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A senadora Damares Alves vem tentando atrair alguns parlamentares para o seu partido

A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) intensificou as articulações para atrair parlamentares ao seu partido, incluindo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, atualmente filiada ao PL e eleita senadora pelo Distrito Federal. A movimentação ganhou repercussão em Brasília porque envolve duas mulheres próximas politicamente e ocorre em um momento de reorganização das forças ligadas ao bolsonarismo. Embora Damares procure apresentar a iniciativa como uma estratégia mais ampla de fortalecimento da participação feminina na legenda, a possibilidade de Michelle deixar o partido comandado por Valdemar Costa Neto passou a ocupar espaço importante nas discussões políticas.

Em entrevista ao Metrópoles, Damares confirmou que está convidando deputadas e senadoras para ingressar no Republicanos e afirmou que a estratégia não se limita à ex-primeira-dama. A parlamentar declarou que considera sua legenda um partido com espaço para mulheres e destacou a presença de representantes que ocuparam cargos importantes na administração federal, especialmente nas áreas de Direitos Humanos e políticas para as mulheres. Além disso, afirmou que a estrutura partidária vem investindo na participação feminina e que pretende ampliar a presença de mulheres nas decisões e nos espaços de representação política.

A declaração reforça as informações divulgadas anteriormente pela coluna de Lauro Jardim, do jornal O Globo, sobre uma articulação para levar Michelle Bolsonaro ao Republicanos. Segundo o relato atribuído a um político que acompanha as conversas, a ex-primeira-dama estaria descontente com os filhos de Jair Bolsonaro e com a maneira como Valdemar Costa Neto conduz o PL, circunstâncias que poderiam facilitar uma mudança de legenda. Entretanto, até o momento, não existe anúncio oficial de filiação ou confirmação de que Michelle tenha decidido abandonar o partido pelo qual construiu parte de sua atuação política.

Damares quer fortalecer o Republicanos e atrair mulheres do Congresso

Ao explicar os motivos da ofensiva partidária, Damares Alves apresentou o Republicanos como uma legenda que possui experiência na administração de políticas públicas relacionadas aos direitos humanos e à participação feminina. A senadora citou que os três últimos ministros de Direitos Humanos mencionados por ela, Gustavo Rocha, a própria Damares e Cristiane Britto, pertencem ao partido, destacando também a trajetória de Cristiane no Ministério da Mulher. Dessa maneira, a parlamentar procura demonstrar que a legenda possui quadros políticos com experiência administrativa e pretende utilizar esse histórico para atrair novas integrantes.

A senadora também chamou atenção para a estrutura interna do Republicanos, mencionando que a presidência da fundação partidária está nas mãos de uma mulher e que existe um esforço para ampliar a participação feminina. Durante a entrevista, ela afirmou que já realizou convites a diversas parlamentares e resumiu sua estratégia com a declaração: “Toda parlamentar, eu estou convidando”. A fala indica que a aproximação com Michelle faz parte de um movimento mais abrangente, que busca aumentar a representação feminina e consolidar a atuação do partido em pautas relacionadas aos direitos das mulheres.

Michelle Bolsonaro, por sua vez, representa um nome de grande visibilidade para qualquer legenda interessada em ampliar sua presença no eleitorado conservador. Como ex-primeira-dama, ela ganhou projeção nacional durante o governo Jair Bolsonaro, participou de eventos políticos e religiosos e esteve à frente do PL Mulher, estrutura destinada à mobilização e à filiação de mulheres. Além disso, sua eleição para o Senado pelo Distrito Federal ampliou sua importância nas articulações partidárias, uma vez que sua atuação parlamentar deverá começar na próxima legislatura, em fevereiro de 2027.

Michelle Bolsonaro no Republicanos aumenta disputa com Valdemar

A possibilidade de Michelle trocar o PL pelo Republicanos provocou uma reação pública de Valdemar Costa Neto, presidente nacional da legenda de Jair Bolsonaro. Depois da divulgação das informações sobre a aproximação entre Damares e a ex-primeira-dama, o dirigente afirmou que poderia convidar a própria senadora do Republicanos para ingressar no PL, numa resposta que transferiu parte da disputa para o campo das declarações públicas. Valdemar chegou a afirmar que pretendia trazer Damares para seu partido, mas não apresentou detalhes concretos sobre como a eventual filiação seria realizada.

A resposta da senadora foi direta e demonstrou que ela não pretende aceitar a aproximação proposta pelo dirigente do PL. Em declaração ao g1, Damares afirmou: “Nunca! Eu estou é convidando Michelle pra vir para o Republicanos e daí ele saiu com essa, fazendo resenha”. Com isso, a parlamentar reafirmou seu compromisso com a estratégia de atrair a ex-primeira-dama e deixou claro que não considera a possibilidade de trocar de legenda como parte de suas prioridades políticas.

A troca de declarações evidencia que a movimentação ultrapassou uma simples conversa sobre filiações e passou a envolver os interesses das duas legendas na formação de suas bancadas e na organização de suas lideranças. Para o Republicanos, a eventual chegada de Michelle representaria a incorporação de uma parlamentar com reconhecimento nacional e capacidade de mobilização entre setores conservadores, enquanto o PL procura preservar uma figura que teve papel relevante na estrutura de participação feminina do partido. Entretanto, a mudança dependerá de uma decisão da própria Michelle, além das condições políticas e partidárias necessárias para concretizar a transferência.

Disputa por Michelle pode mudar articulações políticas para 2027

O interesse do Republicanos em Michelle Bolsonaro também precisa ser observado dentro do cenário de reorganização da direita brasileira após as eleições de 2026. A ex-primeira-dama conquistou uma cadeira no Senado e poderá exercer uma função importante nas discussões sobre a oposição ao governo federal, especialmente por sua proximidade com lideranças conservadoras e sua influência entre grupos religiosos. Nesse contexto, a escolha do partido pelo qual exercerá seu mandato poderá ter consequências para a distribuição de forças políticas no Congresso e para as estratégias de articulação da oposição.

Enquanto as conversas continuam, Damares procura ampliar o alcance de sua iniciativa, deixando claro que pretende atrair outras deputadas e senadoras, independentemente de suas atuais legendas. Já Valdemar Costa Neto precisa administrar o interesse de outras siglas por nomes que possuem visibilidade e influência dentro do PL, especialmente depois das divergências envolvendo a família Bolsonaro e a direção partidária. Assim, a disputa pela possível filiação de Michelle permanece aberta e poderá produzir novos desdobramentos nos próximos meses, mas, por enquanto, a ex-primeira-dama continua vinculada ao PL e não confirmou oficialmente uma mudança para o Republicanos.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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