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A ex-deputada Carla Zambelli iniciou uma campanha virtual e já conseguiu arrecadar mais de 10 mil euros

A ex-deputada federal Carla Zambelli arrecadou aproximadamente R$ 62,7 mil por meio de uma campanha de financiamento coletivo realizada no exterior, em uma iniciativa que evidencia as dificuldades enfrentadas por ela desde que deixou o Brasil e passou a viver na Itália. O dinheiro foi obtido por meio da plataforma internacional GoFundMe, que permite a realização de contribuições pela internet, inclusive com possibilidade de doações anônimas. A arrecadação ganhou repercussão porque ocorre em meio a processos judiciais, condenações no Supremo Tribunal Federal (STF) e às dificuldades relatadas pela ex-parlamentar para conseguir emprego e movimentar recursos financeiros no país europeu.

De acordo com os números divulgados em 5 de novembro, Zambelli havia conseguido reunir 10.205 euros, valor correspondente a cerca de R$ 62.760,75, considerando a conversão apresentada na publicação. A quantia representa aproximadamente 86% da meta estabelecida na campanha, que pretende alcançar 12 mil euros para ajudar a ex-deputada a custear sua permanência na Itália. Entretanto, a iniciativa não surgiu como sua primeira tentativa de obter apoio financeiro dos seguidores, uma vez que um projeto anterior, baseado em assinaturas para acompanhar sua rotina no exterior, acabou sendo cancelado e teve os valores pagos devolvidos aos participantes.

A nova campanha também chama atenção pela justificativa apresentada pela própria Carla Zambelli para utilizar uma plataforma internacional, em vez de recorrer a mecanismos tradicionais de arrecadação. Segundo a ex-parlamentar, existe o receio de que eventuais bloqueios judiciais atinjam os recursos recebidos, considerando as medidas determinadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, relacionadas aos processos envolvendo seu nome. Dessa maneira, a arrecadação passou a representar não apenas uma tentativa de conseguir dinheiro para despesas pessoais, mas também um novo capítulo da situação política e judicial da ex-deputada, que permanece fora do território brasileiro.

Carla Zambelli recebe R$ 62 mil após cancelamento de campanha anterior

Antes de alcançar os aproximadamente R$ 62,7 mil na GoFundMe, Carla Zambelli havia apresentado aos seguidores uma proposta de comunidade digital com conteúdo exclusivo sobre sua vida na Itália. O acesso custava R$ 50, e a intenção era disponibilizar vídeos e informações sobre sua rotina no exterior, criando uma fonte de receita a partir da participação de apoiadores. Contudo, a iniciativa foi cancelada pela plataforma, e as inscrições realizadas foram reembolsadas, encerrando uma alternativa de financiamento que havia sido apresentada pela própria ex-parlamentar.

Em um vídeo divulgado nas redes sociais, Zambelli comentou o encerramento do projeto e afirmou que não sabia explicar o motivo do cancelamento, enquanto também mencionou que algumas pessoas haviam levantado suspeitas sobre a possibilidade de golpe. Posteriormente, ela anunciou a abertura de uma nova campanha internacional, desta vez utilizando o GoFundMe, serviço conhecido por permitir arrecadações destinadas a diferentes finalidades pessoais e coletivas. A mudança de estratégia possibilitou que as contribuições fossem recebidas em euros e que os apoiadores tivessem a opção de preservar sua identidade, característica que foi destacada na apresentação da iniciativa.

Além disso, a ex-deputada utilizou o espaço para relatar os problemas que afirma enfrentar na Itália desde sua chegada ao país, especialmente em relação à obtenção de emprego e à abertura de uma conta bancária. Em uma declaração direcionada aos seguidores, afirmou que não tem medo de trabalhar e revelou que já realizou atividades de limpeza, incluindo serviços em banheiros, para demonstrar que estaria disposta a exercer diferentes funções profissionais. Ela também informou que está escrevendo um livro sobre os acontecimentos envolvendo sua trajetória recente, prometendo apresentar episódios e informações que, segundo suas próprias palavras, ainda não são conhecidos pelo público.

