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A Polícia Federal apura se Flávio Bolsonaro contou com a ajuda de políticos e empresários para fugir do Brasil

A Polícia Federal (PF) investiga se o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) contou com ajuda de empresários e políticos de direita para deixar o Brasil e chegar aos Estados Unidos, apesar das restrições impostas pela Justiça. A apuração busca identificar quem participou da organização do deslocamento, quem disponibilizou os veículos utilizados e quem pode ter financiado a viagem do parlamentar e de sua família. A investigação ganhou força depois que Flávio deixou o país após perder o segundo turno das eleições presidenciais de 2026 para Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Segundo informações divulgadas pela CNN Brasil em 29 de outubro, os investigadores desconfiam que a saída do senador tenha contado com uma estrutura de apoio político e financeiro. Entre os nomes citados no contexto da apuração estão o ex-presidente Jair Bolsonaro, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro e o advogado e empresário Willer Tomaz, que está nos Estados Unidos. A eventual participação dessas pessoas ainda precisa ser esclarecida, e a existência de suspeitas não significa que tenha sido comprovado o envolvimento de cada uma delas na viagem.

A PF pretende identificar os proprietários dos carros e das aeronaves que transportaram Flávio até o território norte-americano, além de esclarecer quem pagou pelos deslocamentos. Os investigadores não descartam solicitar quebras de sigilos telefônicos e telemáticos para reconstruir as comunicações e verificar se houve planejamento prévio para contornar as restrições judiciais. A apuração também procura esclarecer como o senador conseguiu sair do Brasil depois de o Supremo Tribunal Federal (STF) determinar a apreensão de seus passaportes e proibir sua saída do país.

PF investiga empresários e políticos que podem ter ajudado Flávio

A investigação procura descobrir se empresários e políticos de direita ofereceram suporte logístico ou financeiro para a saída de Flávio Bolsonaro. Um dos principais pontos é identificar quem era responsável pelos carros utilizados no trajeto até a fronteira e pela aeronave particular que levou o senador da Argentina aos Estados Unidos, com uma parada no Equador para reabastecimento. A identificação dos proprietários e dos responsáveis pelos pagamentos pode ajudar a esclarecer se a viagem foi organizada por uma rede de apoiadores.

De acordo com informações atribuídas a investigadores, o possível esquema teria contado com o aval de Jair Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro e Willer Tomaz. Eduardo e o advogado estavam nos Estados Unidos quando a reportagem foi publicada, enquanto a participação de outros aliados ainda era objeto de apuração. A Polícia Federal busca reunir elementos que permitam distinguir eventuais apoios políticos de uma possível colaboração concreta na preparação e execução do deslocamento.

A corporação também avalia a possibilidade de obter registros de ligações, mensagens e outras comunicações para reconstruir a sequência dos acontecimentos. Esses dados podem ajudar a identificar contatos entre o senador, seus aliados, empresários e pessoas envolvidas no transporte, caso as medidas sejam autorizadas judicialmente. Até que os elementos sejam analisados, não há confirmação definitiva sobre quem organizou ou financiou a viagem.

Viagem ocorreu após decisão judicial sobre os passaportes

A saída de Flávio Bolsonaro aconteceu depois que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou a apreensão de seus passaportes e proibiu que ele deixasse o Brasil. A decisão foi tomada após a Polícia Federal manifestar preocupação com a possibilidade de fuga, em meio a investigações que envolvem suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Segundo informações divulgadas sobre o caso, os documentos brasileiros do senador foram cancelados e um alerta migratório foi inserido nos sistemas de controle de fronteira.

O trajeto investigado começou com o deslocamento de Flávio e de sua família até a região da fronteira entre Brasil e Argentina. Segundo registros divulgados pelas autoridades argentinas, o grupo atravessou a Ponte Internacional Tancredo Neves, entre Foz do Iguaçu, no Paraná, e Puerto Iguazú, na Argentina, na noite de 27 de outubro. Depois, a família embarcou em uma aeronave particular que fez uma parada no Equador antes de seguir para os Estados Unidos.

A Polícia Federal informou que não encontrou registros oficiais de passagem do senador por um posto de controle migratório brasileiro durante a saída do país. Essa circunstância integra as dúvidas que os investigadores procuram esclarecer, incluindo o percurso realizado em território brasileiro e as condições em que ocorreu a travessia da fronteira. A apuração pretende determinar se houve participação de terceiros para viabilizar o deslocamento diante das restrições determinadas pelo STF.

Investigação também envolve suspeitas financeiras contra Flávio Bolsonaro

Além das circunstâncias da viagem, Flávio Bolsonaro é investigado em inquéritos relacionados a suspeitas de irregularidades financeiras. Uma das apurações envolve o financiamento do filme Dark Horse, sobre a trajetória de Jair Bolsonaro, e possíveis recursos associados ao ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro. Outro inquérito examina suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o senador e o advogado Willer Tomaz, inclusive em operações relacionadas a empresas de apostas e plataformas de pagamento.

A Polícia Federal também considera a hipótese de que a movimentação de recursos para fundos no exterior tenha relação com a preparação para uma permanência fora do Brasil. Essa linha de investigação inclui negócios que teriam sido realizados por meio de estruturas financeiras e empresariais, mas a responsabilidade de cada envolvido ainda precisa ser estabelecida. Flávio nega irregularidades e afirma que sua relação com Willer Tomaz é de amizade, enquanto o advogado também contesta as suspeitas.

A apuração sobre a saída do senador poderá avançar com a identificação dos responsáveis pelos veículos, a análise de eventuais pagamentos e a reconstrução das comunicações entre os envolvidos. Os investigadores também procuram esclarecer se houve planejamento antecipado e se outras pessoas participaram da organização da viagem. O objetivo é determinar como Flávio conseguiu chegar aos Estados Unidos apesar das restrições judiciais e se houve colaboração de empresários ou políticos para viabilizar sua saída do Brasil.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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