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À CNN, Lula cita Saddam ao criticar operações dos EUA e gera polêmica

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez duras críticas à atuação dos Estados Unidos em outros países durante entrevista exclusiva à jornalista Christiane Amanpour, da CNN, gravada na segunda-feira, 21. Ao relembrar a situação do Iraque, o chefe do Executivo questionou os motivos que justificaram a ação militar norte-americana e o destino do então governante Saddam Hussein. As declarações repercutiram amplamente nas redes sociais, gerando manifestações tanto de apoio quanto de contestação.

“Mataram Saddam Hussein e até hoje não encontraram nenhuma arma química no país. Fico me perguntando até quando o mundo vai aceitar ser guiado por versões que não se confirmam”, afirmou o presidente. A observação retoma argumento que já havia apresentado em março deste ano, durante reunião da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac). Na ocasião, também questionou se haveria provas sobre suposto programa nuclear no Irã, repetindo a pergunta sobre onde estariam os materiais alegados como justificativa para intervenções.

A entrevista abordou ainda a situação da Venezuela. Para Lula, as ações dos Estados Unidos no território vizinho e contra embarcações no Pacífico desrespeitam a soberania nacional. “Se há suspeita de atividades ligadas ao tráfico, devem-se buscar os responsáveis e levá-los à Justiça. O que não se pode é agir de forma que atinge indiscriminadamente pessoas e não apresenta provas concretas”, argumentou. O presidente mencionou a captura de Nicolás Maduro, ocorrida em janeiro, e disse que até agora não foram demonstrados elementos que embasem plenamente as acusações apresentadas.

O presidente voltou a classificar a postura do governo de Donald Trump como a de quem age por meio da “lei do mais forte”. “Ele foi eleito para governar os Estados Unidos. Tem todo o direito de conduzir seu país, mas não tem o de impor sua vontade a outras nações nem decidir como os povos devem viver”, declarou. A fala repete a comparação feita anteriormente ao chamar o líder norte-americano de “imperador”, em crítica à postura que considera intervencionista e alheia ao respeito entre países.

Sobre as tarifas impostas pelos Estados Unidos ao comércio com o Brasil, Lula classificou as medidas como baseadas em argumentos que não correspondem à realidade. “Não desejo conflito comercial com ninguém. Minha trajetória é de quem sempre buscou acordo e entendimento. Vou esgotar todas as possibilidades de negociação”, garantiu. Advertiu, porém, que caso não haja abertura para o diálogo, o Brasil aplicará a Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade no Congresso, para responder de forma equivalente às restrições impostas.

A repercussão das declarações demonstra a divisão de opiniões sobre o tema. Parte da população enxerga nas palavras do presidente a defesa legítima da soberania brasileira; outra parcela avalia que as comparações e menções podem ser interpretadas de forma inadequada. É natural que em um país democrático pontos de vista diferentes se manifestem. O que se espera é que os debates ocorram com respeito, e que a política externa do Brasil seja conduzida sempre em defesa dos interesses nacionais, com clareza e transparência.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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