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A Adobe Content Authenticity indicou o uso do ChatGPT no arquivo PDF que traz o discurso de Flávio Bolsonaro

Uma ferramenta da Adobe identificou o uso do ChatGPT na produção do arquivo PDF de uma carta divulgada por Flávio Bolsonaro à imprensa na quarta-feira, 28 de outubro, após sua derrota na eleição presidencial. A análise das credenciais digitais do documento apontou a utilização do modelo GPT-6, desenvolvido pela OpenAI, durante a criação do arquivo. O resultado, porém, não comprova que o texto da carta tenha sido escrito por inteligência artificial, pois a ferramenta também pode ter sido utilizada apenas para gerar ou exportar o documento em formato PDF.

A identificação foi realizada por meio do Adobe Content Authenticity, serviço que permite consultar informações sobre a origem e o histórico de arquivos digitais. As chamadas Content Credentials registradas no documento indicaram o uso de tecnologia da OpenAI no processo de produção do PDF. A descoberta acrescentou um elemento técnico à repercussão da carta, que também chamou atenção por apresentar mudanças de conteúdo e um brasão da República diferente do símbolo oficial atualmente utilizado pelo Brasil.

O documento foi divulgado em um momento de forte repercussão política após a derrota de Flávio Bolsonaro para Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno da eleição presidencial. Na primeira versão, o senador se apresentou como o verdadeiro presidente eleito do Brasil, mas posteriormente alterou a declaração e passou a se definir como líder do país. As modificações ocorreram depois que a carta começou a circular e provocou questionamentos sobre o conteúdo e a apresentação do material.

Ferramenta da Adobe identifica uso do ChatGPT no arquivo PDF

A análise feita pelo Adobe Content Authenticity permite consultar os registros digitais associados a determinados arquivos e identificar informações sobre as ferramentas utilizadas em sua produção. No caso da carta de Flávio Bolsonaro, as credenciais apontaram a utilização do modelo GPT-6 da OpenAI na criação do documento. Esse registro, entretanto, não esclarece qual etapa do processo foi realizada com auxílio da inteligência artificial.

A distinção é importante porque a identificação de uma ferramenta na produção de um PDF não significa necessariamente que ela tenha redigido o conteúdo apresentado no arquivo. O ChatGPT pode ter sido empregado na preparação, na organização ou na exportação do documento, sem que isso determine a autoria das frases contidas na carta. Por esse motivo, o resultado da análise não permite afirmar, isoladamente, que Flávio ou outra pessoa tenha utilizado a inteligência artificial para escrever o discurso.

As credenciais digitais funcionam como informações relacionadas à procedência e ao histórico de determinados conteúdos, oferecendo elementos para compreender como um arquivo foi produzido. Nesse caso, a identificação do GPT-6 demonstra que a ferramenta de inteligência artificial esteve envolvida no processo registrado para o PDF analisado. Não há, porém, indicação suficiente para concluir que todo o texto tenha sido elaborado automaticamente ou que a participação humana tenha sido inexistente.

Carta de Flávio Bolsonaro apresentou brasão antigo e mudanças no texto

Além da identificação do ChatGPT, a primeira versão da carta chamou atenção pelo uso de um brasão histórico da República brasileira. O símbolo utilizado correspondia a uma versão que vigorou até 1967, quando o nome oficial do país era grafado como Estados Unidos do Brazil. A presença do emblema antigo tornou-se um dos pontos destacados na repercussão do documento divulgado pelo senador.

A carta também passou por uma alteração importante na forma como Flávio Bolsonaro se apresentou politicamente. Na versão inicial, ele se descreveu como o verdadeiro presidente eleito do Brasil, mas, posteriormente, substituiu essa expressão pela definição de líder do Brasil. A mudança modificou a maneira como o senador se identificava no texto, divulgado depois do resultado eleitoral desfavorável à sua candidatura.

As alterações no brasão e na apresentação política fizeram com que diferentes versões do documento circulassem após a divulgação inicial. A existência dessas modificações permite comparar os arquivos e identificar diferenças entre os materiais publicados, mas não esclarece, por si só, quem realizou cada alteração ou quais ferramentas foram utilizadas em todas as etapas. A análise das credenciais digitais do PDF acrescenta informações sobre a produção do arquivo, sem resolver todas as questões relacionadas à elaboração da carta.

Uso de inteligência artificial não comprova autoria do discurso

A principal conclusão da análise da Adobe é que o ChatGPT foi identificado no processo de criação do arquivo PDF, e não necessariamente na redação do texto. Essa diferença impede que o registro técnico seja tratado como prova definitiva de que o discurso foi escrito por inteligência artificial. Para estabelecer a autoria do conteúdo, seriam necessárias informações adicionais que permitissem distinguir a preparação do documento da elaboração das declarações nele apresentadas.

O episódio reúne, portanto, duas questões distintas: o histórico técnico do arquivo e as mudanças feitas na carta divulgada por Flávio Bolsonaro. Enquanto as credenciais digitais indicam a participação do modelo GPT-6 na produção do PDF, as versões do texto mostram alterações na apresentação do senador e no brasão utilizado. A ferramenta da Adobe oferece informações sobre a origem digital do documento, mas não permite concluir, isoladamente, quem escreveu a carta ou como cada trecho foi produzido.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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