Advogado que participou do pedido de impeachment de Dilma, comentou sobre as propostas de Flávio Bolsonaro

O advogado Miguel Reale Júnior, um dos autores do pedido de impeachment de Dilma Rousseff, declarou apoio à candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno das eleições presidenciais de 2026. Em carta publicada nas redes sociais na quarta-feira, 7 de outubro, o jurista fez críticas ao candidato Flávio Bolsonaro e apresentou ressalvas sobre propostas defendidas pelo senador. Entre os principais pontos levantados por Reale Júnior está a possibilidade de anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023.
No texto, intitulado Cuidado com o precipício, Reale Júnior afirmou que o eleitor que escolher Flávio Bolsonaro estaria admitindo a possibilidade de anistia aos envolvidos na invasão das sedes dos Três Poderes. Segundo o advogado, essa escolha representaria uma forma de referendar a tentativa de anulação pela força do resultado da eleição presidencial de 2022. Foi nesse contexto que ele declarou que votar em Flávio seria “legitimar o golpe”.
A manifestação ocorreu durante a campanha para o segundo turno, que será disputado por Lula e Flávio Bolsonaro em 25 de outubro. Reale Júnior também afirmou que a escolha entre os dois candidatos terá relação com o futuro institucional do país. O posicionamento foi apresentado como um apoio explícito à candidatura de Lula nesta etapa da eleição.
Reale Júnior critica Flávio Bolsonaro
Além da questão envolvendo a anistia, Miguel Reale Júnior criticou a posição de Flávio Bolsonaro sobre a classificação de organizações criminosas brasileiras como terroristas pelo governo dos Estados Unidos. O jurista questionou a adequação dessa classificação e afirmou que os grupos criminosos atuariam principalmente com objetivos econômicos. Na avaliação apresentada pelo advogado, a posição defendida por Flávio poderia abrir espaço para uma eventual interferência norte-americana no Brasil.
Reale Júnior também mencionou a relação do candidato do PL com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Segundo o advogado, Flávio teria apoiado a classificação de organizações criminosas brasileiras como terroristas para atender aos interesses norte-americanos. A crítica foi apresentada pelo jurista como uma preocupação relacionada à soberania brasileira durante o próximo governo.
Outro tema abordado na carta foi a segurança pública, especialmente as referências feitas por Flávio Bolsonaro ao modelo adotado em El Salvador. Reale Júnior criticou a política salvadorenha por causa das prisões em massa e afirmou que medidas semelhantes poderiam produzir, em sua avaliação, um “estado policial opressor pavoroso”. O advogado também associou esse modelo a uma possível política de repressão sem respeito ao devido processo penal.
Autor do impeachment de Dilma apoia Lula
Miguel Reale Júnior ficou conhecido nacionalmente por sua participação no processo de impeachment de Dilma Rousseff. Ele foi um dos autores da denúncia apresentada à Câmara dos Deputados em 2015, juntamente com Hélio Bicudo e Janaína Paschoal. O advogado também ocupou o cargo de ministro da Justiça durante o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
A manifestação de 2026 não foi a primeira vez que Reale Júnior declarou apoio a Lula em uma eleição presidencial. Em 2022, embora defendesse uma alternativa de terceira via, ele afirmou que votaria no petista ainda no primeiro turno. Naquela ocasião, o jurista justificou sua escolha como uma maneira de evitar, segundo suas próprias palavras, um “mal maior”.
Agora, ao voltar a se posicionar em uma eleição presidencial, Reale Júnior direcionou suas críticas especificamente à candidatura de Flávio Bolsonaro. Ao mesmo tempo, reconheceu na carta que existe desgaste em relação ao PT e ao próprio Lula, mas afirmou que, em sua avaliação, os governos petistas não promoveram uma tentativa de golpe militar. O jurista também declarou que desejava que o país não passasse a viver sob o signo da violência.
Disputa entre Lula e Flávio chega ao segundo turno
A declaração do autor do impeachment de Dilma ocorreu depois da definição dos dois candidatos que disputarão a Presidência no segundo turno. Lula e Flávio Bolsonaro avançaram para a etapa decisiva após a votação realizada no último domingo, 4 de outubro. O filho mais velho de Jair Bolsonaro terminou a primeira rodada na liderança, enquanto o petista ficou na segunda colocação.
De acordo com os números divulgados pelo Metrópoles, Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula obteve 45,16%. A diferença entre os dois candidatos foi de 1,87 ponto percentual, deixando a definição da eleição para a segunda votação. O segundo turno está marcado para 25 de outubro.





