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AGU solicitou à Polícia Federal e também à PGR, que investigue um suposto repasse do presidente dos EUA à direita no Brasil

A Advocacia-Geral da União (AGU) pediu à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal que investiguem um suposto financiamento do governo de Donald Trump a uma agenda de direita no Brasil. A notícia-crime foi apresentada nesta quinta-feira (1º) pelo advogado-geral da União, Jorge Messias, ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet. O pedido ocorreu três dias antes do primeiro turno das eleições de 2026.

A iniciativa teve como ponto de partida uma reportagem publicada pelo jornal britânico The Guardian, que apontou a destinação de US$ 1 milhão para um programa denominado Combate ao Lawfare e à Censura no Brasil. Segundo a reportagem citada pela AGU, os recursos teriam origem em um fundo do Departamento de Estado dos Estados Unidos voltado a direitos humanos e democracia. A apuração solicitada agora deverá verificar se houve efetivamente repasse de recursos e quem seriam os responsáveis e beneficiários no Brasil.

De acordo com a AGU, existe a suspeita de que verbas públicas americanas tenham sido direcionadas a redes e organizações que atuariam no Brasil com o objetivo de interferir no debate político e institucional. O órgão também apontou a possibilidade de que essas iniciativas tenham buscado deslegitimar o Supremo Tribunal Federal (STF). Essas afirmações, contudo, integram a justificativa do pedido de investigação e ainda dependem de apuração pelas autoridades brasileiras.

AGU pede investigação sobre recursos do governo Trump

Na notícia-crime, a AGU solicitou que sejam identificados os responsáveis pela eventual operação financeira e os destinatários dos recursos em território brasileiro. O órgão afirmou que, caso os fatos sejam confirmados, poderá haver uma estrutura de ingerência estrangeira em assuntos internos do Brasil. A investigação deverá esclarecer também se houve alguma conduta individual que possa resultar em responsabilização.

O documento apresentado por Jorge Messias cita princípios constitucionais relacionados à soberania nacional, à independência e à não intervenção. A AGU também mencionou a legislação brasileira que proíbe o financiamento ou a subordinação de agremiações políticas por governos ou entidades estrangeiras. Segundo o órgão, esses dispositivos justificam a necessidade de verificar a origem, a destinação e a eventual utilização dos valores.

A reportagem que motivou a iniciativa foi publicada pelo The Guardian em 30 de setembro. Conforme as informações citadas pela AGU, o programa de US$ 1 milhão estaria relacionado ao questionamento da atuação do Judiciário brasileiro, incluindo críticas a decisões do STF. A existência do programa e sua finalidade serão elementos a serem considerados na apuração solicitada às autoridades brasileiras.

AGU cita suposto financiamento à direita brasileira

O caso também envolve um pacote mais amplo de recursos do governo americano. Segundo informações atribuídas ao The Guardian, cerca de US$ 176,9 milhões teriam sido destinados ou previstos para 43 projetos ligados ao Fundo de Direitos Humanos e Democracia em diferentes países. Entre as iniciativas mencionadas estão programas relacionados a pautas conservadoras e de direita no exterior.

No caso brasileiro, a discussão se concentrou nos US$ 1 milhão associados ao programa Combate ao Lawfare e à Censura no Brasil. Segundo a AGU, é necessário descobrir se os recursos chegaram efetivamente ao país, quais entidades poderiam ter recebido os valores e qual teria sido a finalidade concreta da verba. A apuração, portanto, deverá diferenciar uma previsão ou destinação orçamentária de um eventual repasse efetivamente realizado.

A informação surgiu em um momento de tensão nas relações entre Brasil e Estados Unidos e durante a reta final da campanha eleitoral brasileira. O pedido da AGU foi protocolado dois dias antes do primeiro turno, marcado para 4 de outubro. A proximidade da votação foi destacada no documento como parte do contexto em que os fatos deveriam ser analisados.

AGU pede apuração antes do primeiro turno

A iniciativa do governo brasileiro não significa que o suposto financiamento tenha sido comprovado. Até o momento, o que existe é um pedido formal para que PF e Ministério Público Federal apurem as informações divulgadas pela imprensa e identifiquem possíveis responsáveis e beneficiários. A confirmação de eventual irregularidade dependerá das investigações e das provas que forem reunidas.

O episódio também passou a ser acompanhado no contexto das discussões sobre possível interferência estrangeira no processo político brasileiro. A AGU sustenta que eventual utilização de recursos de um governo estrangeiro para influenciar instituições ou organizações políticas brasileiras precisaria ser analisada à luz das normas nacionais. Por outro lado, a reportagem que originou o caso e o pedido de investigação ainda não estabelecem, por si só, que organizações brasileiras tenham cometido alguma irregularidade.

Agora, caberá às autoridades responsáveis avaliar as informações apresentadas pela AGU e decidir sobre as providências investigativas. A apuração poderá esclarecer a origem dos recursos, o caminho percorrido pelo dinheiro e os eventuais destinatários no Brasil. Enquanto isso, o caso permanece no campo das suspeitas que foram formalmente levadas à PF e ao Ministério Público Federal, sem conclusão sobre a ocorrência de crime ou sobre a responsabilidade de pessoas e organizações específicas.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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