Durante a campanha de Lula, André Janones passou várias missões para quem participava do canal Exército do Lula

O deputado federal André Janones (Avante-MG) revelou detalhes até então pouco conhecidos sobre o funcionamento do chamado Exército do Lula, grupo criado para organizar apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas redes sociais durante a campanha eleitoral de 2026. Em entrevista exclusiva ao jornalista Matheus Leitão, do Metrópoles, o parlamentar afirmou que as tarefas distribuídas diariamente aos participantes não tinham como finalidade principal conseguir curtidas, comentários ou compartilhamentos, mas estimular o sentimento de pertencimento e ensinar os integrantes a atuar de maneira independente no ambiente digital. A declaração chamou atenção porque o próprio responsável pela organização reconheceu que as missões eram utilizadas como instrumento de mobilização, enquanto o verdadeiro objetivo estava na formação de uma comunidade política preparada para participar das discussões nas redes sociais.
Ao explicar a estratégia, Janones fez uma revelação que, segundo ele, pretendia reservar para um livro que planeja escrever sobre os bastidores da mobilização eleitoral. “As missões eram só espuma, não eram champanhe”, declarou o deputado, utilizando a comparação para explicar que as atividades divulgadas ao grupo tinham importância secundária diante da finalidade mais ampla do projeto. Além disso, afirmou que não sabia como os participantes receberiam a informação, pois alguns poderiam ficar decepcionados ao descobrir que as tarefas executadas diariamente não representavam o principal resultado esperado pela coordenação.
A explicação de Janones coloca em perspectiva a maneira como o Exército do Lula foi apresentado aos apoiadores durante a disputa presidencial e como a organização pretendia influenciar o comportamento dos participantes. Segundo o parlamentar, a intenção era ensinar conceitos relacionados ao funcionamento dos algoritmos, ao tempo de retenção das publicações e às diferenças entre as plataformas digitais, permitindo que os integrantes desenvolvessem suas próprias estratégias de comunicação. Dessa forma, a iniciativa procurava ultrapassar a simples execução de ordens e transformar os participantes em agentes independentes de mobilização política.
Janones revela que missões do Exército do Lula eram uma isca
Durante a entrevista, Janones explicou diretamente qual era a finalidade das atividades distribuídas aos integrantes do grupo e como elas contribuíam para manter a comunidade mobilizada. “A missão era a isca”, afirmou o deputado, acrescentando que o objetivo era transmitir conhecimento para que os participantes começassem a agir por conta própria. Na avaliação do parlamentar, as tarefas funcionavam como uma porta de entrada para um processo de aprendizado digital, no qual os apoiadores poderiam compreender como as publicações alcançam o público e quais estratégias ajudam a ampliar a circulação de mensagens.
O deputado também questionou a ideia de que interações em páginas políticas representassem necessariamente uma conversão de eleitores ou uma mudança direta na intenção de voto. Ao abordar o assunto, declarou: “Não acredito que as pessoas curtirem uma publicação na página do Lula virou um voto”, diferenciando o engajamento superficial da construção de uma comunidade organizada. Segundo sua explicação, o simples cumprimento de uma missão não garantiria qualquer resultado eleitoral, embora a participação pudesse contribuir para aproximar pessoas que compartilhavam posições políticas semelhantes.
Outro aspecto destacado por Janones foi a necessidade de ensinar aos participantes que cada rede social possui mecanismos próprios de distribuição de conteúdo e funcionamento dos algoritmos. O parlamentar explicou que o chamado letramento digital envolvia conhecimentos sobre retenção de audiência, interpretação das publicações pelas plataformas e diferenças entre os sistemas utilizados por cada serviço. Assim, os integrantes poderiam deixar de depender exclusivamente das tarefas distribuídas pela coordenação e passariam a desenvolver iniciativas próprias para participar dos debates políticos e divulgar suas opiniões.
Panelaço e camisa da seleção foram exceções nas missões de Janones
Embora tenha diminuído a importância de boa parte das tarefas distribuídas ao grupo, Janones destacou que algumas mobilizações tiveram resultados considerados relevantes durante a campanha presidencial. Entre os exemplos mencionados estavam o panelaço e a publicação de fotografias usando a camisa da seleção brasileira com a letra L, em referência ao presidente Lula. Segundo o deputado, essas iniciativas tiveram um efeito diferente porque permitiram que os apoiadores identificassem outras pessoas com posicionamentos semelhantes em seus próprios bairros, prédios e círculos de convivência.
Ao explicar a importância dessas atividades, Janones afirmou que muitos eleitores tinham a impressão de estar isolados politicamente, principalmente quando observavam manifestações contrárias ao governo com grande visibilidade nas redes sociais. O parlamentar relatou que, depois do panelaço, encontrou comentários de pessoas surpresas ao descobrir que vizinhos também apoiavam Lula, enquanto a mobilização com a camisa da seleção revelou a existência de simpatizantes entre amigos e conhecidos. Dessa maneira, as ações ajudaram a reduzir a sensação de isolamento e estimularam os participantes a demonstrar publicamente suas posições políticas.
O deputado também relacionou esse sentimento de isolamento à maneira como os adversários políticos utilizam as redes sociais para criar percepções sobre a opinião predominante na sociedade. Na interpretação de Janones, quando uma pessoa acredita que está sozinha ao defender determinado candidato, pode evitar manifestações públicas por receio de críticas ou constrangimentos. Portanto, a estratégia do Exército do Lula procurava demonstrar que existia uma comunidade de apoiadores, criando identificação entre pessoas que nem sempre tinham conhecimento da posição política umas das outras.
Exército do Lula teve objetivo de ensinar apoiadores a agir nas redes
Na parte final da explicação sobre as missões, Janones voltou a destacar que o principal resultado esperado era a formação de participantes capazes de compreender e utilizar as ferramentas digitais sem depender permanentemente da coordenação. O parlamentar afirmou que o aprendizado sobre algoritmos e distribuição de conteúdo poderia continuar produzindo efeitos mesmo depois do encerramento das tarefas diárias. Além disso, considerou que a construção de vínculos entre os integrantes foi fundamental para manter a mobilização e fortalecer a identificação coletiva durante a campanha.
A entrevista concedida a Matheus Leitão também mostrou que Janones pretende transformar sua experiência à frente do Exército do Lula em material para um futuro livro, no qual deverá abordar os bastidores da estratégia e os métodos utilizados para organizar os apoiadores. A revelação de que as missões funcionavam principalmente como chamariz oferece uma explicação diferente daquela que poderia ser construída apenas pela observação das tarefas divulgadas ao público. Assim, o depoimento do deputado apresenta sua versão sobre a mobilização digital que acompanhou a campanha de Lula em 2026 e coloca em discussão a diferença entre engajamento nas redes sociais, formação de comunidades políticas e influência efetiva sobre o comportamento dos eleitores.





