismo e a disposição para receber empresas estrangeiras.
O principal projeto mencionado por Hang é a instalação da primeira megaloja da Havan em Assunção, capital paraguaia, onde a companhia continua procurando um terreno adequado para desenvolver a operação. A iniciativa representa um movimento importante para a rede varejista, que pretende ampliar sua presença para além do território brasileiro e alcançar consumidores de um mercado próximo. Além disso, a eventual abertura da unidade poderá gerar empregos, movimentar fornecedores e ampliar a concorrência no comércio local, embora ainda não tenham sido divulgados endereço, investimento total ou previsão de inauguração.
Luciano Hang mantém confiança no Paraguai e defende investimentos
Em sua manifestação, Luciano Hang afirmou que os acontecimentos políticos recentes não modificaram sua opinião sobre o Paraguai e criticou a interpretação ideológica que, segundo ele, foi adotada por parte da imprensa brasileira ao abordar sua aproximação com o país. O empresário explicou que sua viagem teve finalidade empresarial e que o objetivo principal era conhecer as condições oferecidas pelo mercado paraguaio para possíveis investimentos. Assim, procurou separar a avaliação econômica do país dos problemas políticos que vieram à tona posteriormente.
Durante a visita, Hang relatou ter conhecido o então presidente Santiago Peña, ministros, empresários e representantes de diferentes companhias instaladas no Paraguai. O contato permitiu que o proprietário da Havan observasse aspectos relacionados ao funcionamento da economia, às oportunidades comerciais e às políticas de atração de investimentos estrangeiros. Além disso, o empresário demonstrou simpatia pelo modelo econômico paraguaio, destacando a liberdade para empreender e o conservadorismo nos costumes como características que considera positivas.
Ao comentar os escândalos, Hang sustentou que problemas políticos e administrativos podem ocorrer em qualquer país, independentemente de sua localização ou orientação ideológica. Entretanto, defendeu que as denúncias sejam investigadas, que os fatos sejam esclarecidos e que eventuais responsáveis sejam punidos, sem privilégios ou proteção política. Na interpretação apresentada pelo empresário, a reação das instituições paraguaias demonstra que os mecanismos democráticos continuam funcionando, embora a avaliação definitiva sobre os efeitos da crise dependa dos resultados das investigações e das medidas adotadas pelas autoridades.
Crise política no Paraguai coloca sistema financeiro sob pressão
A crise que atingiu o Paraguai ganhou força após a intervenção do Banco Central paraguaio no Ueno Bank, instituição financeira digital que enfrentou problemas de solvência e provocou uma situação de grande preocupação entre seus clientes. Aproximadamente 2,9 milhões de pessoas foram afetadas pela restrição de acesso aos recursos, incluindo aposentados e cidadãos que dependiam dos serviços bancários para movimentar suas economias. Consequentemente, o episódio deixou de representar apenas um problema financeiro e passou a provocar repercussões sociais, econômicas e políticas em diferentes regiões do país.
A dimensão política do escândalo aumentou porque Santiago Peña havia mantido participação acionária em empresas relacionadas ao Grupo Vázquez, controlador do banco, até março de 2025. A oposição passou a questionar possíveis conflitos de interesse, além de cobrar explicações sobre a fiscalização da instituição e a atuação do governo diante dos problemas financeiros identificados. Paralelamente, denúncias relacionadas a empréstimos, recursos públicos e procedimentos de supervisão ampliaram a pressão sobre o governo, enquanto manifestações populares e disputas dentro do Partido Colorado enfraqueceram a sustentação política do então presidente.
O agravamento da situação culminou na saída de Peña do comando do país, após a renúncia anunciada em meio à pressão política e a posterior aprovação de seu impeachment pelo Senado, em 6 de novembro. Com a destituição, o vice-presidente Pedro Alliana assumiu a Presidência, enquanto os desdobramentos judiciais relacionados ao escândalo passaram a concentrar a atenção das autoridades e da sociedade paraguaia. Peña foi colocado em prisão domiciliar, conforme as informações divulgadas sobre o episódio, e nega as acusações, de modo que a responsabilização dos envolvidos ainda depende da apuração dos fatos e dos procedimentos legais.
Havan no Paraguai: megaloja em Assunção continua nos planos
Apesar da turbulência política, Luciano Hang afirmou que a Havan continua procurando uma área em Assunção para construir sua primeira megaloja no Paraguai. O projeto pretende transportar para o mercado paraguaio o modelo comercial adotado pela empresa no Brasil, com uma estrutura de grande porte e variedade de produtos. Entretanto, a procura por um terreno ainda está em andamento, e a companhia não apresentou um cronograma definitivo para o início das obras ou para a abertura da unidade.
A decisão de preservar o projeto demonstra que Hang não considera a crise recente suficiente para abandonar as oportunidades comerciais identificadas no país, mas a concretização do investimento dependerá de avaliações econômicas, jurídicas e operacionais. Afinal, a estabilidade institucional, a confiança no sistema financeiro e a previsibilidade das regras são fatores importantes para qualquer empresa que pretende comprometer recursos em uma expansão internacional. Portanto, enquanto as investigações avançam e o Paraguai enfrenta o desafio de recuperar a confiança de investidores e consumidores, a Havan mantém aberta a possibilidade de entrar no mercado paraguaio, com a expectativa de gerar empregos e ampliar sua atuação na América do Sul.





