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A deputada federal eleita, Ana Elisa, disse nas redes sociais que está sendo perseguida desde o fim das eleições

A deputada federal eleita Ana Elisa (PT-MG) denunciou casos de perseguição política contra trabalhadores e comerciantes após o segundo turno das eleições presidenciais de 2026 e comparou iniciativas de boicote a práticas adotadas durante a Alemanha nazista. Em vídeo publicado nas redes sociais em 28 de outubro, a parlamentar relatou situações envolvendo demissões motivadas por posicionamentos políticos, listas de estabelecimentos comerciais que seriam alvo de retaliações e ameaças atribuídas a profissionais da saúde. Além de criticar essas iniciativas, Ana Elisa convocou advogados para oferecer assistência jurídica às pessoas que afirmam ter sido prejudicadas por divergências políticas após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A manifestação ocorreu três dias depois da votação presidencial de 25 de outubro, quando começaram a circular publicações incentivando consumidores a deixar de frequentar estabelecimentos associados a eleitores de Lula. Segundo a deputada, o movimento teria ultrapassado as disputas nas redes sociais e alcançado trabalhadores que poderiam perder seus empregos, comerciantes sujeitos a prejuízos financeiros e pessoas expostas a ameaças. Nesse contexto, Ana Elisa afirmou que divergências ideológicas não deveriam justificar perseguições e defendeu a responsabilização de eventuais autores de práticas ilegais, desde que os fatos fossem devidamente apurados.

Durante o pronunciamento, a parlamentar também criticou o lema “Deus, pátria, família”, que associou à tradição política nazista, e comparou as listas de boicote a campanhas históricas contra comerciantes judeus na Alemanha. Ana Elisa declarou acreditar que parte dos apoiadores do bolsonarismo adotou determinadas ideias sem conhecer suas origens históricas e afirmou que a perseguição econômica poderia aprofundar a divisão política brasileira. As declarações provocaram repercussão por relacionarem o comportamento de grupos políticos contemporâneos a episódios de discriminação ocorridos durante o regime nazista, uma comparação apresentada pela própria deputada.

Ana Elisa denuncia perseguição pós-eleição e critica boicotes

Um dos principais pontos do vídeo foi a circulação de listas com nomes de estabelecimentos comerciais que supostamente deveriam ser evitados por consumidores devido às posições políticas de seus proprietários. Ana Elisa criticou a iniciativa e afirmou que não pretende deixar de frequentar os locais onde costuma fazer as unhas, cuidar das sobrancelhas, cortar o cabelo ou realizar outros serviços por causa das opiniões políticas dos profissionais. Dessa maneira, a deputada defendeu que as relações comerciais não sejam determinadas exclusivamente por divergências ideológicas e alertou para os possíveis impactos econômicos dessas campanhas sobre pequenos negócios.

Outro trecho do pronunciamento abordou relatos de médicos que teriam anunciado nas redes sociais a intenção de alterar medicamentos de pacientes por motivos políticos. Ana Elisa classificou esse tipo de comportamento como especialmente grave, uma vez que mudanças indevidas em tratamentos podem colocar a saúde das pessoas em risco, e afirmou que os responsáveis deveriam ser investigados. Entretanto, os profissionais mencionados não foram identificados no vídeo, e as supostas ameaças precisariam ser verificadas pelas autoridades competentes antes de qualquer conclusão sobre responsabilidades individuais.

A deputada também convocou advogados interessados em prestar atendimento a pessoas que relatassem demissões, perseguições ou prejuízos comerciais relacionados ao cenário eleitoral. Ela orientou os profissionais do Direito a se manifestarem na publicação para facilitar o contato com possíveis vítimas e recomendou que os atingidos reunissem provas dos acontecimentos. Entre os materiais que podem contribuir para uma eventual apuração estão mensagens, publicações, gravações e documentos relacionados às condutas denunciadas, cuja relevância deverá ser avaliada conforme as circunstâncias de cada caso.

Comparação com o nazismo e denúncias de assédio eleitoral

Ao justificar sua comparação histórica, Ana Elisa mencionou o boicote promovido em 1933 contra estabelecimentos comerciais de judeus na Alemanha, durante a ascensão do regime nazista. A campanha incentivava a população a não comprar de comerciantes judeus e integrou um contexto mais amplo de perseguição antissemita que posteriormente se intensificou sob o governo de Adolf Hitler. A deputada utilizou esse episódio para alertar sobre os riscos da discriminação econômica motivada pela identidade ou pelas convicções de determinados grupos, embora a comparação entre situações históricas distintas exija atenção às diferenças de contexto e de dimensão.

As denúncias feitas pela parlamentar também surgiram em meio a registros de assédio eleitoral no Brasil, que incluem pressões, ameaças e possíveis retaliações contra trabalhadores por suas escolhas políticas. O Ministério Público do Trabalho informou ter recebido 2.467 denúncias dessa natureza em 2026, das quais mais de 530 haviam sido registradas após o segundo turno, conforme balanço divulgado no período. O órgão ressaltou que empregadores não podem tratar o voto dos funcionários como uma escolha sob seu controle e que denúncias devem ser analisadas para identificar eventuais violações da legislação trabalhista.

Ao final, Ana Elisa reforçou o pedido de apoio jurídico e defendeu que pessoas prejudicadas procurem orientação especializada para avaliar as medidas cabíveis. A deputada também recordou que seu grupo político perdeu a eleição presidencial de 2018 e afirmou que, naquela ocasião, não presenciou ações semelhantes às que denunciou após o pleito de 2026. A mobilização proposta por ela busca reunir relatos e documentos que permitam examinar os casos individualmente, distinguindo manifestações legítimas de opinião e consumo de possíveis práticas de discriminação, ameaça ou assédio eleitoral.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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