Carla Zambelli na Itália: prisão, extradição e condenações no STF

A situação financeira relatada por Carla Zambelli precisa ser compreendida dentro do contexto judicial que levou à sua saída do Brasil em junho de 2025. Naquele período, a então deputada deixou o território brasileiro e passou a permanecer na Itália, país com o qual possui vínculo de cidadania, enquanto as autoridades brasileiras buscavam viabilizar seu retorno para o cumprimento de decisões judiciais. No fim de julho de 2025, após ter seu nome incluído na lista vermelha da Interpol, ela foi localizada e presa em um apartamento em Roma, sendo posteriormente encaminhada ao presídio feminino de Rebibbia, onde permaneceu detida durante meses.

A ex-parlamentar foi liberada em maio de 2026, depois que a Suprema Corte italiana anulou decisões anteriormente tomadas por instâncias judiciais inferiores naquele país, em um desdobramento que afetou o andamento do procedimento relacionado à sua extradição. Posteriormente, o governo italiano rejeitou o pedido apresentado pelo Brasil no processo relacionado à condenação por falsidade ideológica e invasão do sistema informático do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), considerando o entendimento de que Alexandre de Moraes teria atuado simultaneamente como juiz e vítima no caso envolvendo o mandado falso expedido com a participação de Walter Delgatti Neto. Assim, a permanência de Zambelli na Itália continuou sendo marcada por questões jurídicas que ultrapassam as fronteiras brasileiras e envolvem decisões das autoridades dos dois países.

Entre as condenações impostas pelo STF está a pena de dez anos de prisão relacionada à falsidade ideológica e à invasão dos sistemas do CNJ, episódio que envolveu a inserção de informações falsas em documentos judiciais. Além desse processo, a ex-deputada recebeu uma segunda condenação, de cinco anos e três meses de prisão, por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal, em razão da perseguição armada contra o jornalista Luan Araújo, ocorrida no bairro dos Jardins, em São Paulo, na véspera do segundo turno das eleições presidenciais de 2022. Os dois casos ajudam a explicar a dimensão dos problemas judiciais enfrentados pela ex-parlamentar e o motivo pelo qual sua situação permanece acompanhada pelas autoridades brasileiras, mesmo com sua residência atualmente estabelecida na Europa.

Campanha internacional expõe dificuldades financeiras e novo capítulo político

A arrecadação realizada por Carla Zambelli na plataforma GoFundMe mostra como o financiamento coletivo passou a ser utilizado por ela como alternativa diante das dificuldades que afirma enfrentar na Itália. Embora a campanha tenha alcançado uma parcela expressiva da meta estabelecida, o episódio também evidencia a dependência de contribuições voluntárias para custear sua permanência no exterior, enquanto seus problemas judiciais continuam sem uma solução definitiva. Além disso, a utilização de uma plataforma que permite doações anônimas acrescenta um elemento de interesse público à iniciativa, principalmente porque a própria ex-deputada relacionou a escolha ao temor de bloqueios financeiros determinados pela Justiça brasileira.

Outro aspecto importante é que a campanha não modifica as condenações impostas pelo Supremo Tribunal Federal nem representa qualquer decisão judicial favorável à revisão das penas estabelecidas no Brasil. Da mesma forma, o dinheiro arrecadado não resolve automaticamente as questões relacionadas à extradição, à permanência de Zambelli em território italiano ou às restrições financeiras que ela afirma enfrentar, mantendo o caso no centro de uma disputa jurídica e política de repercussão internacional. Portanto, os aproximadamente R$ 62,7 mil obtidos em poucos dias representam uma nova fonte de recursos para a ex-parlamentar, mas sua situação continuará dependendo dos desdobramentos judiciais e das decisões que ainda poderão ser tomadas pelas autoridades brasileiras e italianas.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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