A Polícia Militar está investigando os policiais que teriam obrigado suspeitos de tráfico a usarem camiseta de Lula

Uma ocorrência policial em Piracicaba, no interior de São Paulo, provocou uma controvérsia política após três suspeitos de envolvimento com o tráfico de drogas serem apresentados à delegacia usando camisetas com referências à campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O caso aconteceu na quarta-feira, 21 de outubro, e passou a ser investigado depois que familiares e representantes do partido acusaram policiais militares de obrigar os detidos a vestir as peças antes da divulgação das imagens. A Polícia Militar informou que tomou conhecimento das denúncias e que os relatos sobre possíveis irregularidades serão analisados em procedimentos de apuração.
Os suspeitos eram dois homens, de 21 e 24 anos, e um adolescente de 17 anos, detidos durante uma ação policial na comunidade Vitória Pantanal, na região do Jardim Monte Líbano. As imagens dos três usando camisetas iguais de apoio a Lula foram divulgadas nas redes sociais pelo senador eleito Guilherme Derrite, ligado ao campo político de oposição ao presidente. Depois da publicação, surgiram questionamentos sobre as circunstâncias em que as roupas foram colocadas nos detidos e se a situação registrada nas imagens correspondia ao momento da abordagem.
A mãe do adolescente afirmou que o filho e os outros dois homens não estavam usando aquelas camisetas quando foram abordados pelos policiais. Segundo o relato dela, os agentes teriam trocado as roupas dos detidos depois que eles já estavam sob custódia, além de terem ocorrido agressões durante a ação. As acusações ainda precisam ser apuradas pelas autoridades, enquanto a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo informou que a abordagem teve origem em uma denúncia recebida pelo telefone 190.
Mãe de adolescente questiona circunstâncias da abordagem
A mãe do adolescente relatou que presenciou parte da ocorrência e contestou a versão de que os três suspeitos já estariam usando camisetas do PT no momento da abordagem. Ela afirmou que o filho vestia uma camiseta preta e que não havia roupas iguais às mostradas nas imagens em sua residência. A mulher também declarou que questionou os policiais sobre a origem das peças, mas, segundo sua versão, os agentes sustentaram que os detidos já estavam usando aquelas camisetas.
Além da denúncia envolvendo as roupas, a mãe afirmou que o adolescente sofreu agressões durante a ação policial. Ela relatou que os agentes levaram o filho para outra área da comunidade e que ele teria sido agredido, além de mencionar um episódio envolvendo sua filha de 14 anos. Essas declarações fazem parte das acusações apresentadas por familiares e ainda dependem de apuração para que sejam esclarecidas as circunstâncias da abordagem e a eventual responsabilidade dos envolvidos.
Um dos outros homens detidos também contestou a situação apresentada nas imagens e afirmou que foi abordado enquanto circulava pela comunidade. O suspeito declarou que sofreu agressões e que acabou sendo conduzido junto com os demais homens durante a ocorrência. Os depoimentos ampliaram a controvérsia sobre a atuação policial, mas não substituem a investigação formal nem estabelecem, isoladamente, a comprovação das denúncias.
PT pede investigação e questiona publicação das imagens
O Partido dos Trabalhadores acionou a Procuradoria-Geral Eleitoral e pediu a investigação do caso, apontando a possibilidade de abuso de autoridade e de uso das imagens para criar uma narrativa política contra a campanha de Lula. A legenda também solicitou que a Polícia Federal apure as circunstâncias da ocorrência e que sejam ouvidos os policiais envolvidos, os familiares dos detidos e Guilherme Derrite. O partido sustenta que as camisetas podem ter sido colocadas nos suspeitos após a detenção, o que, se confirmado, levantaria questionamentos sobre a produção e a divulgação do registro.
A publicação feita por Derrite mostrava os três homens usando camisetas semelhantes com referências ao presidente, em imagens que circularam amplamente nas redes sociais. Na mensagem que acompanhou o vídeo, o senador eleito defendeu o endurecimento das leis e a aplicação de punições contra pessoas envolvidas em crimes. A divulgação ocorreu em meio à campanha eleitoral para o segundo turno presidencial, mas ainda não há conclusão oficial de que as imagens tenham sido produzidas com a finalidade de influenciar a disputa.
A deputada estadual Professora Bebel (PT) também denunciou supostas agressões contra duas mulheres que participavam de atividades políticas na mesma comunidade. Segundo os relatos apresentados à parlamentar, policiais teriam exigido que elas retirassem camisetas de apoio a Lula, e uma das mulheres afirmou ter sido atingida por um chute após se recusar a retirar a própria roupa. Bebel declarou que encaminharia as denúncias aos órgãos responsáveis pela fiscalização da conduta policial, ampliando os pedidos de apuração sobre o que ocorreu durante a operação.
Polícia Militar e Secretaria da Segurança Pública se manifestam
A Polícia Militar informou que tomou conhecimento das alegações divulgadas nas redes sociais, incluindo os relatos de agressões e de que os detidos teriam sido obrigados a vestir as camisetas. A corporação afirmou que os fatos serão analisados por meio dos procedimentos de apuração cabíveis. A manifestação indica que as acusações foram recebidas pela instituição, mas não representa uma conclusão sobre a responsabilidade dos policiais ou sobre a veracidade de cada relato.
A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo informou que a abordagem ocorreu após uma denúncia feita pelo telefone 190, que apontava a presença de três homens supostamente envolvidos com o tráfico de drogas. Conforme a pasta, os policiais apreenderam 160 porções de cocaína, um revólver e R$ 340 durante a ocorrência. O caso foi registrado no 2º Distrito Policial de Piracicaba, envolvendo suspeita de tráfico de drogas, porte ilegal de arma de fogo de uso restrito e ato infracional atribuído ao adolescente.
A secretaria também declarou que não compactua com desvios de conduta e que denúncias sobre a atuação de agentes públicos devem ser investigadas, embora tenha informado que não havia registro específico da ocorrência denunciada envolvendo as camisetas naquele momento. A investigação deverá esclarecer tanto as circunstâncias da apreensão dos suspeitos quanto as acusações de agressões e de possível troca de roupas após a detenção. Até que os fatos sejam apurados, as denúncias contra os policiais permanecem sob investigação, enquanto as prisões e apreensões foram registradas pelas autoridades como parte da ocorrência realizada em Piracicaba na quarta-feira, 21 de outubro.





