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Polícia Federal descobriu algumas conversas entre Robson Calixto e assessoria do senador Flávio Bolsonaro

O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro destinou, em 2023, uma emenda parlamentar de R$ 199.999,79 para um projeto esportivo no Rio de Janeiro após um pedido feito por Robson Calixto da Fonseca, conhecido como Peixe. Calixto foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal por envolvimento no assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, ocorrido em março de 2018. A negociação da verba passou a ser investigada pela Polícia Federal depois que mensagens entre o condenado e uma assessora do gabinete de Flávio foram identificadas.

Segundo as informações divulgadas na investigação, a assessora Maria de Fátima Bezerra Castro tratou diretamente com Calixto sobre a possibilidade de destinação dos recursos. As conversas analisadas pela PF indicam que o dinheiro seria direcionado ao Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio, entidade relacionada aos irmãos Chiquinho e Domingos Brazão, condenados como mandantes do assassinato de Marielle e Anderson. O caso passou a ser examinado também sob a perspectiva de um possível desvio dos recursos públicos depois que foram identificados indícios de irregularidades na aplicação da verba.

A defesa política apresentada por Flávio Bolsonaro é de que a emenda foi destinada dentro da legislação vigente e seguindo critérios técnicos estabelecidos pelo Ministério do Esporte. Até o momento, as investigações divulgadas não apontam Flávio como réu ou condenado por irregularidades relacionadas à emenda. Dessa maneira, é necessário distinguir a destinação parlamentar realizada pelo senador das suspeitas que estão sendo apuradas sobre a negociação e a utilização posterior dos recursos.

Flávio Bolsonaro e a emenda de quase R$ 200 mil

As mensagens obtidas pela Polícia Federal indicam que Robson Calixto procurou a assessora do senador em 2023 para solicitar recursos destinados ao projeto esportivo. Segundo a apuração, Maria de Fátima teria informado sobre a possibilidade de viabilizar a emenda e chegou a sugerir que Chiquinho Brazão participasse de um evento para conversar pessoalmente com Flávio. Posteriormente, R$ 199.999,79 foram destinados ao Ministério do Esporte, que formalizou um termo de fomento com a entidade beneficiária.

A relação entre Calixto e o pedido da emenda ganhou relevância porque ele havia sido apontado como integrante de uma organização ligada aos irmãos Brazão. Em 2026, o STF condenou Robson Calixto pela participação na organização criminosa relacionada ao assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes, enquanto os irmãos Brazão também foram condenados pela participação como mandantes. Assim, a descoberta das conversas levou os investigadores a examinar se a verba parlamentar poderia ter beneficiado estruturas relacionadas ao grupo investigado.

Além da investigação da Polícia Federal, o Tribunal de Contas da União encontrou problemas na utilização dos recursos que haviam sido destinados ao instituto. Conforme relatório do TCU, parte da verba teria sido desviada para uma sociedade individual de advocacia pertencente ao presidente da própria entidade, situação que foi considerada irregular pelo tribunal. O relatório passou a integrar o conjunto de informações analisadas pelas autoridades para esclarecer a aplicação do dinheiro público.

Investigação sobre emenda de Flávio Bolsonaro avança

O TCU apontou que os recursos deveriam ter sido utilizados em atividades relacionadas ao projeto esportivo, mas identificou pagamentos considerados incompatíveis com essa finalidade. Segundo o relatório, o presidente do instituto recebeu valores por meio de uma sociedade de advocacia própria, criando uma situação em que a mesma pessoa aparecia em posições distintas na contratação. A irregularidade apontada pelo tribunal se refere à aplicação da verba depois de sua transferência para a entidade beneficiada.

Paralelamente, a Polícia Federal busca esclarecer se houve desvio dos recursos e qual teria sido o destino efetivo do dinheiro. As mensagens entre Calixto e a assessora são consideradas elementos importantes porque mostram que o pedido da emenda passou pelo condenado antes que a verba fosse formalmente destinada ao instituto. Entretanto, a existência dessas conversas, por si só, não estabelece que Flávio Bolsonaro tivesse conhecimento de eventual irregularidade na utilização posterior dos recursos.

Outro elemento revelado nas apurações foi a maneira como Robson Calixto se referia ao senador nas conversas. Segundo reportagem publicada pelo Estado de Minas a partir de informações da investigação, o condenado utilizou a expressão “nosso senador” ao mencionar Flávio, enquanto tratava da obtenção dos recursos. A PF procura determinar se essa relação demonstrava apenas proximidade política ou se havia alguma articulação mais ampla envolvendo a destinação das emendas.

O que a investigação apura sobre Flávio Bolsonaro

A apuração atualmente concentra-se em diferentes pontos, entre eles as circunstâncias em que a emenda foi solicitada, o papel desempenhado pela assessora e o destino dado aos quase R$ 200 mil depois que os recursos foram liberados. Também está sendo analisada a possível relação entre o instituto beneficiado, os irmãos Brazão e estruturas ligadas à milícia no Rio de Janeiro. As autoridades ainda precisam estabelecer eventuais responsabilidades individuais a partir dos documentos, mensagens e demais elementos reunidos no caso.

O episódio ganhou repercussão adicional porque ocorre durante a campanha presidencial de 2026, na qual Flávio Bolsonaro disputa o cargo de presidente da República. Ao mesmo tempo, o caso voltou a colocar no debate público as relações políticas e financeiras envolvendo pessoas condenadas pelo assassinato de Marielle Franco. Até o momento, contudo, as informações disponíveis indicam uma investigação sobre a destinação e a aplicação da emenda, enquanto Flávio afirma que o procedimento parlamentar respeitou a legislação e os critérios técnicos.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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